domingo, 15 de novembro de 2009

15 de Novembro de 2009

15 de Novembro de 2009 (00:42) - Na boca fundem-se os ditos/ E precipitam-se as frases;/ Da língua fogem os tons/ E contra os dentes se afoitam." - Kalevala.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

12 de Novembro de 2009

12 de Novembro de 2009 (01:00) – Vulcões na Amadora? Pois é, o Rogério mostrou-me uma fotografia de um vulcão legendada “Amadora, Portugal”. É a prova do quanto desconhecemos o nosso país. A quarta-feira da semana passada foi um dia sem grandes sobressaltos, mas pouco produtivo. Quinta-feira o dia começou, como habitualmente no IFT. Antes das aulas da noite ainda houve uma reunião, que teve como objectivo a apresentação da nova coordenadora de língua portuguesa no IPOR. Depois lá vieram as aulas: não correram mal. Infelizmente, eles são fracos. Eles têm dificuldades em escrever mesmo perguntas simples. Faltam mais três até ao teste que ainda. Vou ver quantos exercícios consigo fazer que eles façam. Vai ser outro momento de avaliação. Quando saia da aula, uma das senhoras de limpeza estava a cantar uma canção qualquer. A reverberação da sala estava a aumentar a tristeza ou da própria canção ou da interpretação da senhora. Já houve outros ‘momentos musicais’ tão evocadores quanto estes, tais como de alguém a treinar saxofone às 11 da manhã de um sábado – ia eu a caminho do Ou Mún para os cafés – ou até quando nesse dia, passei por uma escola no Tap Seac e havia vários instrumentos a serem tocados – devia estar a decorrer uma aula.

Na sexta-feira, na pude acordar muito tarde porque tive de ir repor a segunda das duas aulas em falta no IFT. Correu bem; tenho de levar mais exercícios para eles treinarem o Presente do Indicativo e Pretérito Perfeito e os graus comparativos dos adjectivos. Já tenho mais trabalho; como não tinha mais nada que fazer… Antes das aulas, continuei com a preparação de materiais e depois vieram as aulas com uma revisão dos adjectivos e uma breve descrição dos animais. Findas as aulas, eu, a Cátia, a Paula e o Pedro fomos conversar e jantar ao Boa Mesa. Às 23h00 foi cada uma para seu canto.

Sábado foi feito das idas ao Ou Mún para cafés, uma ida à Pin-to – as compras consistiram em mais um CD dos Carsick Cars e o “Halo” dos Current 93 – e uma ida à YSIS para constatar que muito provavelmente terei de mandar vir de Hong Kong o “World Painted Blood” dos Slayer – o vizinho de cima ainda não terminou as obras. À noite, eu, a Paula e o Pedro fomos, pela primeira vez, ao Aruna’s Maharaya Indian Restaurant, um restaurante ao lado do restaurante mexicano onde já todos fomos muitas vezes. De cada vez que lá íamos, dizíamos que um dia viríamos ao indiano e, de facto, esse dia acabou por chegou. Estivemos no indiano um bocado e depois fomos ao restaurante onde trabalha o David – irmão da Cátia – para comermos uma mousse de chocolate, uma das especialidades da casa. A noite terminou com o visionamento de um filme de ficção – neste momento o nome escapa-me – que parte da história das rádios-piratas inglesas nos anos 60. Faz relembrar o que podia ser – há algum tempo que já não é – verdadeira paixão pela rádio; a verdadeira paixão pela música que os radialistas passavam e o inconformismo de sorriso na cara contra os poderes instituídos. As coisas mudaram muitíssimo daí para cá: hoje são instrumentos ao serviço da visão dos poderes instituídos – genialmente disfarçados?

