sexta-feira, 8 de abril de 2011

9 de Abril de 2011

Budas de Luamprabang, Laos
Esplanada, Luamprabang, Laos
No Mekong, Luamprabang, Laos


Em Hanói, Vietname

Lago Ho Tay, Hanói
Templo em Luamprabang, Laos
Cátia, Rogério e Sandra no Laos
9.Abril.2011 (01:02): coisa engraçada, a forma como o tempo passa: lembra-me o que disse uma escritora italiana de cujo nome não me lembro e que dizia que a felicidade não era assunto para a escrita, pois era uma algo que era para ser vivido. Estava a pensar nisto por saber que há muito que não dou conta das minhas aventuras na terra do lótus dourado.
Ia voltar atrás, a Janeiro, ao meu dia de anos, uma quinta-feira, em que não fiz festa. As prendas foram boas e foram de pessoas de quem gosto muito. Recebi um boné, umas coisas do Tolkien – um título editado postumamente por um filho dele e um conjunto de cinco volumes que retratam a história da Terra Média, um Nokia E5 – um aparelho moderno que eu e a Cátia tínhamos visto num cartaz em Banguecoque... e a Cátia lembrou-se – e, finalmente, um gira-discos. Quem o ofereceu foi uma senhora de uns grandes olhos verdes e de um sorriso ainda maior e mais franco. Foi muito amor de alguém ao lado de quem acordo e ao lado de quem me deito e com quem passo a maior parte dos meus sorrisos e dos meus outros estados de espírito. Confesso que, quando recebi o prato das mãos da Cátia fiquei um pouco perplexo. Foi bastante inesperado. Nunca tinha tido um que fosse mesmo meu; havia muito tempo que não pegava num vinil para o pôr a trabalhar. Agora ia passar a poder fazê-lo.
Acabaria por fazer a festa de anos no sábado, num restaurante tailandês com mais ou menos uma vintena de amigos. Depois da janta, fomos ao Roadhouse, um bar aqui em Macau que tem música ao vivo e que, fora isso, aposta no rock e no blues. O ambiente daquelas paredes de tijolo a imitar o antigo, decorado com fotografias várias. Não me dizem nada as motas, mas as do Jimi Hendrix, do Stevie Ray Vaughan, do Chuck Berry e do Lemmy dizem-me bastante. É o local nocturno onde melhor me sinto. Quando lá chegámos, estava o Zico – um músico que mora em Macau – e a banda dele – residente no Roadhouse à sexta-feira – a tocarem. Eles acabaram por acabar e nós continuámos lá mais um bocado até que nos viemos embora. Foi um bom sábado rodeado de amigos. Faltou a manifestação física dos amigos de Portugal, mas não foram esquecidos.
Mais festas, almoços e jantares houve depois disso. Também depois disso, a 28 de Fevereiro, começaram as aulas dos segundo semestre. Desta vezos módulos que me calharam foram o sexto e o quarto, este uma novidade ao qual estou a adaptar-me relativamente bem, apesar de, às vezes, me pôr a pensar como é que vou ensinar certas matérias. Enfim, há decisões que se vão tomando no momento. Olhando com atenção para os textos e pensando um pouco sobre eles consigo sempre chegar a uma solução, embora nem sempre ache que o consiga fazer da melhor forma.
As últimas duas semanas forma marcadas por duas idas a Hong Kong e pela preparação para o Dia Aberto no IPOR. Há duas semanas, eu, a Cátia, a Paula e o Pedro fomos ver a companhia de dança da Pina Bausch, a apresentar uma peça originalmente de 1982 de nome Carnation – eu lembrava-me de ver o cartaz da senhora de cabelo curto liso e louro, roupa interior – camisa e cuecas – branca de sapatos de salto alto pretos com um acordeão ao peito. Vimos a peça, a qual tinha mais teatro do que propriamente dança. Eu gostei muito, ainda que me tivessem escapado muito dos conceitos que estavam por detrás das coisas. Dentro do grupo dos que estiveram presentes, as opiniões divergiram: houve quem não tivesse gostado, houve quem tivesse gostado menos. Findo o espectáculo, fomos ter com umas amigas, ao mesmo tempo que íamos pensando onde é que iríamos jantar. Resolvemos esperar por elas num bar irlandês próximo do hotel onde elas estavam. Elas lá acabaram por aparecer e, passados uns minutos, o nosso local de espera temporário passou a local para jantarmos. Depois do jantar, fomos a Long Kwai Fong, uma concorrida zona de bares onde toda a gente está apinhada na rua a ouvir em simultâneo música alta proveniente dos vários bares. A cacofonia reina... Desta vez, achámos que estava pior do em ocasiões anteriores e, por isso, ficamos lá pouco tempo. Não me lembro se estávamos cansados ou se era tudo aquilo que nos roubava as forças – leia-se paciência. A verdade é que voltamos para Macau relativamente cedo.
