15 de Agosto de 2011 (01:00): Dizemos, às vezes, que o tempo voa, mas acho que o que
acontece com o tempo é que nós o deixamos escapar. A forma como a ampulheta ou
a clepsidra contam o tempo, descrevem bem como o deixamos escapar. As férias da
Páscoa, assim como a interrupção lectiva, chegaram e acabaram e são já uma
memória distante. Por aqui, o tempo tem estado a mudar e a chuva tem aparecido
mais, pois ao calor está sempre associado o aumento da humidade, indicadores de
que o Verão está aí. Ainda há um ou outro dia em que o tempo está fresco e
agradável, mas são já peças de colecção.
Tenho
passado o tempo a fazer coisas para o IPOR – coisas que era suposto ter
terminado há muito, mas como o grau de coordenação motora dos meus dedos não é
grande, sofro as consequências. Paciência: quem não tem cão, caça com gato.
Tento organizar-me da melhor forma possível para recuperar o tempo perdido.
Além de almoços e jantares com amigos, ainda houve tempo para assistir a um
concerto do Gilberto Gil no CCM, e de uns dias em Banguecoque. Os almoços e
jantares com amigos... O concerto do Gilberto Gil, a começar pela música de um
artista de quem nada conhecia. Um dos grandes, entre tantos que há no Brasil,
mas, tanto quanto me parece, sem o mesmo nível de aceitação de António Jobim ou
de Chico Buarque. (Isto era o que havia até 1 de Junho de 2011. Era para ter
havido mais coisas, mas tudo quanto houve foi exames finais escritos e orais e
mais trabalho para o manual)
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O
tempo não voa e os olhos pesam: é a vontade de fazer muito a cada segundo que
passa. Às vezes, há tanto para fazer que escolhemos deixar algumas para trás.
Como muitas vezes acontece, isso não implica que nos tenhamos esquecido delas.
É o caso deste espaço. As aulas estão mesmo à porta – as do Instituto de
Formação Turístico (IFT) começam na
segunda-feira. É a altura de preparar tabelas de avaliação e de faltas, de
mandar para o caixote de lixo do computador cópias de documentos que não vamos
precisar. Há sempre as expectativas de sempre – quantos alunos são por turma,
serão pessoas interessadas, farão muito barulho. A questão importante para mim
é a se eu consigo fazer com que eles se interessem e se eu vou conseguir
passar-lhes os conhecimentos de forma adequada. São incógnitas a que não
consigo responder de forma proficiente – vendi a minha bola de cristal a um
criador de fábulas, o qual, tanto quanto consegui apurar, tem feito bom uso
dela.
As
férias em Portugal foram revigorantes, mas não foram tranquilas. No entanto, os
muitos quilómetros tiveram boas causas a justificá-los. Foi óptimo ver e sentir
o céu azul que ia de nós até às distantes linhas de horizontes – muito difíceis
de ver em Macau – e de rever amigos e familiares. Fiquei muito feliz por poder
ter estado com amigos que já não via há um par de anos e infeliz por, primeiro,
não ter havido oportunidade para estar com outros amigos com quem havia estado
no ano anterior e, segundo, por não ter podido estar novamente com alguns dos
outros aigos com quem estive. Todos os dias têm o mesmo tempo e não é possível
fazer nada sem gastarmos tempo – aliás, o único conceito aplicar conceitos com
'compra', 'trocas' ou 'devoluções'. Houve pessoas que gostaria de er visto e
não vi porque não foi possível – não consegui tornar possíveis esses encontros.
Voltar para Macau custou-me muito, em especial porque a Cátia não regressou
comigo. Está em Maçambique a fazer voluntariado, um gesto que mostra o quanto é
desapegada e o quanto gosta de fazer bem, uma experi6encia que não é para toda
a gente. É preciso um carácter especial. Ela é uma pessoa especial para mim...
e para muita gente.
A
nossa 'tournee' passarou por Ponte de Lima, Gerês/Pousada da Juventude de
Vilarinho das Furnas, Guimarães, Aveiro – fomos ao Vagos Open Air, eu aos dois
dias, a Cátia só ao primeiro – e Lisboa, com uma passagem e uma ida ao
Entroncamento. A experiência do Vagos Open Air foi engraçada. O festival teve
lugar na Lagoa do Calvão, a cerca de 23 quilómetro de Aveiro. A zona é
sossegada e longe da cidade, o que o sítio um óptimo lugar para um festival de
metal. Quem vivia nas poucas e esparsas casas das redondezas, não teria o mesmo
ponto de vista. Ainda assim, o som não estava muito alto e aquilo acabava cedo.
A Cátia gostou da experiência. Vimos os Tiamat e os Opeth, duas bandas suecas,
cujo som é dominado pela melancolia, mesmo nas partes mais pesadas das suas
canções. O ambiente era simpático e o sentido de humor de Mikael Akerfeldt,
vocalista, guitarrista e mentor da banda. A comida e a bebida eram barata –
sandes a 1,5 euros, garrafa de água de 1,5 litros a 1 euros,...
Mais
houve, mas ficará para depois. Notícias e mais memórias para breve. (O que mais
houve foi trabalho de preparação das aulas, preparação do manual, jantares
fora, leituras e muitíssimas saudades da Cátia – um beijo.) Obrigado.