sábado, 29 de agosto de 2009

29 de Agosto de 2009

29 de Agosto de 2009 (16:38) – John Pilger, jornalista australiano, é um tipo muito interessante. Um amigo já me tinha falado dele, mas como sou um bocado destravado da cabeça, o nome passou-me e agora venho a ‘descobri-lo’. O costume... Bom, ele em 1993 foi a Timor-Leste dar conta das atrocidades perpetradas pela Indonésia governada pelo presidente Suharto e descobriu que elas eram levadas a cabo com a colaboração dos EUA, Grã-Bretanha e Austrália – faz pensar: é difícil pensar que o governo português não sabia. Pertencendo à NATO e sendo aliado dos atrás citados, só tinha era de estar calado. Já fez umas dezenas de documentários e/ou filmes e já publicou livros. A quantidade de trabalho produzido prova que é possível fazer muito com as condições mínimas: ele não faz tudo sozinho, mas é o motor… e ele ainda faz conferências e não apenas aquando de lançamento das suas obras. Estado do mundo? Basta ver e ouvir o vídeo “Freedom Next Time”, datado pelo menos de 2007. Ainda Barack Obama não era presidente dos EUA. A morada é http://pilger.carlton.com.

Ontem à noite, aproveitando o movimento de rotação do planeta, fui levar a mala com roupa para a casa – só faltam aqui meia dúzia de coisas sem grande peso. Claro que cheguei à casa a suar abundantemente, mas isso aqui é bandeira verde na praia a dizer que podemos ir à água. Depois passei pela loja do iraniano e trouxe dois falafel para o jantar – ainda hoje não sei o nome daquilo, mas já sei que ‘Halal’ é ‘aquilo que é permitido’, comida ou outra coisa qualquer; o ‘não permitido’ é ‘Haram’. É um sítio simpático porque as pessoas que lá trabalham também o são. O espaço em si é muito simples e é constituído por uma parte de balcão/ cozinha – à esquerda quando se entra – e tem ao comprimento uma tábua com a largura suficiente para pôr um prato do lado direito quando se entra. Do lado esquerdo, além de uma máquina de frio com bebidas – a minha memória visual diz-me que é um frigorífico –, o resto do espaço público é uma espécie de sala de jantar para os familiares – da família ou não – e que é constituída por uma mesa rectangular, de um dos lados um par de bancos e do outro um maple de napa, encostado à parede e de frente para a entrada. No maple estava um velhote jovial com uns grandes óculos de massa e de costas para a porta estava um outro um pouco mais novo, salvo erro um dos donos. Quando – eram 21h00 – fui deixar a mala à casa, o velhote dos óculos deu-me um panfleto com o qual me tentava ‘chamar’ para entrar no estabelecimento. Ele terá visto a mala de viagem e foi dizendo que ficaria para outra altura. Eu disse-lhe que ia voltar e levar qualquer coisa – antes de sair, já tinha decidido que seria esse o meu jantar. Lá voltei e lá trouxe os falafel. Fui sempre – quase familiarmente – saudado, quer à entrada quer à saída.

Hoje fui aos cafés e ao sumo natural, o pequeno-almoço na companhia da “Espinaza del Diablo/The Devil’s Backbone” do Guilherme Del Toro. Gostei do filme – acabei-o ao almoço: o sobrenatural é tratado de uma forma natural. Não é feito para assustar e não é pré-anunciado com uma fanfarra de acordes menores ou diminutos. Há certos filmes de terror que me fazem lembrar os filmes pornográficos, no sentido em que, no argumento, a história é uma espécie de efeito colateral. Tenho de ver se os extras valem a pena. Neste momento, tenho de sair para mostrar a casa à Eva, a senhora que trata da casa à Paula. Tenho de ir também às compras, mas o calor no exterior traz-me à memória os oleados. Até já.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

28 de Agosto de 2009

28 de Agosto de 2009 (16:57) – Antes de ontem à noite foi uma noite interessante, pois enquanto estava no corredor do andar – por ser aberto, funciona como uma varanda – e virado para o lado do Grande Lisboa e Banco da China, um homem e uma mulher estavam – não sei se na rua ou não – aos gritos. Não os conseguia ver, mas a cena transportou-me imediatamente para Portugal, Lisboa ou qualquer dos seus subúrbios. Nos primeiros tempos da minha estadia aqui, uma rua ou um edifício ou edifícios tinha esse efeito, e era intensa a experiência: tudo era novidade, era normal.

Em princípio, hoje mudo-me para a nova casa, pelo menos dentro do possível. Já o deveria ter feito, mas não me apetecia ir. Não sei se é da falta de familiaridade inicial ou se da falta de pessoas. A familiaridade é sempre uma ajuda, eu não lido muito bem com a falta dela. Muito tempo sem dar aulas fez voltar a ansiedade e mudar de casa é ter de voltar a organizar tudo e fazer certas compras, enquanto outros objectivos se mantêm, como o envio de dinheiro. Ainda faltam coisas, mas pelo menos já está limpa, limpeza essa iniciada ontem, tendo começado pelas janelas, loiças e prateleiras. Depois foi o almoço e o visionamento de “Blue Velvet” do David Lynch, seguido de trabalho ao computador com o “Inimigos” – as mudanças de fala das personagens e os itálicos das instruções consomem tempo, um tempo que aumenta coma minha lentidão a escrever à maquina – se fosse nas mecânicas de outrora, estava tramado. Interrompi o trabalho para passar à minha sessão de exercícios, tendo o jantar no Estabelecimento de Comidas Wai Chi Kei sido um prato bem servido de Fried Vermicelli, noodles fritos picantes – com ovos mexidos, pimentos, etc; tipo ‘roupa velha’ – cujo preço foi de 38 patacas, acompanhado de chá quente – oferta da casa. Depois vim para casa e acabei de passar o “Inimigos”. Finalmente. Menos um problema, mais um objectivo atingido.

Depois fui-me deitar, mas custou-me adormecer e então dei inicio à leitura do “Uma Conjura De Saltimbancos” do Albert Cossery, editado pela Antígona. Para trás ficou o “A Preferred Blur” do Henry Rollins, que se seguiu ao “Elegia Para Um Americano” da Siri Hustvedt e do qual gostei bastante. O livro do Rollins, uma espécie de diário imbuído de um espírito de relatório de ocorrências, interessou-me bastante. Muito importante a questão da concentração e da focalização em algo que tenhamos estabelecido como objectivo. É um dos métodos – enfim, é trabalhar – que ele diz utilizar muitas vezes para se distrair de si próprio e de, para si mesmo, se ver como estando a fazer alguma coisa. Por alguma razão, isto soa-me estranhamente familiar. Enfim…

Hoje, depois dos cafés no Ou Mun, acabei a limpeza da casa com a lavagem do chão. Fiz umas compras e voltei aqui para almoçar e falei com a senhora que faz as limpezas aqui e o combinado foi ela – de nome Eva – ligar-me amanhã à tarde. Ao almoço, acabei com o “Blue Velvet”. Gostei, acho que tem semelhanças narrativas com “A Straight Story”, embora seja estranho o facto quase imperceptível de haver dois Franks na mesma fotografia, um deles disfarçado de bigode: estranheza, mas não muita. Esta entrada tem tido a companhia musical de “Rock Dream” de Boris w/ Merzbow – intensidade excelente, como seria de esperar – e “Arabesque” de Jane Birkin – ouvi-o a primeira vez há uns atrás a caminho de Madrid e gostei imediatamente dele. Até breve.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

25 de Agosto de 2009

25 de Agosto de 2009 (19:29) – Vou agora, após longo e aturado trabalho, revelar os resultados da minha investigação à volta da cena musical desta zona do globo. Investigação informal, donde darei conta das impressões do que vi. No final, deixarei as moradas de algumas das fontes que utilizei, porque é impossível dar minimamente conta de tudo. O que eu percebi foi que a China – Mongólia incluída – é o sítio de onde saem mais bandas ou artistas em nome individual. Também a Indonésia, a Tailândia, Hong Kong e Macau, mas em menor número e menos interessantes. A exclusão do Japão foi intencional, pois a cena musical deles é vasta, fértil e bem conhecida; simplesmente achei que deveria prestar atenção a países. Aqui vão então os resultados:

WildchildSão de Macau e existem desde 2002. Banda pop juvenil, cantam em cantonês – a etiqueta é ‘Cantopop’ – e são bem sucedidos. Misturam pop, hip-hop, rock e tocam baladas numa guitarra acústica ou ao piano. Percebe-se que tudo quanto gira à volta deles é produzido com bastante cuidado. O seu último álbum chama-se “People are People” (2009) … Está tudo dito.

RubberbandSão 100% de Hong Kong. A Vodpod.com põem-nos debaixo da etiqueta do ‘indie-rock’. Assinaram pela Gold Typhoon, uma editora importante. São outra banda com produção cuidada a todos os níveis. Rock normalmente ligeiro e bastante apelativo: o indie é o de tipo soporífero, com cheirinho a anos 60. Cantam bem, mas não me alegram.

