domingo, 27 de setembro de 2009

27 de Setembro de 2009

27 de Setembro de 2009 (21:20): Dia de eleições em Portugal… mais adiante falo disso. Foi bom o início da semana, embora os dias de módulo III – no IFT – e módulo VI, às terças e quintas, sejam sempre aqueles que me preocupam mais e para os quais tenho de me dotar de concentração extra. Na quarta-feira de manhã, aquando da minha ida ao Ou Mún, estava a pensar numa série de coisas – é o que dizem as minhas notas desse dia –, entre as quais o conjunto de chá – chaleira e 5 pequenos copos de barro – que tinha comprado na Out to Box, loja de artigos em segunda mão que fica em frente ao IPOR, quando saí do trabalho na 3ª feira à noite. A rapariga que normalmente lá está pertence a um grupo de teatro e é dançarina… acho eu: também não sei o nome dela. O comprei o CD do grupo para depois ouvir.
Bom, na quarta-feira vi muitos Mercedes e pensei que há já algum tempo que via um crescente número desses carros na rua, em ‘concorrência’ com o grande número dos denominados SUV que, semelhantes a Deus, também estão em toda a parte. Na cidade com falta de lugares de estacionamento, o dinheiro está nas mãos de uns poucos, o que confirma o sucesso da globalização – será que vai mudar? Depois, passei pelos sumos e fui preparar o almoço e trabalhar em casa um pouco, em grande medida para fazer tempo para que me fossem entregar as compras. Depois de me terem deixado as compras em casa, almocei e fui para o IPOR. Até à hora das aulas começarem, marquei uma reunião para 6ª feira às 15h00 e soube que teria de compensar, por causa do tufão, uma aula – não dada – de módulo III no IFT. Naturalmente, como essa turma está agora a meu cargo… É por estas e por outras que o meu contentamento nunca é muito grande quando se trata dos ‘benefícios’ dos tufões: mais uma assunto por resolver. Vai-se resolver, é claro. As aulas não correram mal, mas os ‘mistérios’ técnicos das máquinas – i.e., incompetência técnica dos utilizadores – são um obstáculo ao normal funcionamento das aulas. Nesse dia foram-no. Há sempre uma altura em que penso atirar aquilo contra a parede, mas isso é consequência de se estar exposto a vinte e tal pessoas e se quer dar matéria e se quer ser bem sucedido. A segunda aula correu melhor. Tento ter o máximo cuidado para não me escapar nada – ter tudo sob controlo. A experiência tem tornado e tornará este trabalho menos problemático. Depois vim para casa e pus-me a pensar que tinha de começar a sair uns minutos mais cedo do trabalho – à hora estipulada – porque isso incomodava/ estava a incomodar outras pessoas. Comi qualquer coisa enquanto vi o “War on Democracy” do John Pilger, jornalista com muitos documentários feitos e conhecido por relativamente poucos, mas em todo o mundo. Ele ‘descobriu’ a colaboração dos EUA e da Grã-Bretanha com a Indonésia do general Suharto – obviamente nunca condenado: um Clinton nunca abandonaria o seu amigo – e o apoio daqueles dois à invasão de Timor-Leste.
Quinta-feira levantei-me cedo para dar as duas aulas no IFT. Correram bem; descobri que tenho de levar o resto das folhas de matéria para distribuir aos alunos. Almocei em casa e depois fui para o IPOR, onde foram tomadas as primeiras doses de cafeína, nicotina e alcatrão daquele dia. Às 18h00 começaram as duas aulas de módulo VI que terminariam às 22h30, a chegada ao cume da montanha. Tinha-os incumbido de inventarem uma notícia para treinarem o Futuro do Imperfeito e tenho andado a corrigir os textos deles um a um: mesmo os mais conseguidos levam os eu tempo. Em muitos dos casos, tenho estado a escrever-lhes as frases porque senão não saímos dali. É na produção oral e escrita – autónoma – e na compreensão oral que estão os problemas, logo é nessas áreas que é preciso despender mais tempo. A gramática e os exercícios para eles são mato, mas é sempre difícil fazerem-se caminhos quando se está sozinho ou não se tem experiência – olha a afirmação épica!
