terça-feira, 4 de agosto de 2009

5 de Agosto de 2009

5 de Agosto de 2009 (00:57)Aqui vão as entradas atrasadas. Estava à espera que o blogue estivesse disponível para todos. Por razões que eu não percebo, não está. Incompetência técnica minha? Talvez; o futuro o dirá.

29 de Julho de 2009 (14:35) – No IPOR depois do banho e do pequeno-almoço e de um caminho sem chuva – houve uma meia-hora intensa dela enquanto ainda estava em casa. Neste momento, Portugal está a 367 dias de distância. Nada a fazer: é o que tem de ser. Ao computador vou-me pondo a ver mails reencaminhados e guardo apenas os que são informativos, sérios ou humorísticos, políticos ou culturais. É a velha história de construir a memória. Daqui a pouco vou almoçar, mas tenho de ver se acabo de corrigir os testes do curso de sub-chefe e somar os pontos das perguntas, dar a nota do teste e dar a nota final antes de telefonar ao comissário a pedir que alguém os venha buscar para dar isto por terminado. Falta telefonar à minha colega Adelita para podermos combinar quando é que podemos entregar os dois, para evitar duas vindas. Depois dos mails, a de olhos por sítios de música ou livros, para ver o que há de novo nesse mundo. Vou sempre ver a Southern Records, distribuidora, editora e gravadora que faz um podcast em formato rádio com os lançamentos mais recentes, além dos mp3 disponibilizados pela Durtro, Teenbeat, Dischord, Alternative Tentacles – também tem podcasts – e pela Southern Lord de temas de artistas seus. Depois há o programa do Henry Rollins na KCRW, vivamente recomendado. No caso dos livros em portugueses recomendo os editados pela Antígona; nos de língua inglesa, cinjo-me ao Michael Parenti, Robert Fisk, Henry Rollins e livros com alguma ligação a uma ou outra das editoras musicais mencionadas. Continua a valer a palavra daqueles por quem temos consideração pessoal ou artística.

30 de Julho de 2009 (00:40) – Depois das aulas, veio o jantar comprado de um não intragável sumo de vegetais, panqueca de banana e de muito pouco queijo e umas bolachas. Distribui as notas finais depois de ver o “No Vale de Ellah” – com o Tommy Lee Jones. O tema é o Iraque. Boa representação e argumento com interesse. Um cigarro depois e… até amanhã. Tenho de me levantar às 08h00 para deixar testes e notas na recepção do IPOR e às 11h00 tenho de ir ver casas.

30 de Julho de 2009 (19h40) – Novidade absoluta: o dia esteve especialmente quente e húmido… Entreguei as notas e os testes na recepção e depois fui ver casas com a mesma pessoa – de nome Calvin – que arranjou a casa da Paula. A primeira casa que me mostrou era aqui perto, mas mais perto da San Ma Lo – Avenida Almeida Ribeiro e, salvo erro, “Avenida Nova” em cantonês. Era um primeiro andar que, por cerca de 500 euros, tinha uma sala com perto de 30 m2, cozinha e casa-de-banho maiores do que as que aqui são costume, uma varanda e quatro quartos. Demasiado espaço. A segunda casa ficava a 5 minutos do IPOR e ao lado do Fórum Macau. Um quinto andar de disposição estranha, pouca luz, fogão e frigoríficos inoperacionais. Para esquecer. (Não consigo encontrar os DVDs do Hendrix em Woodstock, do Laranja Mecânica e do Kurosawa). O passo seguinte foi comprar comida e passei pelo Pavillion, uma espécie de Supermercado ACS, coisa para gente mais endinheirada. Fui lá à procura de lentilhas, soja texturizada, sementes de linhaça ou coisas afins. Trouxe tudo menos a soja; as sementes de linhaça – boas para a digestão, operação do organismo que o clima dificulta. Em relação a Portugal, os preços para esses produtos são mais caros em cerca de 100%. Depois fui ao Royal – faz lembrar o Pingo Doce – para comprar feijão de soja, couve portuguesa e batatas fritas. Almocei e acabei de ver o “We own the night”. Muitos actores bons, mas o argumento não sai muito do esperado. Apesar disso, foi agradável de ver. Ao filme seguiu-se uma sessão de exercício físico, que há muito não fazia. Soube bem. Depois do banho foi o jantar e depois foi tentar arranjar a imagem certa para o blogue. Com ajuda, lá consegui fundir as duas fotografias, mas agora tenho de me ir deitar e esperar que amanhã o processo de processamento e reprodução da imagem demore menos tempo.