Dear JaneSe não me engano, são de Macau e praticam um pop rock moderno que me parece convencional. É coisa para ser repetidamente passada na rádio. A Wikipédia põe-nos sob a etiqueta ‘pop-punk’, embora eu ache que eles se pareçam com a banda dos Morangos Com Açúcar – eram os Excesso?

Queen Sea Big SharkSão de Beijing – Pequim – e existem desde 2007. Andei à procura de uma forma adequada para os descrever e não fui muito bem sucedido: rock simples, dançável e com algo que me era familiar. A referência aos ESG e à cena de Nova Iorque e aos Gang of Four são razoáveis, no que toca a dar uma ideia ao que é o som deles. Referências como Le Tigre, Rádio 4 ou The Yeah Yeah Yeah são-me estranhas, pois conheço pouco deste tipo de bandas do século XXI. Seja como for, gosto da onda deles e soam bem. É quase certo que vou comprar o CD recente deles. A morada é wwwcn.myspace.cn/queenseabigshark.

Tizzy BacSão de Taiwan e formaram-se em 1999. Praticam uma pop simples, sem guitarra eléctrica, com teclado normalmente com som de piano. Seria um avanço a rádio com mais bandas destas. A morada é www.tizzybac.com.

Saint LocoSão de Jacarta, Indonésia e existem desde 2006. Cantam em inglês e praticam rap-metal sem espinhas. Não gosto, mas parece cantado com mais convicção do que Linkin Park ou Limp Bizkit – não sei como se escreve –, parecem-me mais honestos na sua postura de pose sem impostura.

Ling YiÉ um pouco complicado falar deles, mas começo por dizer que são da Mongólia e surgiram em 2005. Voodoo KungFu e Zerone são outros dos nomes sob os quais a banda aparece referida em sítios vários. O mentor é um tipo que tem passado a estudar as culturas pagãs da região e a incorporá-la na música. Tocam um heavy metal – as variantes mais pesadas ou agressivas – que inclui throat singing e um violoncelo mongol, o Horsehead Cello. Tocaram no Wacken Open Air em 2008. Se visse um CD deles, arriscava e comprava-o.

HurdSe não me engano, o nome significa ‘velocidade’ em mongol. Os Hurd são da Mongólia interior e tocam heavy metal tradicional, com baladas – de protesto também – que contêm referências à sua cultura, temática que atravessa toda a sua música. Não surpreendentemente, já tiveram letras censuradas pelo governo chinês. A morada deles é: www.hurdrockgroup.com.

Evil ThornTambém aparecem sob a forma ‘Evilthorn’. O grupo nasceu em Beijing no ano de 2001. Praticam um black metal melódico que é bastante épico. Ao vivo, o som deles é agradavelmente mais agressivo. Sem me parecerem especialmente inovadores, soam bem dentro do estilo. A morada é www.evilthorn.com.

HyonbludFormados em 2005 em Beijing. A música que eles praticam é sobretudo death metal técnico, tendo um álbum e várias participações em compilações. Não soam mal, mas eu não sou grande apreciador de death metal. A morada é www.myspace.com/hyonblud.

YaksaO nome deles provem de ‘Yaksha’, espíritos da natureza de dupla natureza – normalmente benévolos – presentes nas mitologias do budismo, hinduísmo e jainismo. São de Beijing, mas foram formados em Sichuan – os membros originais são daqui originários – em 1995. Com o ocasional cheiro a Fear Factory, oscilam entre um nu-metal pesado e o metalcore. Têm interesse. A morada deles é www.myspace.com/yaksaband.

BlademarkSão de Macau. Não consegui saber em que ano se formaram. Cantam em cantonês. Dentro do Cantometal, tocam nu-metal.

CactusSão de formação recente. Tocam um pop-rock relativamente convencional. No vídeo que vi, o som deles trouxe-me À memória os Táxi e os Salada de Frutas com a Lena d’Água.

Forget the GExistem desde 2006 e são de Macau. Tocam um rock convencional com partes acústicas e teclados. A produção é cuidada.

L.A.V.Y.Existem desde inícios de 2007 e são de Macau. O rock que tocam é ligeiro e tem uns pozinhos de funk. Cantam em inglês. Os músicos que tocam na banda são bastante experientes.

O.T.O. (Once Teen Ones) – Formados no Verão de 2004. O rock ligeiro deles, tocado por instrumentistas capazes, faz um ou outro desvio pelo reggae. O baterista deles é o vocalista principal da banda. Numa das canções que vi, era a baixista que cantava: o tema fez-me lembrar os Cranberries.

ScamperFormados em 2005, fundem pop, rock, metal e emocore. Às são apunkalhados, têm um som que me faz lembrar uma banda portuguesa cujo nome me escapa. Este ano forma banda de abertura para os Linkin Park aqui no Venetian, o maior casino do mundo. São muito ligeiros e agradáveis e certinhos.

WhyOceansExistem desde 2005 e são de Macau. Os temas na casa dos 8 minutos têm longas partes instrumentais, se é que não o são na totalidade. Praticam um rock que parece denotar influência inglesa, ao que por vezes se somar um certo peso ‘metálico’. A única forma de os descrever é uma mistura de Radiohead com Pelican ou Ísis. Talvez a banda mais interessante de Macau que eu até agora ouvi.

Pop ShuvitSão de Kuala Lumpur, na Malásia, e surgiram em 2004. O nome deles é proveniente de uma técnica de skate chamada pop shove-it. Praticam um rap-metal enérgico. Os temas deles são variados, nem sempre da fórmula Limp Bizkit. Há um ou outro tempo que foge um bocado ao estilo, houve ou um outro tema que, por causa da energia da vocalização me trouxe à memória os Suicidal Tendencies, embora seja possível serem os Infectious Grooves uma referência mais apropriada. Foram primeira parte da tournée asiática do My Chemical Romance. A morada é www.popshuvit.com.

Crying NutSão de Seul da Coreia do Sul. Existem pelo menos desde o ano 2000 e já têm quatro álbuns editados. São, essencialmente, uma banda new wave com mais tendência par o punk, mas que de vez em quando fazem coisas com acordeão ou fazem umas músicas ska. Cantam em coreano e não são imediata e gratuitamente melódicos. Ali reina a boa disposição e inventividade. A morada é www.cryingnut.kr.

Won FuSão de Taiwan. A pop que eles fazem é marcada pela melodia e pela boa disposição, com uma abordagem rock’n’roll ou rockabilly. O único elemento masculino da banda é o vocalista e guitarrista. Soam bem: vale a pena segui-los. Têm uma versão do Hey Jude, próxima do original. A morada é www.myspace.com/hellowonfu.

New PantsSão de Beijing e foram formados em 1996 e já têm quatro álbuns editados, além de participações em compilações. Tocam new wave com mistura de electro – com se diz agora – e são geralmente imprevisíveis. É um prazer ouvir a música e ver os vídeos. Nomes: Devo, Kraftwerk, Air, John Jellybean Benitez e Ramones. Têm temas como “Modern Sky” ou “Dragon Tiger Panacea”. Vão ser uma das minhas próximas compras. Têm uma versão de “The KKK took my baby away” dos Ramones. A morada é www.myspace.com/beijingnewpants.

SonnetSão da China – provavelmente de Xangai – e formaram-se em 2002. Tanto quanto sei, não cantam em inglês. Soam a rock independente britânico, isto do que me lembro de ver num vídeo que entretanto desapareceu. A morada é www.myspace.com/sonnetrockshangai.

Paul Wongé de Hong Kong e foi a grande figura dos Beyond, banda de rock progressivo onde esteve de 1985 a 2005. Depois disso prosseguiu uma carreira a solo e já lançou 6 álbuns. É acompanhado pelos Hann. É uma espécie de guitar-hero, mas é um pouco mais contido do que um Satriani e muito mais do que um Malmsteen. Há vídeo dele com ele a tocar o “Highway star” dos Deep Purple: o esforço é bom… A morada é www.paulwong.net.

Juicy Ningas minhas investigações deram como resultado serem os Juicy Ning uma boys band de Hong Kong.

Sammi & City in EmotionSão de Macau e tocaram no festival Hush! do ano passado.

I am David SparkleFormados em 2001 em Singapura como colectivo instrumental. Tocam uma pop electrónica, por vezes experimental e outras vezes tocam um rock cru e às vezes pesado, o que me traz à memória os Shellac ou uns Oxbow mais convencionais – como se isso fosse possível – embora haja quem cite Mogwai ou Explosions In The Sky. Já tocaram num festival/ concerto de nome “Death of the Vocalist”. O seu mais recente single chama-se “Nosferatu makes me nervous”. Também vão ser outra das minhas compras porque me parece que têm sentido de humor. A morada é www.myspace.com/iamdavidsparkle.

Carsick CarsSão de Beijing e formaram-se em 2005. Soam a bom rock independente dos anos 80 e 90 – new wave o não – e sem esquecer os Velvet Underground. Pedem-nos: “Enjoy our panda noise”. Outra compra potencial. A morada é www.myspace.com/carsickcars.

HedgehogSão três, são de Beijing e formaram-se em 2005. Cantam em inglês e em cantonês. Soam a Breeders, Ut, ou até a coisas da Dischord. Soam bem e não são destituídos de inventividade. A morada é www.myspace.cn/hedgehog.