Sexta-feira foi dia de reunião dos professores de Módulo I. A dita serviu para trocarmos impressões acerca do que cada um está a fazer, que material é que cada um anda a utilizar e para marcarmos a data e definirmos o conteúdo do teste. Pediram-me ideias novas e eu dei as que tinha. Depois voltei ao meu trabalho e lá vieram as aulas de Módulo I, que terminaram um pouco antes das 21h00. Correram bem e, durante os próximos tempos, não haverá uma utilização do Powerpoint. Findas as aulas, fomos – seis dos suspeitos do costume – jantar ao restaurante tailandês e tanto a comida quanto a conversa souberam bem. O projectado café no Ou Mún foi substituído pela ida de cada um nós para a sua própria casa. Eu cheguei à minha e pus alguns mails em dia e por volta da meia-noite deitei-me.
Ontem acordei cedo e pus-me a caminho dos cafés do Ou Mún, depois dos quais voltei para casa para um curto período de trabalho, seguido do almoço seguido, por sua vez, da minha primeira aula de mandarim, entre as 15h00 e as 17h00. Foi boa, vai ser interessante aprender a falar a língua – escrever aquilo é muito difícil: para podermos ler um jornal precisamos de saber cerca de 3500 caracteres e para podermos ler poesia precisamos de saber cerca de 5000, se não me engano. No mandarim, cada caracter/ letra – não sei se o correcto não será chamar-lhe sílaba – é composta de uma parte inicial, uma final e do tom. Existem quatro tons: sem alteração do registo da voz; com subida do tom de voz; com uma ligeira descida, seguido de subida do tom de voz; e com descida do tom de voz. Depois da aula, vim até casa trabalhar mais um bocado e voltei a sair para um jantar no mexicano da Taipa – acho eu. Comi um burrito vegetariano, findo o qual eu e alguns dos suspeitos do costume voltámos para Macau em busca de uma bica, encontrada no Rooftop, um bar que fica no topo de um prédio. Estive À conversa durante um bom bocado e foi aí que soube, ou pelo Rogério ou pela Sandra, que lai perto havia um bar onde passavam jazz, blues e soul. Tomei nota do assunto e me breve tratarei de lá ir ver aquilo. A história da fundação do local é engraçada: dois tipos já velhos e reformados pegaram nas suas economias e compraram o espaço onde, além de passarem a música que referi, promovem, na cave, concertos e jam-sessions. Segundo me disseram, fecham cedo – cerca das 20h00.
Hoje levantei-me cedo e tomei o pequeno-almoço e trabalhei um pouco – pouco – antes de comprar a edição remasterizada do “Abbey Road” dos Beatles e ir almoçar a um restaurante onde já tinha almoçado três vezes e do qual não me lembrava quando, ontem à noite, a Paula me falou dele: na sexta-feira fui buscar o visto para a China – é apenas de seis meses por causa do fim da validade do BIR. Estava o IPOR e julguei que tinha deixado o passaporte em casa, quando, na verdade, estava no departamento onde tinha ido tratar do visto, pois era preciso ficar lá para o visto poder ser colado na passaporte. Foi-o na página 21. Como se as páginas anteriores estivessem carimbadas… Conclusão: não me lembrava. Não consigo perceber a razão do esquecimento. Adiante. Depois do almoço, vim para casa trabalhar mais e fazer exercício e jantar depois disso, vendo o “Democracy Now!” enquanto jantava.
A semana que agora começa será um pouco mais curta, pois os dias 1 e 2 de Outubro serão feriados: o primeiro é o Dia da República Popular da China – o 60º aniversário da sua implantação; o segundo é o dia – de descanso? – depois do anterior e faz parte da comemoração da ocasião. Falando em ocasos, hoje é dia de eleições em Portugal, mas parece-me reduzida a importância do facto. Das pessoas temos sempre saudades, da comida às vezes. Porém, quando falamos em ganhar dinheiro para o nosso sustento, é pouco o ânimo com que falamos do país – todo este plural é, obviamente, um singular. Tenho sorte em estar aqui e vou fazer tudo para a aproveitar. É tudo. Até depois.

