quarta-feira, 14 de setembro de 2011

15 de Agosto de 2011

15 de Agosto de 2011 (01:00): Dizemos, às vezes, que o tempo voa, mas acho que o que acontece com o tempo é que nós o deixamos escapar. A forma como a ampulheta ou a clepsidra contam o tempo, descrevem bem como o deixamos escapar. As férias da Páscoa, assim como a interrupção lectiva, chegaram e acabaram e são já uma memória distante. Por aqui, o tempo tem estado a mudar e a chuva tem aparecido mais, pois ao calor está sempre associado o aumento da humidade, indicadores de que o Verão está aí. Ainda há um ou outro dia em que o tempo está fresco e agradável, mas são já peças de colecção.
Tenho passado o tempo a fazer coisas para o IPOR – coisas que era suposto ter terminado há muito, mas como o grau de coordenação motora dos meus dedos não é grande, sofro as consequências. Paciência: quem não tem cão, caça com gato. Tento organizar-me da melhor forma possível para recuperar o tempo perdido. Além de almoços e jantares com amigos, ainda houve tempo para assistir a um concerto do Gilberto Gil no CCM, e de uns dias em Banguecoque. Os almoços e jantares com amigos... O concerto do Gilberto Gil, a começar pela música de um artista de quem nada conhecia. Um dos grandes, entre tantos que há no Brasil, mas, tanto quanto me parece, sem o mesmo nível de aceitação de António Jobim ou de Chico Buarque. (Isto era o que havia até 1 de Junho de 2011. Era para ter havido mais coisas, mas tudo quanto houve foi exames finais escritos e orais e mais trabalho para o manual)
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O tempo não voa e os olhos pesam: é a vontade de fazer muito a cada segundo que passa. Às vezes, há tanto para fazer que escolhemos deixar algumas para trás. Como muitas vezes acontece, isso não implica que nos tenhamos esquecido delas. É o caso deste espaço. As aulas estão mesmo à porta – as do Instituto de Formação Turístico (IFT)  começam na segunda-feira. É a altura de preparar tabelas de avaliação e de faltas, de mandar para o caixote de lixo do computador cópias de documentos que não vamos precisar. Há sempre as expectativas de sempre – quantos alunos são por turma, serão pessoas interessadas, farão muito barulho. A questão importante para mim é a se eu consigo fazer com que eles se interessem e se eu vou conseguir passar-lhes os conhecimentos de forma adequada. São incógnitas a que não consigo responder de forma proficiente – vendi a minha bola de cristal a um criador de fábulas, o qual, tanto quanto consegui apurar, tem feito bom uso dela.
As férias em Portugal foram revigorantes, mas não foram tranquilas. No entanto, os muitos quilómetros tiveram boas causas a justificá-los. Foi óptimo ver e sentir o céu azul que ia de nós até às distantes linhas de horizontes – muito difíceis de ver em Macau – e de rever amigos e familiares. Fiquei muito feliz por poder ter estado com amigos que já não via há um par de anos e infeliz por, primeiro, não ter havido oportunidade para estar com outros amigos com quem havia estado no ano anterior e, segundo, por não ter podido estar novamente com alguns dos outros aigos com quem estive. Todos os dias têm o mesmo tempo e não é possível fazer nada sem gastarmos tempo – aliás, o único conceito aplicar conceitos com 'compra', 'trocas' ou 'devoluções'. Houve pessoas que gostaria de er visto e não vi porque não foi possível – não consegui tornar possíveis esses encontros. Voltar para Macau custou-me muito, em especial porque a Cátia não regressou comigo. Está em Maçambique a fazer voluntariado, um gesto que mostra o quanto é desapegada e o quanto gosta de fazer bem, uma experi6encia que não é para toda a gente. É preciso um carácter especial. Ela é uma pessoa especial para mim... e para muita gente.
A nossa 'tournee' passarou por Ponte de Lima, Gerês/Pousada da Juventude de Vilarinho das Furnas, Guimarães, Aveiro – fomos ao Vagos Open Air, eu aos dois dias, a Cátia só ao primeiro – e Lisboa, com uma passagem e uma ida ao Entroncamento. A experiência do Vagos Open Air foi engraçada. O festival teve lugar na Lagoa do Calvão, a cerca de 23 quilómetro de Aveiro. A zona é sossegada e longe da cidade, o que o sítio um óptimo lugar para um festival de metal. Quem vivia nas poucas e esparsas casas das redondezas, não teria o mesmo ponto de vista. Ainda assim, o som não estava muito alto e aquilo acabava cedo. A Cátia gostou da experiência. Vimos os Tiamat e os Opeth, duas bandas suecas, cujo som é dominado pela melancolia, mesmo nas partes mais pesadas das suas canções. O ambiente era simpático e o sentido de humor de Mikael Akerfeldt, vocalista, guitarrista e mentor da banda. A comida e a bebida eram barata – sandes a 1,5 euros, garrafa de água de 1,5 litros a 1 euros,...
Mais houve, mas ficará para depois. Notícias e mais memórias para breve. (O que mais houve foi trabalho de preparação das aulas, preparação do manual, jantares fora, leituras e muitíssimas saudades da Cátia – um beijo.) Obrigado.

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