Snaplinesão a banda paralela dos Carsick Cars. Aqui, a baterista desempenha o papel de guitarrista e o resultado é bom e inconvencional. Foram formados em 2006, têm um único álbum o qual, segundo as minhas notas, é de aquisição urgente. Não vou atirar com referências, vou só dar a morada, que é www.myspace.com/snapline.

Cold Fairylandsão uma banda de rock progressivo, com vocalista feminina, sintetizador e compassos de 13/8 e 7/8. São de Xangai e formaram-se me 2001. Tocam bem e têm ocasionais ambientes musicais góticos, os quais se cruzam com sons orientais. Mais perto dos Porcupine Tree do que de Dream Theater. A morada é www.coldfairyland.com.

Ego FallSão da Mongólia e são uma banda de metalcore que às vezes têm um death metal melódico à NWSDM, com elementos electrónicos do industrial e sintetizadores à moda do heavy metal com tendências mais épicos, aqui e ali com uma abordagem thrash metal. O throat singing e o ehru – conhecido no Ocidente como violino chinês – estão também presentes. Não cantam em inglês e têm apenas um álbum editado. Não soam nada mal: são uma banda a seguir com atenção. Não têm morada própria; a melhor hipótese é www.last.fm/music/ego+fall.

AvulsionSão novos e praticam death metal. A vocalista tem um urro que impõem respeito. De qualquer forma, os Avulsion têm muita música que escrever para depois deitar fora. Não consigo saber a morada deles.

Soma TNTAparentemente são de Beijing e sei que existem pelo menos desde 2007. Quando os ouço a sombra dos Testament da fase death metal paira no ar, à mistura com Fudge Tunnel e sampler. Podem vir a ser interessantes. A vocalista dos Soma TNT tem um urro ainda mais potente do que a dos Avulsion. A morada é www.myspace.cn/somatnt.

Frosty EveFormados em 2004 e provenientes de Beijing. A sua música é sempre classificada como sendo death metal melódico – não distante da NWSDM –, mas depois farto-me de ouvir melodias à Amorphis do início, guitarras de um heavy metal mais clássico e uma voz próxima da dos Cradle of Filth. Há solos de teclado e guitarra; são bastante apelativos. Têm potencial. Não cantam em inglês. Têm um álbum editado e da sua formação fazem parte um teclista e três guitarristas. A morada é www.myspace.cn/frostyevemusic.

LacerateExistem desde 1994 e são de Bancoque da Tailândia. Aparentemente, praticam brutal death metal e, a julgar pelas capas, isso não andará longe da verdade. Têm um par de split-cds e, salvo erro, um álbum. A morada é www.myspace.com/laceratekillyou.

Foi um trabalho difícil e no qual o grau de falibilidade é elevado. Nem lhe chamava um ‘trabalho’: talvez fosse mais correcto designá-lo ‘pequena nota introdutória’, mas foi feito com o costumeiro amor à camisola. Facto interessante de notar foi o de, apesar de muitos dos títulos serem em inglês, as músicas serem muitas das vezes cantadas na língua ou línguas da região. Acrescento as moradas onde é possível fazer consultas mais exaustivas e até saber a história da música popular de tipo ocidental na China, incluindo o jazz e o hip-hop. Aqui vão elas:

Rock in China – wiki.rockinchina.com. Spirit of Metal – www.spirit-of-metal.com.

Encyclopaedia Metallic – www.metal-archives.com.

Agradeço a atenção dispensada.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

24 de Agosto de 2009

25 de Agosto de 2009 (00:50) – A directora do Instituto de Artes de Hong Kong, em declarações ao South China Morning Post, disse que a arte não é um conceito democrático. O contexto é o de uma escultura pública que anda há anos para ser feita. Entre outras coisas, ela defende que não são as pessoas ou povo – ela diz ‘the people’, talvez em referência ao governo – que devem tratar da arte, mas sim os profissionais. Diz também que o governo precisa de ideias novas dos artistas. Foi com muito interesse que li isto, enquanto tomava café no “Caravela”, principalmente porque há algo de familiar nestas palavras. Ela não está a falar do processo de criação artística, até porque são muitas as formas e variados os tipos. Uma palavra: ‘Elite’.

Depois do almoço e de “The Godfather II”, continuei ao computador a editar a minha investigação sobre a música daqui. É um processo lento e requer muita muita paciência, especialmente se quero ser minimamente rigoroso. Interrompi isso para fazer exercício e jantar e começar a ver o “The Godfather III”. Depois disso continuei a passar a limpo o meu trabalho, ver se amanhã – hoje – o acabo.

domingo, 23 de agosto de 2009

23 de Agosto de 2009

23 de Agosto de 2009 (15:40) – Foram dois dias de certa forma interessantes e de algum modo produtivos. Sexta-feira a saída de casa começou com a ida ao Serviço de Identificação para ir buscar o BIR – de residente não-permanente –, o qual me foi dado 15 minutos depois de lá ter chegado, não sem antes recorrerem à minha impressão digital para confirmarem a minha identificação. Saí de lá com um envelope selado contendo uns códigos que me parecem ter a função de ser uma solução de recurso caso a máquina de impressões falhe ou caso o BIR seja preciso e o sítio requeira o código; em suma, não sei para que servem. Saí de lá em direcção ao Ou Mun para o primeiro café da manhã e de lá saí para ver ‘electrodomésticos’ áudio – havia um ou outro de que gostei, mas são apenas casos a considerar, pois falta a ida a Zuhai. Não me posso esquecer de tratar do visto.

Fui até ao jardim Lou Lim Ioc em Tap Siac, próxima da casa que arrendei, para ver aquilo. O jardim tem muitos sítios para as pessoas se sentarem, embora não seja muito grande – é um tudo nada mais pequeno que o Jardim da Estrela, em Lisboa. Tem um pavilhão aberto onde as pessoas jogar, conversar ou fazer Tai Chi. Eu acabei por ficar num sítio afastado do pavilhão, sentado a uma mesa de pedra num banco também de pedra – havia mais três bancos – onde estive um bocado a escrever. Eram talvez 13h00 e as árvores proporcionavam uma sombra agradável. É sítio para voltar a ir com frequência – a possível. Voltei ao centro e fui buscar um sumo natural feito de passionfruit – acho que é esse o nome da fruta de interior roxo. Fi-la seguir de um segundo café. O almoço foi acompanhado por uma estreia cinematográfica: “O Padrinho”, realizado por Francis Ford Coppola. Mais vale tarde que nunca. O pré e pós-jantar foi ao computador ou a passar a limpo o Inimigos ou À volta da minha investigação acerca da música que se faz por esta zona do globo, em especial a vinda da China continental. É uma investigação que dá muito trabalho e que fica sempre incompleta, mas dos resultados dessa investigação darei conta quando ela estiver terminada.

Ontem, depois dos cafés da manhã, fui até Hong Kong e desta vez a viagem foi menos atribulada, apesar de, à entrada em Hong Kong, o meu faro se ter voltado a revelar infalível, ao escolher uma fila da qual demorei um quarto de hora a sair. A saída de Macau foi rápida: já foi com o BIR e fazendo uso da minha impressão digital para fazer abrir as cancelas – desculpem, portas – de vidro. Pensei logo no Alex Jones: a visão orwelliana do “1984” parece estar a materializar-se, na medida em que quem detém o poder – os governos são apenas uma dessas entidades – detém os dados pessoais de toda a gente e estou certo de que isso vai – está a – ser, enquanto objectivo último, utilizado em nosso desfavor. A descrição das massas de ‘escravos obedientes’ é muito objectiva e quem a utiliza – utilizou ou utilizava – vê muito claramente; isso é normalmente difícil quando se está do lado de dentro, ainda por cima crente da existência da liberdade não coarctada – são muitos os rostos do Bem e do Mal.

Chegado a Hong Kong, fui buscar a minha sandes de salada de ovo, comendo-a enquanto observava os edifícios – não sei qual o número de andares que têm de ter para se lhes poder chamar ‘arranha-céus’. O passo seguinte foi apanhar o metro e ir até Causeway Bay em busca das discotecas que não tinha conseguido achar duas semanas antes. Desta vez, tomei o caminho indicado com saída A, um túnel que levou cerca de 10 minutos a percorrer. A sensação foi um pouco claustrofóbica – o número de pessoas em circulação ajudava à sensação –, mas a vinda à superfície deu-se no interior da Times Square, o centro comercial – um dos muitos: em comparação com Hong Kong, Lisboa parece uma remota aldeia do interior – repleto de pessoas no qual se situava a CD Warehouse. Estive na loja uns 20 minutos: tem música boa, mas limitada às últimas novidades e sempre de nomes consagrados e imorredoiros, sejam eles Clash, Johnny Cash, Metallica ou Bob Dylan; os preços não são altos.