1 de Agosto de 2009 (14:30) – Acordei e fui tirar a roupa do estendal e lavar a loiça. Depois do banho tomado, seguiu-se o pequeno-almoço. Saí para as compras e para o café da manhã, desviando-me de pessoas, tráfego e pingos de água dos ares condicionados. No Leal Senado, está muita gente: é Sábado e, além de turistas e locais em feroz competição no uso da máquina fotográfica, há os chineses continentais que vêm a Macau fazer compras. Tento passar por eles rapidamente e já no Royal compro leite de soja e bolachas salgadas. Passo pelo centro de comércio local onde costumo comprar os sumos naturais e trago um de cenoura e um de manga. Passo por uma loja e, na banca que vende tabaco, compro um pacote e um livro de mortalhas e um isqueiro. Depois vou até ao Ou Mum para o café. Estou lá pouco tempo: não há lá ninguém conhecido e não há vontade de lá ficar. Vou comprar um cartão para recarregar o telemóvel e passo pela padaria para comprar pão. Em casa, a imagem ainda não apareceu processada… nem vai aparecer, por causa de um erro interno. Mudo do JPEG para o PSD: prevejo que a mudança de formato não me trará os resultados desejados.

1 de Agosto de 2009 (23:15) – Finalmente! A imagem ficou pronta e o blogue arrancou. Para minha frustração, não consegui aceder a ele enquanto utilizador externo, mas depois foi-me lembrado por uma conversa com a Marta que só dois ou três dias depois é que aquilo talvez fique disponível para os utilizadores em geral. Não interessa: já lá estão as duas primeiras entradas, mais se seguirão. Ainda corrigi outro material meu, mas lá chegou a altura de tratar do jantar e lá tratei de o comer enquanto via o “No Country for Old Men”, um filme que é boa ideia ver outra vez: não é um filme de acção puro, tem também momentos de estranheza e incerteza que fazem pensar, tanto quanto o faz a aridez da paisagem do Texas ou a sujidade das construções. Acho que fala da crueldade do país. Todos os actores fazem um bom papel. O cansaço parece estar a tomar conta de mim. Lentamente, a escrita começa a ficar em dia. Não adianta culpar as máquinas: o material tem sempre razão?

2 de Agosto de 2009 (14:40) – Depois do banho e do pequeno-almoço, a saída para o café e uma volta para compras pelo mercado e pelas lojas. Eram poucas as lojas abertas e poucas as bancas montadas no mercado. As ruas estavam relativamente vazias, preenchidas maioritariamente por um calor e por uma humidade relativamente suportáveis. Com o café tomado e já em casa, trato dos mails e passo em revista a secção de audição da Southern Lord: tenho de voltar a ouvir o que está disponível, pois eles têm muita coisa com interesse. Depois é o almoço: sumo de manga, bolachas salgadas, queijo e Doritos, enquanto vejo o “Black Rain” do Ridley Scott, com o Michael Douglas no principal papel. O mais interessante para mim é a forma como alguma da paisagem urbana do Japão aparece filmada, pois lembra-me Macau. É curiosa a comunhão de certos traços culturais: basta ver as tendas e as mesas dispostas para as refeições. A humidade sai bem tratada.

2 de Agosto de 2009 (23:10) – O tempo está a ficar enublado, não sei se por causa da humidade ou se por causa da poluição. Preparei o jantar e sintonizei a televisão na TDM: estava a dar o “Câmara Clara”, cuja entrevistada era a Sara Tavares. Mulher bonita que parece interessante, de cuja música não sou apreciador. O programa tem o defeito de a entrevistadora acabar por se tornar demasiado presente. Talvez por o programa ser demasiado formatado: nunca lá vi ninguém falar quinze minutos sem ser interrompido, como acontece no Democracy Now!, com a Amy Goodman, que além daquilo ainda faz tournées a dar palestras. A ética de trabalho de alguns americanos é notável, incluindo a dos seus – maioritariamente – criminosos dirigentes, políticos ou outros. Gente como a Amy Goodman merece todas as distinções. O “Câmara Clara” não me é muito proveitoso, os meus canais são outros. Jantei vendo o que faltava do filme, mas o meu nível de interesse não se manteve. O herói lá acabou por aparecer, sem demasiada fanfarra ou explosões. Claro que beijou a sensual mulher loira! A correspondência está praticamente em dia e renovei a minha audição dos mp3 disponibilizados pela Southern Lord: Thorr’s Hammer, Goatsnake e Khanate são todos do meu agrado. Depois do cigarro na sauna que é a rua, vou-me deitar. Verei o que me traz o dia amanhã.