domingo, 20 de setembro de 2009

20 de Setembro de 2009

20 de Setembro de 2009 (22:00): Na segunda-feira, as janelas estavam a tremer e eu estava a olhar para o monte da Guia, as flores em jarras de plástico da vizinha completamente deitadas. Na TDM surgiu um ‘Especial Tufão’ a dizer que os ventos, os quais às 5 da manhã estariam a 100 Km de Macau, estavam naquele momento a soprar a 75 km/ hora – no ‘olho do tufão’ sopravam a 120 Km/ hora. As aulas tinham sido interrompidas às 19h30, pois às 20h30 o sinal de tufão 8 ia ser ‘hasteado’ – os níveis de intensidade são 1, 3, 8 e 9; não tenho a certeza de que haja 10. De qualquer modo, a partir do nível 8 as pessoas são mandadas para casa pelas autoridades, via comunicação social, e é impossível não reparar – quer dizer, aparentemente eu consigo não me aperceber. Na BBC World News o Bin Laden tinha voltado e voltado a dizer que o presidente Obama não tinha poder e alguns dos autores do atentado falhado deste 9 ou 10 Setembro em Inglaterra foram condenados a prisão perpétua – o tribunal ordenou a prisão efectiva de pelo menos 40 anos. Foi uma condenação bastante célere e sem grande alarido mediático, o que me causa estranheza, pois parece-me improvável que pudessem perder uma oportunidade para falar dos perigos do terrorismo e do como eles espreitam cada esquina e de como os pesadelos têm medo deles. As aulas tinham começado e, apesar do nervosismo prévio de sempre, tinham corrido bem. No exterior, a chuva tinha-se juntado ao vento e um carro dos bombeiros tinha aparecido para uma missão qualquer. Em Hollywood Este – penso que não ‘válido’ para o resto do mundo – o dia 10 de Setembro foi declarado Dia de Ozzy Osbourne. O Ozzy vai editar uma autobiografia em Outubro.
As semanas de trabalho não têm muita coisa a preenchê-las a não ser o trabalho e a preocupação do bom desempenho do mesmo. Também há o andar de cima em obras com os berbequins e maços a entrarem em acção pouco depois das 9 da manhã. São os dias que começam cedo e acabam tarde e muito trabalho para as aulas – ao computador – que, em parte, conto que acabe depressa. Ontem houve o almoço do IPOR, que faz 20 anos de existência. Há ali três pessoas – nenhuma delas professor ou professora – que trabalham desde que a instituição existe. Como disse um colega meu, seria bonito que tantos anos de serviço fossem recompensados com um aumento – permanente, claro – do período de férias. O almoço foi bastante agradável, mas cerca das 15h00 acabou e fui até ao Ou Mún, onde acabaria por ficar combinado, por iniciativa da Cátia, um sushi no casino City of Dreams, uma forma de ‘despedida’ do trabalho do irmão da Cátia – o David. Estaríamos na paragem do Leal Senado às 20h00. Depois de sair do Ou Mún, fui comprar um jogo de toalhas e fui até casa adiantar trabalho. Cheguei 5 minutos atrasados e acabámos por apanhar um táxi. Era um buffet sem limitações à comida, a 108 patacas por pessoas – um pouco menos de 10 euros. A comida não estava má e repeti. Acabado a refeição, fui/ fomos ver o espectáculo 3-D com quedas de água que faziam desenhos. A história gira – também – à volta da luta de dragões contra um peixe pequeno que é o Imperador de Jade, o qual, perto do fim, se transforma num dragão maior do que os outros todos. Estou a contar a história de uma forma muito imperfeita, mas foi um espectáculo agradável de ver e que estava bem feito. Depois voltámos para a cidade e fomos até casa da Paula e do Pedro onde, entre outras coisas, vimos um bocado do “Em busca do Cálice Sagrado” dos Monty Python. Passado um bocado, eu e a Cátia saímos e eu, chegado à minha casa, ainda estive a acabar trabalho.
Hoje acordei tarde e, depois dos cafés no Ou Mún, fiz compras e voltei para casa e trabalhei mais um pouco. Voltei a sair e fui fazer ‘compras grandes’ – que serão entregues na quarta-feira. Chegado a casa, fui fazer exercício e depois fui jantar. Esta próxima semana vai ter como dias duros terças e quintas-feiras. Tudo correrá bem.