O objectivo seguinte era o do achamento da White Noise Records, a qual encontrei depois de andar meia dúzia de minutos às voltas, com ela a 50 metros da Times Square. A loja fica num segundo andar de um prédio pequeno e velho na Canal Road (East), tendo a assinalá-la um letreiro – que tinha a iluminação interior desligada – cor-de-laranja com letras pretas, metro e meio ou assim acima das cabeças dos pedestres. À entrada do prédio estava uma senhora a vender bugigangas. Subi uns lances de escadas de madeira estreitos, com as paredes ocupadas com cartazes vários, embora com ar de fazerem menção a eventos culturais. Cheguei, finalmente, à entrada – veio-me à lembrança a Pin-to. No interior, foi a forte a memória da Ananana ainda na Travessa da Flor D’Água e foi grande o meu contentamento. A oferta de música era bastante grande: tinha rock contíguo ao heavy metal – Mono, Ísis, Explosions In The Sky –, tinha hip-hop – sobretudo dos tipos da Anticon –, reedições de coisas dos anos 60 e 70, jazz, dub, techno, experimental… enfim, para praticamente todos os gostos. Tinha pouco tempo e acabei por comprar White – um chinês que teve a ajuda do Blixa Bargeld dos Einsturzende Neubauten – e mais dois outros CDs de artistas chineses sugeridas pelo tipo que me atendeu. Foi ele que me disse que é da China que vem a maior parte das melhores propostas musicais, havendo relativamente pouca coisa de Hong Kong. Os Queen Sea Big Shark e os Carsick Cars ficam para a próxima. Tanta coisa lá: a reedição digipack de álbuns dos Can…

Qual puto, fiz o caminho de regresso a casa e às 17:30 já estava a apanhar o jetfoil de regresso a Macau, aonde cheguei sem enjoos ou outras confusões. Passadas as portas de vidro, fui até à zona de paragens de autocarros e apanhei o 12, tendo descido na Rua do Campo, uma das grandes artérias da cidade. Eram 19:08 e decidi que ia jantar ao Boa Mesa: estava cansado e com vontade de estar no meio de pessoas. Era cedo e fiz tempo indo ao Royal fazer umas compras. Entrei no Boa Mesa e sentei-me na mesa do lado direito junto à porta de entrada – da outra vez tinha sido do lado esquerdo. Lá veio um sumo de laranja natural – se bem que eu tivesse pedido um dos outros – a que se seguiu uma omeleta, uma mousse de chocolate e um café. A televisão ao longe mostrava imagens de políticos portugueses – Jerónimo de Sousa e José Sócrates – no noticiário da RTP: nada de novo no reino. Em casa, continuei ao computador e foi proveitoso o trabalho.

Hoje quero ver o que é que eu consigo acabar, se o Inimigos se a investigação. Provavelmente nenhuma das duas. Amanhã vai começar a mudança para a outra casa, isto é, vai ser tempo de limpeza primeiro, para só depois haver mudança. Vai ser comprar panelas, pratos, talheres. Termino esta missiva ao som dos Eagle Twin e dos regressados Accused, autores desse clássico que é o “Wrong side of the grave”. Amanhã há mais.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

20 de Agosto de 2009

20 de Agosto de 2009 (21:34) – Ontem foi de manhã, seguido de uma passagem pela agência para ir buscar original do contrato que o Calvin me tinha pedido para que a agência pudesse ficar com uma cópia. O colega dele deu-mo e, antes de eu me vir embora, ele viu o meu saco com pão e achou que aquilo era para o meu pequeno-almoço. Ele não sabia que eu já o tinha tomado, mas eu não pensei nisso. Tratei logo de ficar com a impressão de que ele teria a impressão de que eu – os portugueses – acordava tarde por causa da profissão, o que é parcialmente verdade. Foi um comentário… bom, se calhar é mais comum as pessoas aqui irem comprar pão do próprio dia para o pequeno-almoço. Enfim, uma das minhas reacções a destempo. Depois disso, foi trabalho ou lazer no computador, como almoço e o jantar na companhia de “There Will Be Blood”, realizado por Paul Thomas Anderson e com Daniel Day-Lewis no principal papel.

Hoje o despertar foi relativamente cedo, apesar de ontem à noite me ter custado a adormecer, mas, com mais ou menos horas dormidas, lá acabei por vir parar ao dia de hoje. Depois das compras fui ao Ou Mun para os meus cafés da manhã, ida marcada pela presença de uma mulher, talvez na casa dos 30, ruiva, com sardas, pele clara e interessantes olhos azuis – há mulheres chinesas bonitas, é claro: pele muito clara, olhos escuros e rasgados e cabelo preto liso ou ondulado. Uma ruiva é que é mais fora de comum, seja em que lugar do planeta for. Quando eu ia a sair, ela preparava-se para almoçar e tinha pedido uma Coca-Cola. Chegado a casa, dediquei-me a trabalhos vários no computador.

No dia a dia há sempre pormenores nos quais reparamos e sobre os quais reflectimos e que depois se nos varrem do pensamento, talvez por a memória de curta duração ter as suas próprias prioridades quantos aos dados a armazenar. Um desses ‘pormenores’ é o relativo ‘luxo’ da casa que arrendei, especialmente se tiver em conta os ordenados que aqui normalmente se praticam. Os remorsos duram sempre pouco porque se tenho o poder económico que me permite ter uma casa confortável, não vejo razão para prescindir disso. Quando a situação não o permite, vive-se numa menos confortável. Outro pormenor: o calor e a humidade afectam mais os europeus, mas mesmo os chineses sofrem com ele, pois é frequente ver as pessoas a suarem ou de lenço na mão a limparem o suor do rosto. Deste modo, o uso do guarda-chuva/ guarda-sol faz todo o sentido, mas é um gesto e um hábito demasiado estranho à cultura europeia/ portuguesa: por exemplo, dar e receber objectos com as duas mãos é algo ao qual é possível ir ao encontro de, funcionando com uma espécie de curso de especialização. Aqui, vejo menos chapéus ou bonés do que estava à espera. Vêm-se alguns chapéus cónicos, mas poucos; é como se contra à tradição rural destes se opusesse a tradição urbana dos guarda-sóis. Enfim, nada como a antropologia de bolso – ou será de pacotilha? – para chegar a conclusões rápidas e definitivas.

O almoço deu para acabar de ver o “There Will Be Blood” e para começar a ver o “The Last King of Scotland” com Forrest Whittaker no principal papel. Quanto ao primeiro, para além da excelente interpretação do Daniel Day-Lewis, há também a filmagem e o argumento, que também me agradaram muito. As cenas finais explicam o título do filme e ‘escrevem’ a moral da história: haverá sempre sangue intencionalmente vertido, quer no exercício do poder, quer na mudança de poder, sejam os fautores iluminados por Deus ou por uma verdade laica. O realizador pode não ter tido a intenção de fazer um filme ‘político’, mas não me parece tortuosa fazê-lo: o padre – fé, religião, regime antigo – é brutalmente assassinado pelo empresário de exploração petrolífera – dinheiro, laicidade, legalidade e nova era –, com o primeiro incapaz de perceber como morde o cão da nova era: um ‘miúdo’ de velhas crenças contra um homem de uma mundividência, em parte por ele criada. Duas frases: em fim de filme, o empresário a gritar «Eu é que sou a Terceira Revelação!!!» e, depois de matar o padre com um pino de bowling, responde ao criado que procura por ele com «I’m finished», que tanto se lê ‘acabei/ terminei’ com o meu problema com o padre, como ‘estou acabado’. É o aparecimento do velhos conceitos de macro e microcosmo e dos germes de auto-destruição que cada sistema encerra em si mesmo. Se calhar estou a esticar a corda, mas foi isto que o filme me sugeriu.

Depois do exercício físico, veio o jantar e a continuação do visionamento do filme. Amanhã vou levantar o meu BIR e assim no Sábado é mais rápida a ida para Hong Kong. O próximo passo é pedir o visto anual para a China de modo a poder ir a Zuhai. Tudo se está a compor.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

18 de Agosto de 2009

18 de Agosto de 2009 (21:00) – Ontem, foi com o mesmo tempo que saí à rua para, por ser segunda-feira, ir beber café ao “Caravela”. Depois voltei a casa para almoçar, enquanto continuava a ver “O Labirinto do Fauno”, realizado por Guilherme del Toro. Foi fácil gostar do imaginário. Era coisa que merecia ser explorada, especialmente ao nível do argumento – diz aqui o ‘entendido’. Situar o fantástico tendo como pano de fundo a Guerra Civil espanhola – um prenúncio da II Guerra Mundial – permitiu tecer comparações entre seres humanos e fantásticos, mas não só. Permitiu observar, nos humanos, a humanidade nos maus, a desumanidade dos bons e a dificuldade que têm em perdoarem.