Domingo foi dia de jantar no tailandês e de segunda até hoje quase tudo girou à volta das aulas, à excepção do jantar na quarta-feira com a Cátia e de uma longa e boa conversa com a Cátia. Para a semana que vem, começam os testes e ainda mais trabalho. Uma interrupção lectiva mais prolongada vinha mesmo a calhar, mas isso é coisa que vai ter de esperar até Dezembro. A vida vai correndo com notícias de teor diverso. O remate é antigo: problemas/ questões para as quais o único remédio é a resposta – solução. Voltei a escrever notícias políticas: uma recolha de coisas dadas no Democracy Now! e de outras fontes. Está tudo no endereço: aartedetersemprerazao.blogspot.com. Até depois.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

4 de Novembro de 2009

04 de Novembro de 2009 (01:00) – Por motivos de saúde de um dos elementos do grupo, acabou por não haver ida à China. Fica para outra vez; não faltarão oportunidades. Sexta-feira foi dia de aula de reposição no IFT das 13h00 às 14h20 – poucos compareceram – e de aulas de módulo I. Correram bem. Houve uma aluna de módulo I que disse que não tinha percebido o vocabulário e que não percebia o que estava ali a fazer. Era natural que ela não percebesse, pois faltou às aulas em que ele foi dado. No fim da aula, disse-lhe que na da semana seguinte eu punha-a a par. Acabada a aula, eu, a Cátia e o Rogério fomos até às ‘muralhas’ ver Buraka Som Sistema e foi um momento bem passado. Faz sentido dançar ao som da música deles e assim fiz; só não consigo ir na conversa dos incitamentos vindos do palco, venha de quem vier. A avaliar pela música nova que tocaram, o kuduro vai ser cada vez mais diluído em favor de outros elementos. Tendo em conta que era esse o tipo de música do qual partiam para outras misturas e não o inverso, vai haver uma mudança de público. Não é necessariamente mau, mas, mudando de paradigma, algumas das pessoas que os ouvem desde o princípio vão deixar de o fazer. O jantar foi no tailandês e depois cada um de nós foi para casa.

No sábado, acordei cedo, deitei-me e passei pelas brasas e depois lá me levantei, tendo tomado o pequeno-almoço antes de sair de casa. O pão da manhã foi mastigado ao som do Ozzy Osbourne em Salt Lake City em 1984 – inchado do álcool e das drogas – a promover o “Bark at the Moon”. É visível o quanto ele gosta de estar em cima do palco. O Jake E. Lee – guitarrista que entrara para substituir o Randy Rhodes – e o Bob Daisley – baixista – parecem distraídos com o público, o que me pareceu um contraste com a postura do Ozzy, que salta, corre e incita a multidão com um entusiasmo que não tem como causa maior aquilo que ele ingere. Cada vejo que o vejo em concerto, vejo simultaneamente um velho e uma criança. No concerto há um homem vestido com uma armadura, que lhe traz um tabuleiro com copos de plástico e canecas. O palco está ao fundo de uma escadaria no cimo do qual estão o baterista e o teclista e ao fundo da qual estão duas ‘estátuas’ de morcegos de asas abertas. Depois fui até ao Ou Mún e li umas páginas de Dostoievski e bebi cafés. Fui às compras e trouxe uma máquina fotográfica das mais em conta e depois fui comprar o “China Underground”, um livro escrito por um tipo americano novo – tem duas bandas, uma delas os Octagon – sobre as pessoas na China que não querem ou não conseguem integrar-se na nova China, capitalista. Depois fui para casa, almocei, acabei de ver o Ozzy e voltei a sair para mais compras. Documentei a ida e a volta com a máquina; ficaram então por comprar auscultadores com intercomunicador, uma varinha mágica, uma máquina de aquecer água – para poder ter com que fazer chás ou cafés – e um candeeiro de mesa. Depois de ter comido mais qualquer coisa, voltei a sair e fui até ao supermercado Benvindo para tratar das compras mensais, as quais seriam entregues na 2ª feira entre as 14h00 e as 16h00. Voltei a casa e estive a fazer encomendas de música à Amoeba Record Store, a qual tem discos em 2ª mão. A baixa do dólar e a relativa falta de opções em Macau tornaram a poção apelativa. O cansaço tratou de me forçar a ir dormir, deixado de lado a noite de Halloween. O do ano passado foi passado num concerto de Moonspell.