Este sábado, o último do mês de Março, foi um dia cheio e que começou com o Dia Aberto, algo para o qual todos os professores que trabalhavam para o IPOR – residentes e não – se tinham andado a preparar durante as cerca de duas semanas anteriores. Eu preparei uns cartazes, nos quais os alunos do módulo 4 falavam, usando o Pretérito Imperfeito, de actividades do quotidiano no passado, enquanto que com os alunos do módulo 6 preparei uma ´peça de teatro´ em que eles puderam entrar todos. Pus-lhe o nome “À espera de professor” e é uma história de alunos que esperam por um professor que nunca chegará, pois virá a ter uma intoxicação alimentar. O filme foi gravado, editado e misturado no portátil. Ficou caseiro, vale o que vale. O sábado de manhã foi atarefado, com os últimos preparativos a roubar-me a hora de almoço. Acabaria por não aparecer muita gente na minha sala – nem sequer distribuí t-shirts, pois eles já as tinham `apanhado` no andar de baixo. Houve alguns – poucos – alunas minhas que por lá apareceram, mas pouco mais. Também por lá passaram uns miúdos aos quais mostrei Carlos Paredes, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Clã, Dead Combo, A Naifa e Ena Pá 2000. Às 17h10, fomo-nos embora e, antes de ir para Hong Kong, fui a casa comer qualquer coisa – comi sushi que a Cátia me tinha trazido.
Desta vez, o objectivo da nossa ida a Hong Kong era vermos um concerto da Ute Lemper com o sexteto Astor Piazolla. Chegámos ao terminal e os bilhetes para o nosso porto habitual em Hong Kong estavam esgotados – era por causa de uma competição qualquer de râguebi que atrai muita gente, não me lembro do nome. Tivemos de apanhar um jetfoil de uma outra companhia, o qual nos levaria a Kowloon – uma área de Hong Kong – onde rapidamente passámos a alfandega. Chegámos ao centro cultural antes das 20h00, fumámos um cigarro e, quando entrámos na sala, já o concerto tinha começado. Esperámos que a música acabasse e só então nos deixaram ocupar os nossos lugares. O concerto foi muito bom: todos os músicos em palco eram excelentes e a persona de palco da Ute Lemper estava muito bem composta. Entre canções, por vezes contava pequenas histórias. Tal como com Pina Bausch, as opiniões divergiram. A principal queixa foi em relação ao som da voz da Ute Lemper, que tinha excessiva reverberação. Eu, na altura, não percebi logo sentido das queixas, pois os instrumentos pareciam estar bem misturados, não parecia graves em excesso. O som parecia seco... e isso contrastava com o da voz. Depois achei que podia ser da posição em que estávamos, que nesse ponto da sala se ouviria daquela maneira. Enfim...
Fomos jantar e depois eu e a Cátia fomos ao Lang Kwai Fong ter com a Bárbara e o Andrea, um casal de amigos nossos. Ela é brasileira e ele é italiano e são muito boa onda. Desta vez, o Lang Kwai Fong estava apinhado para alem daquilo que eu podia imaginar. A custo, furámos pelo meio da multidão e lá chegámos ao nosso ponto de encontro, um bar na Hollywood Road, que é onde – sabê-lo-ia depois – os italianos se encontram. Estivemos todos em frente ao dito bar um bocado e depois fomos a uma discoteca, o Drops. Mais um sítio cheio de gente e com a música alta – devo dizer que o prémio “Local Com Música Ensurdecedora” vai direitinho para o D2, uma discoteca de Macau. Estivemos no Drops uma meia hora, após a qual saímos para o espaço em frente à discoteca, um local com poucas pessoas. Fumámos um par de cigarros, conversámos e depois separámo-nos e foi cada um para seu lado, com a promessa de nos encontrarmos em Macau. Chegaríamos a Macau às 5h15, deixando para trás uma noite bem divertida. No domingo, acordámos às 18h30 e, depois da primeira refeição do dia, eu e a Cátia fomos tratar dos nossos assuntos. Fomos depois jantar a um restaurante japonês com a Paula, o Pedro e o David – o irmão da Cátia. Finda a refeição, fomos ao Pacific Coffee beber um café e continuar a conversa. Depois, viemos para casa.
Esta semana, as aulas continuam e continuarão até ao fim da semana, como tudo, de resto. Tudo continua e tudo muda: tudo? Sim, por mais pequena que seja a mudança. Nem sempre tanto como esperamos, raramente como a imaginamos. Macau está a ser uma terra boa para mim. Veremos o que acontece amanhã. Até depois.