Seguidamente, viajei um pouco on-line e vi um bocado de um documentário da BBC – são ‘sempre’ os mesmos – intitulado “The Power of Nightmares”, com três episódios de cerca de 55 minutos cada um. É bom, mas muito do que ali dizem já eu ouvi noutros documentários; de qualquer forma, vou ver se o vejo todo, até porque, sendo os pressupostos um pouco diferentes, pode ser que eu chegue a novas conclusões, mas nada que modifique o essencial… Depois da viagem, preparei o jantar e atirei-me à minha sessão de exercício físico. Depois do jantar, cerca das 20h30, fui até à Pin-to – tinha lá ido no Domingo, mas estava fechada – ver que música havia. Comprei 1926 – não sei se é título de obra se designação artística, só há caracteres chineses – e Forever Tarkovsky Club: o primeiro é piano e um ou outro trecho de música concreta – sortido de ruídos vários, vozes inclusive – e o segundo música urbana moderna com uma etiqueta a dizer ‘foul language’ com caracteres chineses em baixo. Se há linguagem obscena, vai-me passar ao lado.

Hoje foi um dia de muita gente no Ou Mun, com muitos portugueses, a contrastar com a rua cheia de chineses: é Agosto e as visitas guiadas aos locais históricos da cidade estão em alta. Antes da segunda ida ao café, tinha andado às voltas, tendo as minhas compras da manhã consistido num agrafador e numa caixa de agrafos. Almocei tarde, em parte porque o contrato só ia ser assinado às 16h00 na casa – por dificuldades de tempo, não o ia ser no escritório. Lá fui até à casa, lá assinei o contrato, lá entreguei as patacas que tinha de entregar e tudo ficou tratado. Nem sequer preciso de me preocupar com questões como a mudança de nome nas contas da água e da luz, pois não é preciso: fica no nome dela e eu cumpro com os pagamentos a partir de hoje. No regresso, comprei um sumo natural de cor roxa de uma fruta cujo nome desconheço, mas de excelente sabor.

Agora vou jantar e seguir vou continuar a passar para computador a peça de teatro “Inimigos”: originalmente “Class Enemies”, foi escrita por Nigel Williams, de nacionalidade inglesa, em 1977 ou 78, à volta da altura do punk. Retrata alunos numa escola suburbana, dominados pela miséria económica e emocional. Para a tal adaptação portuguesa, os Xutos & Pontapés escreveram o “Tu Aí”, tanto quanto sei, uma canção que o baterista Kalú cantava. Foi a Cristina, uma miúda que trabalhou comigo na Projecontrol – fazia unidades de alimentação e estabilizadores de corrente eléctrica essencialmente para computadores – que andava num grupo de teatro que uma readaptação da peça, que me arranjou o texto, do qual fiz fotocópias. O papel está em mau estado e acho que é boa ideia tê-la passada a computador também.

domingo, 16 de agosto de 2009

16 de Agosto de 2009

16 de Agosto de 2009 (10:34) – Estou no Ou Mun para o ritual do café, ao som do “Remar, remar” dos Xutos & Pontapés. Já ontem os estavam a passar também. Do “Circo de Feras” para trás, gosto de tudo; depois disso, nem por isso. Há canções em que parece que lhes falta ‘gana’; além disso, há letras que acho fracas, como se fossem escritas por adolescentes… de 13 anos. Mesmo a crítica social deles parece ser feita a partir de um certo conforto, deixou de ser radical. Ter-lhes sido dado o grau de comendador parece-me um sinal; por outro lado, não deixaram de ser genuínos. Dizem verdades, mas parece-me fraca a mordedura. Eles tornaram-se músicos de rock’n’roll muito bem sucedidos, com tudo o que isso implica. Alguém como o José Mário Branco tem muito menos contradições desse tipo, além de, nas suas canções, utilizar uma linguagem que, reflectindo as suas preocupações, está de acordo com a distância que tem dessas realidades: parece-me estranho os Xutos & Pontapés falarem do fim do mês e da falta de dinheiro da forma que eles o fazem, pois a linguagem dos que por conta de outrem vivem de ordenados baixos cantada pelo Tim soa a pastiche. Faltam os palavrões, a dureza ou desespero com que são ditos e um certo tipo de estrutura discursiva desses momentos. Hoje não andam a contar tostões, ainda que isso tenha sucedido há anos atrás. Os Metallica são outra história…

Entretanto, desligaram a música e eu acabei com a digressão à volta da música. Ontem foi um dia moderadamente cheio, iniciado com uma nova visita à casa que vira na semana passada. Desta vez, fiquei com uma noção mais adequada, tanto das dimensões da casa, quanto da sua luminosidade. Vi também armários e tanto os da cozinha quanto os do quarto são espaçosos; vi o sítio da varanda onde vou a roupa a secar e é suficiente. A casa parecia-me estranha, mas seria normal, pois não só não estava acostumado ao espaço dela, como também por então ainda não ser ‘minha’. Tudo quanto era electrodoméstico estava em ordem, assim como os ‘acessórios’ – por exemplo, as bilhas de gás. Quando saí de lá, disse ao Calvin que daria uma resposta na 2ª feira. Depois vim ao Ou Mun beber o café e fui às compras. De volta a casa, pus-me a ver correspondência e a tentar corrigir material antes do almoço constituído por sumo de manga, sopa de cenoura com feijão de soja e duas sandes de queijo.

Na televisão, acabei de ver os ‘extras’ do “Sicko” e proveitoso constatar o óbvio: nos Estados Unidos, mais do que entregues a si próprios, estão entregues aos bichos. Porém, o Michael Moore acaba por escrever direito, mas quase utilizando circunferências para o fazer: não é isento porque não fala das pessoas que esperam horas para serem atendidas ou meses para lhes ser feita uma intervenção cirúrgica, assim como não fez uma comparação entre pessoas com situações económicas semelhantes. Na Europa, onde estão a tentar vender às pessoas a beleza do sistema americano, uma pessoa não é abandonada pelos médicos por não terem dinheiro para tratamentos – sem os quais uma pessoa pode morrer. Não foi preciso o Michael Moore para saber que é bem sabido que os medicamentos nos EUA – já agora, há muito que há propostas de políticos para haver um sistema semelhante ao europeu – são várias vezes mais caros do que na maioria dos países do mundo. Também vemos as filmagens da sua viagem à Noruega: de facto, na maioria dos países do mundo as pessoas são ou tratadas como lixo ou não existem. Para os histéricos e lunáticos norte-americanos pagos a peso de ouro – políticos, apresentadores ou outros – algo como o sistema norueguês seria uma descida ao Inferno. O filme é populista e panfletário, mas a ganância criminosa de seguradoras de saúde e companhias farmacêuticas sai intacta. A falta de sustentabilidade do sistema de saúde pública é falácia: há sempre forma de se arranjar dinheiro, SEMPRE. Infelizmente, as pechas do filme tornam-no num alvo fácil para os ataques dos seus conterrâneos neo-medievais.

À tarde, continuei com a morosa correcção de material, mas fui interrompido com um telefonema do Calvin a dizer que a casa já tinha sido arrendada. “Tudo bem, procuro outra”, pensei eu. Meia hora depois telefona-me a dizer que o dono estava disposto a arrendar-me a casa por 4600 KD Dollars – 4745 MOP; isto é, patacas. Eu aceitei e fui até à agência tratar do contrato provisório e do pagamento, o equivalente a 4 meses de renda – 1 deles comissão da agência, 2 deles depósito e o outro o mês de renda adiantado. Entreguei 4745 patacas no momento; o restante seria entregue aquando da assinatura do contrato definitivo e essa altura teria tempo para limpar a casa e para transferir para lá os meus poucos pertences. Acabei por demorar uma hora na agência, até porque o contrato tinha de ser redigido em inglês e em mandarim. Depois de assinado lá voltei para casa e fiz o jantar, na companhia das imagens de “O Caçador” – “The Deer Hunter” –, realizado por Michael Cimino e com o Robert de Niro e a Merryl Streep, entre outros. Sendo sobre o Vietname, acho que é dos primeiros filmes a tratar criticamente essa guerra. Depois de teria trabalhado se tivesse tido força mental para isso, mas não tive. Mas não foi fácil adormecer, pois estava calor e eu não arrefeci o quarto o tempo suficiente, mas lá acabei por acordar hoje de manhã.

Depois da minha ida ao Ou Mun para 2 cafés, fui comprar t-shirts – meia dúzia por 200 patacas. Depois fui à YSIS – Yun Seng Ieng Si – para comprar um duplo CD –colectânea de 2006 da Universal – dos Rotary Connection. Fundados, salvo erro, por um dos filhos do dono da Chess Records, viviam da fusão de soul, funk e jazz. Já o tinha visto e a minha curiosidade levou-me a ouvi-lo na Internet. Gostei e, como era preço era amigo do ambiente, fui a loja comprá-lo. Fui à procura de calções, mas não havia. No caminho de regresso, encontrei o Sérgio e a Cristina estivemos a falar um bocado. É bom encontrar vizinhos que conheço, com quem tenho alguma relação e com quem falo acerca de certos factos ou assuntos por serem comuns ao meio social no qual nos cruzamos. Sabe bem. Ao almoço, continuei a ver “O Caçador” e depois comecei a tratar desta entrada, mas dois telefonemas do Calvin depois, a próxima 3ª feira transformou-se no dia em que vou assinar o contrato definitivo e pagar os restantes três meses. Tenho dinheiro que chegue, o que sobra dá até ao fim do mês, mas fico menos à vontade: chateia-me a pressa, mas o dono insistiu porque vai fazer uma viagem que o impede de estar cá no dia 28, que era para quando tinha sido marcada a assinatura. Por outro lado, o problema fica resolvido: trato já de limpeza, ele trata de arrumar – ou de levar de lá para fora – loiças e outras coisas avulsas e vou tratando da electricidade, da água e do gás. É assim.