domingo, 13 de setembro de 2009

13 de Setembro de 2009

13 de Setembro de 2009 (17h30): O fim-de-semana está quase no fim e avizinha-se mais uma semana e intensa. A primeira semana de aulas foi-o, pois foram muitos os aspectos novos. As aulas no IFT – Instituto de Formação Turística – não correram mito mal, embora a turma da manhã de quarta-feira não tenha percebido muito da aula. Vou ter de ser mais claro e bastante sintético, tanto no inglês quanto naquilo que escrever no quadro. Vou precisar de estar mais focado e concentração. As viagens de autocarro para lá são curtas e a viagem de volta fica numa paragem relativamente próxima de casa. As salas estão equipadas com todos os dispositivos áudio e vídeo necessários para uma aula, com a marcação de presenças e os sumários a serem feitos no computador in loco, tendo a familiarização com o modo de funcionamento da parafernália levado o seu tempo, pois tive de vencer o habitual nervoso miudinho. Na sexta-feira a simpática senhora da secretária mandou-me um mail a informar que quinta-feira às 16h30 vai haver uma formação para ensinar a trabalhar com s equipamentos. Não sei se foi um proforma ou uma chamada de atenção; seja como for, não vou poder estar presente e, de qualquer modo, se houver problemas, basta falar comigo pessoalmente.
Foram-me instalar a Net a casa e aquilo logo no primeiro dia parecia não querer funcionar, até que depois de um par de dias a maldizer a minha sorte, ‘descobri’ que tinha de ligar-me à CTM – tenho de o fazer sempre – e escrever o código de acesso para poder aceder à Net. Nada de anormal: durante muito tempo a linguagem na qual estava a minha página de gmail era o catalão e eu achava que aquilo era assim mesmo.
As aulas no IPOR não correram mal, mesmo as das de duas horas e um quarto do Módulo 6. o problema é levar material suficiente – e suficientemente interessante – para a aula, pois 135 minutos demoram um pouco a passar. São aulas para as quais tenho de estar ainda mais preparado do que o costume, para poder responder às dúvidas que me sejam colocadas, além de evitar ser apanhado com as calças na mão. Basicamente, preciso de experiência e de levar material que afaste a sua baixa tolerância às actividades que não incluam jogos ou diálogos. Tudo isso leva tempo e nesta altura ainda estou a preparar tabelas, quer para a avaliação, quer para o registo de presenças nas aulas. Isto e as aulas propriamente ditas não deixam tempo para outras actividades, além das de comer e dormir; há dias que chegam a ter 14 horas entre o começo da primeira aula e o fim da última. Depois da chegada a casa, vou comer qualquer coisa e ponho-me a avaliar o conteúdo informativo da BBC World News, que é baixo. Tenho praticamente a certeza de que poucos serão os noticiários que não obedeçam a um certo formato de apresentação. Quanto ao conteúdo, as notícias oscilam entre micro-telenovelas da vida de pessoas com 115 anos e campanhas de relações públicas.
A recente tentativa de fazer explodir aviões por parte de árabes fanáticos ingleses ligados aos talibã e à Al-Qaeda – pelos vistos, Setembro é um mês propício a quedas e colisões, sejam elas de sistemas financeiros ou de aviões – trouxe especialistas à televisão inglesa e houve um que eles eram pessoas que odiavam os ingleses e queriam destruí-los. Não há noticiário que não os apresente como um bando de selvagens ou cães raivosos, mas quem vai aos países terroristas do Médio Oriente recolhe impressões opostas; bom, eles têm medo dos políticos ocidentais, mas isso até eu consigo sentir. No Afeganistão, as fraudes eleitorais a favor do actual presidente não serão suficientes para uma repetição das eleições… que os americanos não