No domingo acordei às 9 horas, depois de uma noite bem dormida. Tomei o pequeno-almoço tendo por banda sonora e visual Mastodon, Lamb of God e Slayer na tournée “Preaching to the perverted”. De seguida, fui beber os cafés ao sítio do costume e o resto do dia foi passado entre a ida a casa para reabastecimento alimentar e tentativas de tratar de assuntos pendentes, quase todas bem sucedidas, nomeadamente a aquisição de um candeeiro de mesa, de uma cafeteira eléctrica, de uma varinha mágica e de uns headphones com intercomunicador – agora só falta fazer comida, fazer chá e convidar as pessoas para cá virem. O trabalho andou pouco, pois a falta de concentração era muita.

Fui cedo para a cama – cerca da meia-noite – e às 7 da manhã de 2ª feira já estava acordado. Fui tratando de tomar banho e de tomar o pequeno-almoço ao ritmo das imagens de um documentário feito pela alemã Cláudia Heuermann sobre o John Zorn, com o título “A Bookshelf on top of the sky”. Difícil de descrever: o melhor que sei é de que se trata de uma espécie de entrevista filmada, ilustrando a vida e a vida das obras de John Zorn com filmagens de concertos e/ ou ensaios. Estive no computador a trabalhar um pouco antes de ir até ao Caravela beber os cafés. Depois a ansiedade fez-me ficar um bocado maldisposto – enfim, a sensação foi a de um prenúncio de queda de tensão –, mas lá fui até ao Royal fazer compras sem, no entanto, trazer as extensões de ficha tripla de que precisava – não havia. Cheguei a casa um pouco – pouco – tonto, mas lá fiz o almoço e a coisa melhorou um pouco.

Pelo leitor de CDs, além do bastante bom “Everything” do Henry Rollins com Charles Gale e Rashied Ali, passaram os White e os Mininoise. Os primeiros são um duo de chineses de Pequim que gravaram em Berlim, com produção de Blixa Bargeld. A música é um industrial com uma pitada de electrónica, tudo bem misturado – mistura pouco crua, se a compararmos com a dos álbuns iniciais dos Einsturzende Neubauten. Bom; logo, sem arrependimentos. Os Mininoise de “Hong Kong 2008” é um objecto estranho de guitarras de vário tipo, bateria/ percussões, violino e acordeão podem ser algo como pertencendo a um filão que resulta da mistura de Lambchop, Cowboy Junkies e Yan Tiersen. Tudo cantado em chinês. Depois arrumei as minhas compras e estive a tratar de fazer compras e estive a tratar de fazer compras na Net e a tratar de estabelecer o Paypal – demora uns dias a estabelecer uma conta, por causa de um código que é preciso. O pessoal da Amoeba já deve andar um bocado irritado comigo, mas paciência, é quanto posso fazer. De pois fui e conversar e jantar com a Paula, o Pedro e a Cátia. Depois fomos beber café, após o qual foi cada um para seu lado.

Hoje – 3ª feira – acordei para as minhas aulas no IFT, as quais correram sem acidentes de percurso. De volta a casa, almocei e antes de ir para o IPOR, passei pelos correios para levantar o que viria a ser a minha encomenda Henry Rollins, a qual incluía, além de discos, uma cópia assinada do seu último livro. As aulas do módulo VI correram sem grandes ansiedades, mas foram penosas. Eles são fracos, nem sempre conseguem acertar em coisas muito simples. Depois cheguei a casa e jantei e aqui estou. Espero dentro dos próximos dias poder disponibilizar fotografias. Até depois.