O resto da noite vai ser jantar e ir até à Pin-to ver o que por lá há e, havendo depois vontade, corrigir mais qualquer coisa.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

14 de Agosto de 2009

14 de Agosto de 2009 (17:55) – Antes de ontem acabei de ver o filme à volta do John Lennon. É laudatório do seu papel e é talvez um filme feito para manter o seu estatuto de ícone da juventude, mas foi tempo bem gasto. Foi interessante ver a comparação entre George W. Bush e Richard Nixon. À excepção de um dos inquiridos – um alto funcionário da administração do segundo deles –, o qual permaneceu ‘neutro’, os restantes disseram que o primeiro dos presidentes foi muito mais longe quanto Às diversas formas de supressão das diversas liberdades. Gore Vidal, Noam Chomsky, Geraldo Rivera e Tariq Ali, entre outros, prestaram depoimentos de vária ordem, uns acerca dos seus encontros com Lennon, outros para falar de factos históricos da época tratados no filme.

As minhas pesquisas e viagens fazem-me muitas vezes parar na KCRW, onde o Henry Rollins faz um programa de duas horas de música, toda ela bastante boa. A KCRW é uma rádio pública no sentido em que não recebe doações nem exibe publicidade de multinacionais; vive do pouco dinheiro de um fundo público e, sobretudo, da subscrição dos ouvintes. São os apresentadores que escolhem convidados, além de só passarem a música por eles escolhida. O conceito é bom: a programação justifica o meu interesse. Estão a fazer um pedido de subscrição pública: 10 dólares por mês é quase nada… mas por enquanto não me sinto inclinado a aderir. Esta urgência de aderir aparece e desaparece, pois tem a ver com uma espécie de ‘síndroma de fã’: procura de pertença, talvez. A melhor opção é apoiar a Pin-to comprando-lhes coisas – um mês de subscrição é quase CD e meio de um artista desta área geográfica. Se houver uma rádio aqui – ou até em Portugal – que se regule por princípios de independência e que tenha qualidade informativa semelhantes aos da KCRW, apoio-os. Parece-me que faz mais sentido tentar arranjar uma forma de me ligar à comunidade local.

Ontem fui fazer compras e depois do habitual café, fui ver mails e vaguear um bocado pelo sítio da Southern Records. Uma das novidades era um artigo do Penis Rimbaud – baterista e co-fundador dos Crass – que girava à volta de discórdias despoletadas pela remasterização e nova reedição dos discos da banda. Nesse artigo também era referido o fecho da Southern Records, assim como as consequências desse fecho. Cheguei tarde aos Crass: foi em 1991 em Londres, depois de ter lido referência a eles num artigo acerca da segunda vaga do punk em Inglaterra, publicada na revista Spiral Scratch, também título de uma canção dos Buzzcocks, salvo erro. As honras de capa pertenceram aos Ramones – já não me lembro se num dos meus acessos de limpeza não a terei deitado fora. Os Crass não eram só uma banda de músicos, eram uma comunidade artística. É coisa pretensiosa de se dizer, mas está muito próximo da verdade. A música é mal gravada e a execução é um bocado tosca e essas características são ‘intencionais’; faziam parte do programa, do modo como encaravam a vida: tinha algo de ‘caseira’, no sentido de resultado da experiência adquirida de viverem num determinado local. A parte gráfica, talvez devedora dos de alguns dos ismos do início do século, tem como único propósito a eficácia: é a técnica ao serviço da arte, semelhante a um canalizador que utiliza as ferramentas necessárias de modo a ter uma elevada probabilidade de certeza de levar a cabo a reparação. Penso sempre que, se houvesse um desastre que destruísse os relativamente poucos discos que possuo, seriam os dois vinis deles que eu quereria que se salvassem. Talvez porque simbolizem o incorrompido do acto de criação; incorrompido por certo cálculo ou pensamento, mais próximo do primeiro instinto vizinho da chamada loucura. Há sempre essa procura de um ‘estado de graça’ afim do que se imagina ser o nascimento ou do que se imagina ser a morte: não é nirvana quando sabemos que o atingimos, mas sem o podermos sentir ou exprimir?

Depois do exercício, veio o jantar. Depois de dois dedos de conversa com a Cristina e o Sérgio, o regresso a casa e uma vista de olhos por aquilo que andam a fazer a Lydia Lunch e a Diamanda Galás – bom, andam a trabalhar. Depois fui dormir, com a chuva intensa e 30 minutos de sons de explosões – cortesias da trovoada – como música de embalar.

Hoje fui ver duas casas, uma próxima daqui – perto do Resort Ponte 16 – e outra próxima do estádio/ pavilhão desportiva de Macau; a primeira a 3500/ mês, a segunda a 4000/ mês. Acabei por ir ver a segunda delas em primeiro lugar porque as senhoras que iam mostrar a casa não conseguiam com que a porta do prédio abrisse, nem com o conjunto de chaves que tinham e nem mesmo depois de terem ligado para uma vizinha e pedir para ela abrir a porta. O impasse resolveu-se connosco – eu, o Calvin e uma das senhoras – a apanhar um táxi para eu ir ver a outra casa. Chegados à rua, estivemos uns minutos à espera de uma outra senhora. Entramos num prédio sem elevador e subimos 4 ou 5 andares. Vi a casa com alguma atenção: a casa de banho não era interior e as janelas do quarto eram maiores, mas a luminosidade da casa era menor – tinha prédios mais altos a rodeá-la – que a da semana passada. Não estava tão bem tratada. Voltámos à inicial: era semelhante à que tínhamos acabado de ver, estava um poço menos bem tratada que a referida e tinha grades à volta. Depois de lá sair, falei com o Calvin para no dia seguinte – amanhã, Sábado – voltarmos a ver a da semana anterior – semana passada – e ver se seria possível baixar o preço até aos 4700. Amanhã verei.

Depois fui ver o primeiro café da manhã e comecei a ler “Bartlebey e Companhia” de Enrique Vila-Matos, numa edição de 2001 da Assírio & Alvim. Fala da, por ele chamada, “síndrome de Bartlebey” – Bartlebey, nome de um personagem de um conto de Herman Melville –, o qual leva os melhores escritores a deixarem-se da escrita para, desse modo, melhor a afirmarem. É leitura divertida e séria e outros lugares-comuns afins. Comecei a pensar em como as grandes – gigantescas – obras da literatura nos impressionam e como alguma do resto da melhor literatura se limita a dá-nos muito prazer. No interior do livro vem escrita uma frase que o autor atribui ao escritor francês Valéry Larbaud aquando de uma visita de amigos. Traduzida é “Boas tardes às coisas de aqui de baixo”, o que é semelhante a “Boa tardes às coisas aqui em baixo” – 2003 – de António Lobo Antunes. Pus-me a pensar na possibilidade de ser uma alusão ao contexto e à intenção de Valéry Larbaud ao pronunciá-la, o que, lembrando-me das entrevistas dele, não seria surpresa. No seu blogue, há artigos/ recensões críticas referentes a cada um dos títulos e, no artigo de Agripina Vieira, há referência quer a Vila-Matos, quer a Larbaud, mas sem explicações de outra natureza. Dei-me conta disto aquando do meu segundo café e, depois de mais umas voltas para ver leitores de CDs, concluí que teria de ir a Zuhai para ver se lá a oferta é melhor. Depois de um – antecedido por um sumo de manga – almoço tardio de sopa de cenoura e sandes de queijo na companhia de “Sicko” pus-me a trabalhar e a preparar o jantar. Agora é altura de comer. Até depois.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

12 de Agosto de 2009

12 de Agosto de 2009 (12:44) – São de trovoadas e chuva intensa que são feitas as condições meteorológicas por aqui. Ontem uma das coisas relevantes foi o fim do visionamento do “Gomorra”. Gostei muito do filme. A única maneira de o descrever seria o de chamá-lo ‘ficção documental’, o que é um pouco absurdo: no filme, a ficção é o motor, com o lado documental, muito bem misturado, a dar-lhe todo o sabor. Findo o filme e prévio aos créditos finais, falam um pouco da dimensão – também – económica da Camorra e de como eles lavam o dinheiro das operações ilegais investindo-o em actividades legais como a bolsa. Faz pensar: será que ninguém sabe? A resposta é ‘sim’, claro que sim! Não há mesmo ninguém que não saiba: a serpente teria conseguido entrar no Paraíso sem o consentimento de Deus? Ainda não sei qual será o filme seguinte.