aceitam por, nas palavras desse velho abutre de nome Richard Hoolbrooks, isso favorecer os talibãs e a Al-Qaeda. A saga colonial continua. Aparentemente, a produção de ópio para este ano sofreu um decréscimo de 10%. A Coreia do Norte continua a ‘afrontar’ o Ocidente, mas vale a pena ler um artigo de Michael Parenti acerca da ‘sanidade’ da decisão norte-coreana em ter armas nucleares. Os jornais deram conta de propostas, do lado dos do EUA, de novas conversações: a verdade é que os governos norte-americanos nunca ordenaram a invasão de países com armas nucleares e não aceitam que outros os tenham. Reservam-se a si próprios esse direito.
A semana que vem promete mudanças pois, devido a uma reorganização de horários causada por pedidos de curso ao IPOR, vou deixar de dar aulas de Módulo 1 no IFT para passar a dar aulas a Módulo 3. Mais trabalho… por outro lado, sendo as aulas às terças e quintas das 9h00 e 12h00, ganho o tempo das viagens. A médio/ longo prazo é melhor para mim, pois começo a familiarizar-me com a dinâmica da apresentação das matérias e de gestão das aulas naquele nível. Saberei como correram as aulas quando, no fim do ano, receber a avaliação feita pelos alunos. Sexta-feira a semana de trabalho terminou com um jantar num restaurante tailandês cujo nome me escapa – a comida era boa – e ontem a manhã começou com os cafés no Ou Mun, depois de uma noite mal dormida e de pesadelos e do pequeno-almoço ao som e ao andamento do maço proveniente da casa em obras do vizinho de cima.
Depois das compras de roupa e comida, passei pela Out to Box, uma pequena loja de artigos em segunda mão, onde já tinha visto um conjunto de chá em barro – cinco copos e um bule – por 120 patacas e que tinha gostado – ainda lá está e acho que o vou comprar. Ontem estive um quarto de hora a falar com a rapariga com quem tinha falado brevemente da primeira vez, assim como com a sua amiga japonesa – de nome Niki, salvo erro. A da loja disse que se lembrava de mim. Estivemos a trocar impressões várias, como a da loja me fazer lembrar “Out to lunch”, um disco de Eric Dolphy. Quando ela me pediu o mail para envio de notícias da actividade da loja, deixe-lhe a informação supra na ficha que ela me tinha dado para preencher. Nesse ficha incluí o meu nome em português e em cantonês e ela achou graça o meu nome/ apelido em cantonês ser ‘professor’, pois eu desempenhava essa profissão. Pus-me a pensar se a tradução coincidia com a minha actividade ou se aquilo se tratava de uma alcunha… Comprei um porta-chaves que era um mocho – ou uma coruja, não sei bem – e disse-lhe que achava curioso escolher uma ave nocturna, mas não sabia o que isso queria dizer e ela disse-me que eu devia/ que ia dar-lhe um significado.
Depois de ficar na rede de contactos da Niki, vim para casa e o resto do tempo foi passado a almoçar e a tratar de coisas pela Net. A noite foi passada num jantar de aniversário e foi tempo bem passado. Depois, alguns de nós fomos a casa da Cátia e vimos o “Melhor é Impossível” com uma muito boa interpretação do Jack Nicholson e um argumento eficaz que o ajudou a brilhar. Ainda vimos parte do “The Schindlers List”, mas cada um dos presentes acabou por vir para casa. A caminho da minha, cerca das 4 da manhã na Pedro Nolasco da Silva, as portas das instalações do jornal Tribuna de Macau estavam abertas e pessoas, tanto no interior do edifício quanto no passeio exterior, atarefavam-se na preparação dos jornais para depois serem distribuídos. Hoje depois das compras e dos cafés do Ou Mun – a Paula e o Pedro entretanto apareceram – fui com eles ao supermercado Bemvindo fazer mais compras. Fica perto e posso pedir para me entregarem as compras em casa.