3 de Agosto de 2009 (15:45) – Cheguei da volta da manhã. À segunda-feira o “Ou Mum” está fechado e a alternativa é o Caravela, onde o café expresso, contra as 12 patacas do Ou Mum, é a 10 patacas – cerca de 1 euro. Bebi dois e estive um bocado a ler: neste momento estou com o “Elegia para um americano” de Siri Hustvedi, mulher de Paul Auster. Até agora estou a gostar. Depois fui às compras e tudo o que consegui trazer foi um par de calções para fazer exercício, uma caixa com o “Dirt” e o “Unplugged” do Alice In Chains – sempre bons de ouvir – e dois sumos de manga. Preciso de camisolas, mas não encontrei nada de que gostasse. Depois trouxe tai pautake-away – do restaurante vegan a dois metros aqui de casa: refeição com sopa incluída custou 25 patacas. Em parte, não admira que eles cozinhem pouco em casa. O almoço foi começado a ver o “Sweeney Todd” do Tim Burton, um musical que me está a agradar. Depois foi, sobretudo, por um pouco mais de correspondência on-line em dia. Está quase. O blogue ainda não está disponível. Agora é hora de exercício.

3 de Agosto de 2009 (22:25) – Depois do exercício ao som dos Slayer e do vento, da chuva e da trovoada exteriores, veio o jantar ao ritmo do resto do “Sweeney Todd”. Argumento, letras, imagem, música e actores: tudo bom. Ao ver os extras, pus-me a pensar que eles são pessoas bem sucedidas, a despeito das suas idiossincrasias, mas também por causa delas. E se o Tim Burton é o caso imediato, bastaria lembrarmo-nos do Wesley Willis ou dos Ramones. Há sempre alguém que aparece a dar uma ajuda – no caso do Wesley Willis, o Jello Biafra. Isto parece um bocado romântico e até conhecemos histórias destas, mas no momento da ocorrência achamos que não é connosco que acontece. Acho que a desistência é normalmente aos poucos… Há pouco o ar estava fresco, assim como vento, e a lua era bem visível no pano preto de onde as estrelas estavam ausentes. Estive a ver onde é que há lojas de discos em Hong Kong e que bandas lá há: claro que há música, embora a cena musical seja pequena e relativamente recente. Agora falta ver moradas, direcções e meios de transporte. Até amanhã.

6 comentários:

  1. 2 Agosto 2009 : " ...almoço: sumo de manga, bolachas salgadas, queijo e doritos." E chamas a isso um almoço?!...Eu chamo a isso um BANQUETE...repleto de vitaminas, hidratos de carbono, proteínas e...DORITOS!!!!.....

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  2. 3 Agosto 2009:" O almoço foi começado a ver o Sweeney Todd do Tim Burton, um musical que me está a agradar." É ,de facto, um musical agradável. E um pouco gore também...O que me leva a três questões com elevado grau de premência:
    1- Qual o almoço mais apropriado ao visionamento de um filme gore?
    2- Como conseguiste manter o apetite enquanto vias o filme?
    3- Serviram sobremesa?

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  3. 3 Agosto 2009:
    E como é a cena musical de Hong Kong?...As lojas de discos de lá devem ter flyers e/ou cartazes de clubes de música ao vivo...Ainda corres o risco de ter uma boa surpresa!...

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  4. Um banquete ? Nem por isso. Um sumo custa 10 patacas - 1 euro, bem medido; as bolachas salgadas, talvez 12,5 patacas. O resto não me custou nada. O grande achado é o sumo - os sumos: os sumos de vegetais também não são maus.

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  5. Caríssimo, qualquer almoço é apropriado: o segredo está em quem vê o filme. É, transmigratoriamente falando, semelhante às qualidades intrínsecas dos verbos Ser e Estar. Relativamente à segunda questão, remeto para a resposta acima. Quanto à última, a resposta é 'não': não havia e eu já estava satisfeito.

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  6. Sim, é possível. Há uma cena musical em Macau, mas suspeito que a musica rebelde para jovens se cinja apenas ao nu-metal. Há revistas e compilações de bandas em Hong Kong; depois verei quais as áreas musicais da ditas. Veremos se, sonicamente, há bandas inovadoras como há no Japão.

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