A outra coisa relevante foi o de ter sintonizado a televisão na TDM e ter estado a ouvir o jornal da tarde da RTP em diferido. Durante o noticiário, fui sentido desapontamento – ou tristeza – e ansiedade. O conteúdo do noticiário e a forma com as notícias são apresentadas não mudaram, nem eu deveria estar à espera que isso acontecesse: a sensação de desapontamento só revela que ainda existe em mim alguma credulidade. Continua a falar-se da AH1N1, uma designação mais asséptica e menos prejudicial para a economia e para a política do que Febre Suína, que é o que de facto ela é. Mas teria de se mostrar onde é que ela teve origem, logo teria de se mostrar em que condições é que os porcos no México – resultado da deslocalização norte-americana da produção destes animais – ou em qualquer parte do mundo são criados. Essas imagens são de uma violência difícil de ver porque não há nada de parecido na ficção, o que ajudaria a torná-las suportáveis. Bom, mas nada de criar pânico, não obstante a maior parte do telejornal ser ocupado com a divulgação de mais alguns casos. Só pode haver propósito: será o de criar medo ou será criá-lo para tentar algo? Será esse ‘algo’ um conceito ou será apenas um medicamento? Falta saber, pois morrem mais pessoas de acidentes, de doenças cardiovasculares ou de fome de que de Febre Suína e nenhuma destas ocorrências são tratadas com a mesma atenção. A Quimonda não sai dos noticiários e não me parece que seja por ter relevância pública nacional, embora seja um exemplo – dos muitos – de quão mal está a vida em Portugal. Senti-me insultado com as justificações – a recuperação económica foi uma delas – dada pela Galp, mas já não é a primeira vez que as oiço. A política é um espaço em branco e, em tom de campanha eleitoral, um artigo de opinião que termina com uma variante menos óbvia ao ‘Ou estás connosco ou estás contra nós’. Depois vem o desporto – futebol – e a seguir os desastres internacionais: novamente a contagem de mortos, em tom dramático… e é esse tom de telenovela que torna as imagens inócuas. A distância que sinto em relação ao país é residual, o oposto do que se passa com as pessoas. É verdade que há o clima e a comida, mas o resto torna-se cansativo. É ingrato ser-se produtivo em Portugal.

Hoje, depois do café, virei-me outra vez para o trabalho, interrompido para almoçar e dar início ao visionamento de “The U.S. vs John Lennon”, produzido pela VH1 e que fala das razões que o levaram a ser uma figura pouco querida do governo central norte-americano – dependências incluídas – e que foi a do seu envolvimento com grupos cívicos de protesto e resistência, nomeadamente com os Black Panthers. É interessante porque confirma como o governo central jamais teria cedido qualquer direito se não fossem as acções que foram levadas a cabo. Jamais.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

11 de Agosto de 2009

11 de Agosto de 2009 (17:27) – Almoço tomado. Ontem depois ainda estive a corrigir material e só depois é que fui jantar e acabar de ver o “Raging Bull”. É um bom filme, com boas interpretações e um bom argumento bem filmado, mas sou incapaz de tecer considerações particularmente transcendentes sobre o que vi. Parece-me é que de touro enraivecido – ou cheio de raiva – para passar a touro manso cheio de ressentimentos para com os outros. Depois passei para o “Gomorra”, realizado por Mateo Garrone, e que fala, se não me engano, do modo como a Máfia opera e como lida com o negócio do lixo em Nápoles. Depois há as histórias individuais dos miúdos que são correios de droga, de dois adolescentes que tentam empreender acções espectaculares para subirem na hierarquia e a de tipo com uma fábrica de roupa que dá aulas nocturnas a trabalhadores chineses do mesmo ramo e que sempre transportado na bagageira do carro.

Depois fui ver mails e, de seguida, fui perder um pouco de tempo a visitar estes sítios e aqueles. Ultimamente tenho andado pelo sítio do Ross Halfin, afamado fotógrafo que já fotografou quase todas as figuras míticas do rock’n’roll. Do seu portfolio fazem parte Black Sabbath, Led Zeppelin, James Brown, Aerosmith, Iggy Pop, Iron Maiden, Slayer, Henry Rollins e Metallica, entre outros. Estes dois últimos não estão aqui por acaso, pois descobri que um dos livros de fotografias dos Metallica só com fotografias do Halfin foi editado pela 02.13.61, a editora do Rollins. Não está disponível para venda, tal como alguns dos discos que o senhor reeditou. Para acabar com isto, a morada do sítio é www.rosshalfin.com e não é tempo mal empregue.

Hoje andei às voltas pela cidade durante umas três horas, todas elas com o objectivo de fazer compras. Uma das compras específicas era um rádio/ leitor de CDs, o que não cheguei a fazer. Vi alguns, mas nada que comunicasse comigo. Hoje o tempo está nublado – esteve a chover de manhã – e com uma temperatura de 29º, além da humidade ser de 84%. Nestas condições a sensação térmica é de 36º. Deve ser por isso que os garrafões que trago do supermercado começam a suar. Está na hora de ir trabalhar.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

10 de Agosto de 2009

10 de Agosto de 2009 (16:27) – Ontem foi um dia relativamente produtivo. Não tanto quanto esperava que fosse. Já no Ou Mun, dois cafés e dois cigarros pautaram o início da escrita da entrada de ontem, uma forma de fazer render o tempo até que chegassem as 13h00, hora a que a Pin-to com os discos – a parte dos livros abre às 11h30 – abrisse. Subo as escadas, ao início das quais está um velhote sem-abrigo. Chego lá em cima e vejo um post it na porta a dizer que vão reabrir às 16h30. O gato ou gata, mascote do estabelecimento e à qual aludem nos cartões que imprimem para os mais diversos fins, está, como é seu hábito, em cima dos folhetos na mesa/ tábua/ estrutura perto da livraria. Saio para o mar de calor, humidade e pessoas do Leal Senado. Vou à senhora dos sumos e trago um sumo de maça e um de laranja e, de volta ao Leal Senado, tento passar por tudo aquilo o mais rapidamente possível. Chego a casa, almoço, escrevo um pouco mais e volto a sair para tratar do assunto dos Blackbird. Está tudo bem, aquele CD não tem originalmente folheto. Saio da Pin-to e passo pelo mercado próximo: está fraco em legumes, o que àquela hora não é surpresa. Dou outra volta para compras e compro um par de calções beges – cor de baba de camelo, mas preciso deles. Depois vou ao Royal mais próximo de casa para ver se há legumes frescos, mas sem sorte. Compro uma embalagem de algas do mar, um raspador, um cinzeiro e um garrafão de água. A rua está em obras e a circulação pedestre é difícil; a automóvel é praticamente impossível, pois há buracos e caterpillars que ocupam grande parte da estrada. Faço o caminho de volta, preparo o jantar, janto e acabo a entrada do dia anterior durante os primeiros minutos do dia de hoje.

Hoje foi dia de café no Caravela para depois ir até ao mercado comprar legumes: tomate, couve, alface, cenouras, batatas e uma espécie de grelos – embora a cor da folha se pareça com a da couve portuguesa. Ao almoço, continuei o visionamento do “Raging Bull” do Scorcese com o Robert de Niro. Nunca o tinha visto… o que deve parecer impossível. Agora os próximos passos são o preparo do jantar e uma sessão de exercício – tenho de variar: não posso ter sempre os mesmos discos dos Slayer…

domingo, 9 de agosto de 2009

10 de Agosto de 2009

09 de Agosto de 2009 (22:00) – Ontem foi um dia improdutivo, mas frutífero. Inexistente ou inaparente que seja a diferença – isto começou a ser redigido no Ou Mun ao som da Mariza – a verdade é que o dia foi passado na rua a andar de um lado para o outro. Às 11h00, lá estava eu em frente ao estádio/ pavilhão desportivo de Macau – não sei em que zona/ freguesia fica – e esperei até às 11h20, em parte por causa da minha mania de não ter o ligado o telemóvel mais cedo. Tinha evitado tanto tempo de espera.

Lá fui com o Calvin – o tipo da agência – ver a casa de que ele me falara, situada num prédio a 50 metros da instalação desportiva supra mencionada e que ficava num 16º andar de um prédio com 5 ou 6 elevadores. A porta gradeada da casa – normal e comum a todas as casas – abriu-se para um aporta nova e esta abriu-se para a sala de uma casa que parecia nova também; sala essa espaçosa, com chão em mosaico, novo também. Tinha portas de vidro que davam para uma varanda de dimensões médias – cerca de 5 ou 6 metros quadrados – a que se seguiu uma cozinha relativamente pequena – um pouco maior que o que é comum aqui – e com boa luz natural, além de fogão embutido, frigorífico – amos novos – e o balcão à largura e comprimento da cozinha. Não dava para ter lá uma mesa, mas… agradou-me bastante. Depois veio a casa-de-banho: pequena, mas suficiente e onde estava a importante máquina de lavar a roupa. O polibã era delimitado por portas de plástico transparente. A loiça era nova. Depois veio o quarto das visitas: a cama, de corpo e meio, ocupava muito do espaço, mas sobrava o suficiente para uma pessoa se mexer lá dentro. Os armários tinham muito espaço para arrumação. A janela do quarto era pequena e estava à cabeceira da cama. No quarto principal, a cama estava virada para os armários espaçosos e a janela pequena ficava à direita. Antes da janela havia uma espécie de tampo em madeira – quase podia funcionar como mini-escrivaninha. 5000 patacas, negociáveis. Disse-lhe que ia pensar bem antes de dar uma resposta definitiva. Agora começo a pensar no que não reparei, como por exemplo em armários; não que tenha memória de que não estivessem em ordem.