Hoje falta-me fazer a minha sessão de exercícios, jantar e preparar, material e psicologicamente as aulas de amanhã, além de uma noite bem dormida. Até depois.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

8 de Setembro de 2009

7 de Setembro de 2009 (23:16) – Esta entrada diz respeito a acontecimentos do dia 6. Gracias.
6 de Setembro de 2009 – “É segunda-feira/ Dia de aulas…” diz a voz da cantilena na minha cabeça. Estou menos nervoso porque, pelo menos para o Português I, estou familiarizado com a forma como tenho de dar a matéria. Falta preparar o Português VI no IPOR, que nunca dei. Depois há o problema da gestão da aula e da matéria, para o qual ainda não tenho a experiência necessária para dar de forma adequada – eu não sei bem qual a medida do ‘adequado’, mas ponho-me a pensar que não é a minha. Amanhã talvez saiba mais sobre o assunto.
Ontem a noite começou às 20h00, com o – de lotação esgotada, como seria de esperar – concerto da Mariza no CCM – Centro Cultural de Macau – e, além de ter gostado de o ouvir, gostei também de o ver. Foi uma experiência interessante a vários níveis; a forma como o espectáculo decorreu está feita para conquistar sem apelo nem agravo. Aquilo é uma máquina demolidora: o alinhamento, os solos, a apresentação dos temas, os diálogos com o público, os momentos de intimismo, o episódio do regresso às raízes no encore e a apoteose final são, para mim, prova disso. Sem que o gozo e a emoção de estar no palco sejam minimamente falsas, mas há momentos que são maximizados para melhor agarrar o público. Ali o rigor é palavra de ordem. Falar da excelência vocal da Mariza é um truísmo: com ela, a voz é m instrumento que ela domina e que responde sempre, sejam quais forem as ordens que lhe sejam dadas. Mas ela é apenas a primeira entre iguais: os outros músicos – instrumentistas ‘acústicos’ – são também da mesma cepa e são essenciais para o sucesso do concerto. O baixista pertencia à banda presente em programas do Herman José. Para mim, ele é o ‘maestro’ da banda que acompanha a Mariza, pois, para além de elemento da secção rítmica, era ele também quem marcava, com a sua acção, os arranjos dos temas em palco – é o elemento mais velho e tem larguíssima experiência. Qualquer dos outros guitarristas – guitarra portuguesa e viola – também são excelentes executantes, mas o meu outro destaque vai para o percussionista/ baterista, um monstro rítmico que fez um solo impressionante, embora eu tivesse gostado mais da sua acção enquanto elemento do conjunto. O diálogo de Mariza como público foi frequente e feito de uma forma familiar e natural, algo que ajudou a ‘encolher’ a sala. Para acabar, destaco o agradecimento – e as palmas por ela pedida – aos técnicos dos diversos saberes, aqueles que, como ela referiu “são os primeiros a chegarem e os últimos a saírem”: são esquecidos quando tudo corre bem e, por vezes, fáceis bodes expiatórios quando não correm. 
Depois disso veio o jantar e vieram as conversas e, por fim, o regresso a casa, o repouso precedido do jogo de futebol Dinamarca – Portugal, que não vi até ao fim. Hoje o dia começou tarde e só saí para os cafés perto da uma da tarde. O resto do tempo foi passado em compras de artigos para a casa, o almoço, a preparação do jantar e o jantar. Amanhã vêm cá instalar a Net em casa. Até depois.

domingo, 6 de setembro de 2009

7 de Setembro de 2009 - número atrasado

5 de Setembro de 2009 (12:51) – Pois é, acabou-se o que era doce: segunda-feira às nove da manhã os níveis de nervosismo vão estar altos quando for para o IFT – Instituto de Formação Turística – e for dar conta dos critérios de avaliação em Powerpoint, o sumário e as faltas a serem inseridas num lugar digital e por aí fora. Conversa de velho. Daqui a dois meses vou continuar a não gostar da ideia, burocracia num espaço não-físico dependente de máquinas é um tipo de indeterminação que se adequa pouco ao meu gosto, mas lá diz a canção: “We’re mentally ill/ But not quite dead yet”.
A reunião de quarta-feira, continuação da do dia anterior, permitiu estabelecer com mais clareza pontos que tinham ficado em suspenso. Terminada a reunião, todos os que iam dar aulas no IFT juntaram-se para distribuir tarefas respeitantes à preparação dos materiais. Passado um bocado, saí do IPOR e fui ver de panelas nas lojas de uma das paralelas ao Leal Senado, tendo depois seguido para o supermercado Royal lá para onde a Paula mora. Antes de entrar, reparei que só tinha 220 patacas e desejei que fosse o suficiente, mas a memória que guardava do preço não me permitia acalentar grandes esperanças. E assim sucedeu: faltavam-me duas patacas, o cartão multibanco que eu tinha não era aceite ali e não havia uma caixa de levantamento a uma distância razoável. Tinha HK dollars em moedas e achei que ali aceitariam, que é o que acontece em certos locais. Cheguei à caixa e dei-lhe as patacas e uma moeda de cinco Hong Kongs e ela começou a falar comigo de um modo que me parecer querer dizer que havia um problema com aquela moeda. A verdade é que ela aceitou a moeda e deu-me três patacas de troco, que era tudo quanto queria. Depois de uns minutos de conversa com a Cátia e a Bárbara no caminho de regresso, fui à loja da CTM – Companhia de Telecomunicações de Macau S.A.R.L. – para pedir que me instalassem a Internet em casa. Cerca de 10-15 minutos depois estava despachado e com a instalação do equipamento marcada para segunda-feira entre as 11h00 e as 13h00. Este é dos momentos em que não tenho saudades de Portugal. Daí fui até à Daiso, loja de uma cadeia de lojas supostamente japonesa parecida com o AKI, constituída por quatro andares subtérreos e comprei sete pratos, um escorredor de loiça em madeira e uma colher de pau. Daí fui até ao Royal comprar comida e utensílios para a casa, onde cheguei finalmente e onde, passado um bocado, pude jantar.
Depois de ver um bocado de televisão – sei lá, nem uma hora – fui-me deitar e acordei na quinta-feira com o objectivo de ir para o IPOR e trabalhar, o que foi cumprido. Estive lá cerca de três horas e meia e fui até ao BNU tratar de assuntos bancários prementes, tendo daí passado para a compra de música: o duplo CD de Beirute “March of the Zapotec/ Realpeople Holland” – um tipo de nome Zach Condon é quem está por trás disto – e “Hymn to the immortal wind” dos Mono, tendo deixado encomendado o álbum de 2008 dos Carsick Cars e para aquisição posterior um disco que dizia na capa “Mininoise Hong Kong 2008” – será uma compilação? Depois vim para casa com o objectivo de fazer a sessão de exercício, o que não foi fácil, pois tinha vontade de ir dormir. Deve ter a ver com o início das aulas no IFT e o medo de um desconhecido feito de exigências que passo o tempo a imaginar que não domino. Errar e não ser bem sucedido não é coisa má, não se dê o caso disso implicar outros, quer a palavra de quem me contactou, quer a palavra de quem me contratou para o trabalho. Tenciono dar por bem empregue tanto a disponibilidade e o afecto, quanto o dinheiro e a aposta feita. Levei a sessão por diante: mentalizei-me o suficiente e os Slayer fizeram o resto – a partir de 2 de Novembro vou ter mais material disponível. Depois veio o jantar a ver o BBC World News, aqui e ali semelhante à SIC Notícias, a começar pelo logótipo e a acabar nas notícias debitadas de forma ‘imparcial’ e sem explicações adequadas, facto comum à maioria das televisões. Faltam as razões que expliquem a abordagem. Depois fui preparar material para apresentar no dia seguinte.
Ontem o dia começou no IPOR às 10h00 com a correcção dos testes de colocação de pessoas que se candidataram a aulas. A correcção não foi demorada, embora houvesse situações-limite relativamente à colocação num nível mais alto ou mais baixo, tendo sido decidido que em quatro delas teria de se recorrer a um teste oral. Acabadas essas correcções, chegou a vez da do meu trabalho, a qual continuou depois de almoço e terminou por volta das 16h00. Daí em diante, foi preparar segunda-feira, preparação interrompida às 18h00 com as orais, findas as quais fui acabar o que tinha para acabar. Saí do IPOR às 19h00 e fui comprar águas naturais e um sumo natural. Chegado a casa, jantei frente ao BBC World News e foi interessante observar a forma como a informação é transmitida. A reportagem que eu vi chamava-se “The New Wild West” e tratava do tráfico de droga que decorria ao longo da fronteira entre o México e os EUA, principalmente entre El Paso e Juarez – não sei se é assim o nome da localidade mexicana. Mostraram, entre outras coisas, os americanos a patrulharem as ‘Badlands’ para, dizia a reportagem, protegerem o seu país. Talvez não fosse má ideia qualquer dos lados procurar pelos responsáveis nas hierarquias governamentais – a título de exemplo, a DEA, a CIA, o FBI –, pois elas têm sido instrumentais em manter os EUA os maiores consumidores de drogas ilegais – e legais? – do mundo. A voz off disse duas ou três vezes que, mau grado os esforços do governo norte-americano e dos seus aliados, ainda não foi possível acabar com a actividade dos cartéis mexicanos. Ficamos a saber quem são os bárbaros…