Chegado a casa e atravessado o fim de manhã quente e húmida, bebi um sumo de manga e pus-me a caminho de Hong-Kong. Apanhei o 3 – autocarro – até ao terminal marítimo e comprei o bilhete já com desconto na STDM – Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, SARL de Stanley Ho –, tornando a viagem acessível. Tive de ir para a fila dos visitantes por não ter o BIR, apesar de já ter autorização de residência, conforme é possível ver lido o carimbo que está no passaporte, posto lá pelos Serviços de Migração. Carimbado o passaporte, parti nos jetfoil das 14h30, num percurso de cerca de uma hora, passada a ler o “Elegia para um americano” e a preencher o papel do boletim de saúde e o cartão de imigração para entrada em território da Hong Kong SAR – Special Administrative Region. Saio do jetfoil, caminho até aos balcões de entrada no território e tenho a sorte de escolher um balcão que vou demorar 15 minutos a passar, ao contrário de quem está na fila dum bem mais célere balcão do lado esquerdo. Dois carimbos depois, acabo por entrar no interior do terminal e começo a perder tempo, pois se alguns dos sítios me são familiares, de outros não me recordo tão bem. Ir sozinho e sem mapa acentua essa infamiliaridade, aumentando-lhe um pouco o grau de aventura. Confio que as indicações que houver serão suficientes.

Acabo por dar com a saída – um ponto de referência é o Kentucky Fried Chicken – e estou na passagem aérea para pedestres ou overpass – o inglês tem um lado funcional que eu aprecio e estou defronte da plataforma para helicópteros – preste um serviço semelhante ao barco. Onde está o supermercado e cafetaria que vende as deliciosas sandes de salada de ovo e cujo pão em formato de bolsa é confeccionado com passas? Volto a entrar no terminal e não encontro. Depois começo a pensar que talvez fique no IFC – International Financial Centre, uma estrutura de, salvo erro, duas ou três torres de dezenas de andares – cerca de 200 metros dali. A passagem aérea tem pouca gente: hoje é Sábado e só lá andam transeuntes. Ao Domingo é costume as pessoas – sobretudo as mulheres, se bem vi – agarrarem nas suas mantas e fazerem ali, noutras passagens e até em passeios e parques, se a minha memória não me falha, um piquenique. Já no IFC, ando por lá um pouco perdido – estou a pensar em como chegar às lojas de discos – e lá dou com o estabelecimento da sandes, com a qual me delicio no exterior que reconheço. Acabada a refeição começo a tentar perceber que metro tenho de apanhar para ir até Causeway Bay. Mais voltas e acabo por ir até à estação de Sheung Wan – no IFC, a estação de Hong Kong não era a que pretendia – na Island Line, cuja estações de partida ou de chegada são Sheun Wan e Chai Wan. Desço até à plataforma – talvez ao nível de uma sub sub-cave – certo de que estou na linha – azul – e direcção certas. A plataforma é separada da linha por uma placas de vidro, parte delas portas, frente às quais o metro parará, para só então se abrirem.

Ando umas três estações até Causeway Bay, desço e começo a tentar localizar a saída adequada. Há 6 – A, B, C, D, E e F – e eu saio pela F. Parece-me que vai dar onde quero ir. São mais ou menos 17h00 e as ruas não estão longe de estarem apinhadas. Socorro-me da memória visual de Times Square no mapa da estação. À saída do metro, saio para o lado esquerdo, depois viro à direita e 30 metros à frente atravesso a rua, virando novamente à esquerda. Estou na Patterson Avenue – já estou perdido, é claro. Sigo em frente e começo a olhar para os prédios a ver se encontro o que procuro. Nessa altura, já só quero encontrar uma loja de música – qualquer uma serve. E encontro uma da cadeia HMV num centro comercial, dentro de um prédio. Vou lá ver a mercadoria e saio passados cinco minutos. À minha esquerda, veja um pano – ou plástico, não sei – grande no qual está imprimido ‘IKEA’. Serão só escritórios? Vou precisar de comprar coisas para a casa… dou umas voltas pelos quarteirões próximos e o que vejo são centros comerciais, lojas, pessoas, carros e um jardim com poucos espaços verdes. Volto à estação de metro e, antes de entrar, vejo que devia ter tomado o caminho da direita – devia ter escolhido a saída A. Fica para a próxima.

Faço o caminho de volta. O interior das carruagens é sempre igual: bancos de plástico prateados juntos à parede das ditas – abertas; pode ver-se o princípio/ fim da composição. Saio em Sheung Wan e no meu cartão de plástico Octupus, semelhante ao do de plástico Macau pass – qualquer um deles mais barato que o 7 Colinas ou afins – a máquina reproduz a informação de que me foram debitados 4,4 HK Dólares, cerca de 45 cêntimos. Volto ao terminal, localizo o balcão da SJDM, volto ao exterior para fumar um cigarro e só depois compro o bilhete para o jetfoil das 18h30. São 18h14. Depois de duas ou três tentativas, acerto mais ou menos com o balcão da partida. Muita gente e duas filas, uma das quais está debaixo dum sinal que diz ‘Gate 5’. A da Gate 1, que no painel electrónico é dada como a de onde vai efectuar-se a partida para Macau, está parada. A outra avança. Vejo pessoas a passarem por mim e a caminharem na direcção do balcão. Faço o mesmo: eu quero é apanhar o barco. Passo pelo homem do balcão, que me confere o bilhete e me grita ‘free seat’: é ali que, normalmente, com uma etiqueta no bilhete, o lugar fica marcado. Mas eles já estão atrasados e então aquilo é a despachar. À porta do barco, mostro o bilhete e ele indica-me a esquerda. Os de lugar marcado são encaminhados para o convés superior. Arranjo um lugar a meio do barco.

O barco sai. O tempo está encoberto. Um dos assistentes de bordo distribui cartões de imigração e boletins de saúde e fico com um de cada, os quais começo a preencher. Porém, o mar está agitado e o balanço do barco começa a deixar-me enjoado. Começo a pensar que aquilo é como andar na montanha russa – não é, mas não importa. Ponho de lado os papéis, pois se baixo a cabeça, ainda que ligeiramente, o enjoo volta e a sensação, que imagino ser de humilhação pública, que é a de vomitar, é evento a evitar a todo o custo. Mantenho-me muito direito na cadeira e estou a transpirar, apesar do ar frio saído dos potentes ares condicionados da embarcação. O balanço acalma, eu consigo preencher os papéis, mas a minha vigilância só acaba verdadeiramente quando o barco está quase a atracar em Macau. Saio, entrego o boletim de saúde aos tipos do Departamento de Saúde à entrada do corredor – com tapete rolante – de acesso aos balcões de entrada na RAEM. Vou para um que diz “Visitantes” – há uns que são para os residentes em Macau e outros ainda que são para os residentes em Hong Kong. Espero quinze minutos. Os funcionários parecem especialmente atentos às pessoas com passaporte filipino. Há muitos filipinos em Macau, muitos deles provavelmente em situação ilegal. Todos eles a tentarem encontrar uma vida melhor ou, pelo menos, mais desafogada economicamente. Chega a minha vez e o processo leva um minuto. Passo o balcão sem carimbos no passaporte ou no cartão de imigração – corrijo, a cópia; o original ficaria no balcão.

Vou para a zona de paragens de autocarro e táxi e ponho-me a ver itinerários. Quero ir para a Almeida Ribeiro ou ruas adjacentes e, resultado da minha leitura, apanho o 10B. Ando às voltas e a viagem termina no Terminal rodoviário – ou serão as Portas do Cerco? O painel electrónico aposto no interior do 3A indica que do seu percurso faz parte a supra citada avenida. Subo. Sento-me. O autocarro arte e anda às voltas: é enervante ver ‘miragens’ – imagens de lojas que julgo reconhecer para o alívio do reconhecimento se desvanecer logo de seguida – com o contra de uma condução lenta sem necessidade. Finalmente, o Dynasty Plaza e o Star World parecem. Passo a Grande Lisboa, já na Almeida Ribeiro, e o périplo termina com a minha descida na paragem junto ao Leal Senado. São 21h15. Decido que vou jantar ao Boa Mesa. Entro e sento-me. Peço um sumo de laranja e uma omeleta – não têm de queijo; vem a que está no cardápio. Estou com sede e o sumo de laranja natural que me trazem sabe-me excepcionalmente bem. Vem a omeleta, excepcional também, talvez devido à fome que tenho, mas em grande medida graças à salsa – ou eram coentros? O jantar termina com o café. São 22h10. Vou até à Pin-to, compro o saco dos Blackbird, recebo um cartão de ‘associado’ que me dá 10% de desconto em cada compra e, chegado a casa, vejo que um dos CDs não tem folheto, ao invés dos outros seis. Anomalia? Essa foi uma das coisas que fiz hoje, Domingo… isto é, ontem. Fica para amanhã.