Várias vezes anunciaram uma outra reportagem de transmissão futura, cujo tema será o estado de recuperação do mundo um ano depois de ela ter atingido a banca norte-americana – foram estes os termos em que foi enunciada a reportagem a transmitir. ‘Atingido’? O que foi que a atingiu, um raio vindo dos céus? E quem foi o responsável, Deus ou – a mesma entidade noutra língua e cultura – Alá? A crise, começada por pessoas que trabalham em bancos e outras instituições financeiras, é uma espécie de guerra na qual os economicamente desfavorecidos sofrem as baixas, enquanto os mais favorecidos pela posição que ocupavam – com a preciosa ajuda dos seus amigos políticos – sofreram bem pouco, quer financeiramente, quer judicialmente: os gestores de algumas das instituições que mais contribuíram para a crise receberam indemnizações acima dos 40 milhões de dólares, chegando num caso a, salvo erro, 112 milhões. E isto é de certeza só a superfície, mas é quanto é preciso para uma imagem suficiente da situação: é repugnante, por maior que tenha sido a legalidade e que tudo tenha decorrido. Não esqueço esta e outras situações semelhantes, é o mínimo que posso fazer. Hoje, só depois de regressado dos cafés da manhã, me dei conta de que tinha deixado a minha pen no IPOR… da qual necessito para apresentar a avaliação. Não será um acto falhado, mas a causa talvez seja fácil de explicar, já é a segunda vez. Logo à noite a Mariza vai actuar aqui no Centro Cultural de Macau. Veremos como decorre o espectáculo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

2 de Setembro de 2009



2 de Setembro de 2009 (11:45) – Ontem foi dia de regresso ao trabalho e, além do recibo de vencimento, recebi o livro “A urbanização e a arquitectura dos portugueses em Macau” de Pedro Dias. Sábado à noite, a Paula e o Pedro chegaram. Depois do jantar, fomos fazer uma massagem ao pés, a qual, como de costume, foi retemperadora. O meu dia de Domingo foi um de voltas à volta da casa, com compras e almoço e jantar. Segunda-feira foi dia de cafés no Caravela, seguidos de mais compras para a casa, nomeadamente um ferro de engomar, um rádio-leitor de CDs e copos com fins diversos. À sessão de exercícios que se lhes seguiram, seguiu-se o jantar e a primeira noite dormida na minha casa. Ontem, chegado ao IPOR, comecei a pensar em materiais para o ano lectivo que se avizinha, feito de turmas de níveis diferentes e com necessidades específicas. Vai ser algo que só mesmo com ajuda vou conseguir fazer. Hoje vai haver outra reunião às 15h00. Encaixar professores nos horários e tramado, pois, neste momento, há aulas quer nas instalações do IPOR – fim de tarde/ noite – quer nas instituições que requisitem a formação em Português dada pela instituição onde trabalho. Para já, parece certo que vá ficar com duas turmas no IFT – Institute For Tourism Studies –, uma das 09h00 às 10h20 e outra das 14h00 às 15h20, ambas às segundas e quartas. Pouco se sabe quanto ao resto. Terminada a reunião cerca das 18h00, fui buscar os meus sumos a casa da Paula e passei o resto do tempo às compras, sem ter conseguido trazer o escorredor da loiça e uma panela pequena. Cheguei a casa, pousei as coisas e acabei por ir jantar fora de casa com amigos. Depois fomos até ao Ou Mun para o café e, saídos do café, cada um para seu lado. Cheguei a casa às 22h50 e pus-me a passar canais televisivos a ver o que havia de interessante, mas o sono acabou por se impor e acordei hoje perto das 09h30. Agora estou no IPOR, pronto para o almoço, pronto para a reunião e pronto para a guerra que começa segunda-feira.