quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
31 de Dezembro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
7 de Dezembro de 2009
6 de Dezembro de 2009 (01:00) – Faz tempo que não apresento novidades…A vida está a acontecer: lembro-me de um comentário do Rollins aquando de uma visita dele à casa do Lemmy dizendo que ela era a de alguém que vivia a vida e não vivia ocupado com a ideia de viver a vida. Interessante, são dois artistas que respeito muito. Dizê-lo é uma coisa, outra coisa é o corpo a fazê-lo perceber.
A casa lá tem os electrodomésticos básicos mas nunca cá estou muito tempo. Há o trabalho e há tudo o resto – não sobra tempo para estar em casa em modo ‘preguiça’. Agora tenho cerca de 120 testes para corrigir: ser justo dá muito trabalho e perceber se cotamos uma pergunta com mais ou menos meio ponto, leva sempre um minuto ou dois. As contas são fáceis de fazer: é multiplicar pelo número de questões vezes o número de testes. Há muito trabalho para eu fazer e eu atrasei-me por causa dos meus projectos megalómanos – é algo que de vez em quando me sucede. É resultado de um entusiasmo grande um tudo-nada em excesso.
Fora isso, a vida corre bem: “Do you know about laughter?” – ou algo parecido – é o que diz o Robert Plant – Led Zeppelin – no Stairway to Heaven do The Song RemainsThe Same. A citação faz-me sentido porque é mesmo disso que se trata: do riso. Daí o facto de não estar a escrever muito sobre o que ando a fazer: o fazer tem-me ocupado o tempo todo. Isso tem alterado um pouco a perspectiva que tenho de Macau: essencialmente é um lugar bem situado para explorar esta zona do planeta. No fundo uma espécie de Base das Lajes…com uma maior densidade populacional. Não há medida para comparar os níveis de poluição de um e de outro sítio, embora possa dizer que Macau nesse particular estará a meio caminho entre os Açores e Pequim. Qualquer lugar é feito pelas pessoas que lá vivem; para cada um é feito pelas pessoas com quem convive. Não totalmente, mas são elas que vão conseguindo manter à distância os aspectos mais desagradáveis dos sítios. Eu estou cá há seis meses e, por isso, um certo carácter de insularidade ainda não terá mudado a minha visão ao ponto de achas Macau um sítio insalubre. A melhoria das condições de trabalho – e de rede social – relativamente ao que tinha em Portugal permitem um outro bem-estar. Tenho saudades das pessoas e quando voltar a Portugal não deixarei de perceber e sentir o que é que do país me deixa saudoso. Mas isso será o futuro a dizê-lo até ele chegar, todas estas considerações serão pouco mais do que especulações.
domingo, 15 de novembro de 2009
15 de Novembro de 2009
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
12 de Novembro de 2009
12 de Novembro de 2009 (01:00) – Vulcões na Amadora? Pois é, o Rogério mostrou-me uma fotografia de um vulcão legendada “Amadora, Portugal”. É a prova do quanto desconhecemos o nosso país. A quarta-feira da semana passada foi um dia sem grandes sobressaltos, mas pouco produtivo. Quinta-feira o dia começou, como habitualmente no IFT. Antes das aulas da noite ainda houve uma reunião, que teve como objectivo a apresentação da nova coordenadora de língua portuguesa no IPOR. Depois lá vieram as aulas: não correram mal. Infelizmente, eles são fracos. Eles têm dificuldades em escrever mesmo perguntas simples. Faltam mais três até ao teste que ainda. Vou ver quantos exercícios consigo fazer que eles façam. Vai ser outro momento de avaliação. Quando saia da aula, uma das senhoras de limpeza estava a cantar uma canção qualquer. A reverberação da sala estava a aumentar a tristeza ou da própria canção ou da interpretação da senhora. Já houve outros ‘momentos musicais’ tão evocadores quanto estes, tais como de alguém a treinar saxofone às 11 da manhã de um sábado – ia eu a caminho do Ou Mún para os cafés – ou até quando nesse dia, passei por uma escola no Tap Seac e havia vários instrumentos a serem tocados – devia estar a decorrer uma aula.
Na sexta-feira, na pude acordar muito tarde porque tive de ir repor a segunda das duas aulas em falta no IFT. Correu bem; tenho de levar mais exercícios para eles treinarem o Presente do Indicativo e Pretérito Perfeito e os graus comparativos dos adjectivos. Já tenho mais trabalho; como não tinha mais nada que fazer… Antes das aulas, continuei com a preparação de materiais e depois vieram as aulas com uma revisão dos adjectivos e uma breve descrição dos animais. Findas as aulas, eu, a Cátia, a Paula e o Pedro fomos conversar e jantar ao Boa Mesa. Às 23h00 foi cada uma para seu canto.
Sábado foi feito das idas ao Ou Mún para cafés, uma ida à Pin-to – as compras consistiram em mais um CD dos Carsick Cars e o “Halo” dos Current 93 – e uma ida à YSIS para constatar que muito provavelmente terei de mandar vir de Hong Kong o “World Painted Blood” dos Slayer – o vizinho de cima ainda não terminou as obras. À noite, eu, a Paula e o Pedro fomos, pela primeira vez, ao Aruna’s Maharaya Indian Restaurant, um restaurante ao lado do restaurante mexicano onde já todos fomos muitas vezes. De cada vez que lá íamos, dizíamos que um dia viríamos ao indiano e, de facto, esse dia acabou por chegou. Estivemos no indiano um bocado e depois fomos ao restaurante onde trabalha o David – irmão da Cátia – para comermos uma mousse de chocolate, uma das especialidades da casa. A noite terminou com o visionamento de um filme de ficção – neste momento o nome escapa-me – que parte da história das rádios-piratas inglesas nos anos 60. Faz relembrar o que podia ser – há algum tempo que já não é – verdadeira paixão pela rádio; a verdadeira paixão pela música que os radialistas passavam e o inconformismo de sorriso na cara contra os poderes instituídos. As coisas mudaram muitíssimo daí para cá: hoje são instrumentos ao serviço da visão dos poderes instituídos – genialmente disfarçados?
terça-feira, 3 de novembro de 2009
4 de Novembro de 2009
04 de Novembro de 2009 (01:00) – Por motivos de saúde de um dos elementos do grupo, acabou por não haver ida à China. Fica para outra vez; não faltarão oportunidades. Sexta-feira foi dia de aula de reposição no IFT das 13h00 às 14h20 – poucos compareceram – e de aulas de módulo I. Correram bem. Houve uma aluna de módulo I que disse que não tinha percebido o vocabulário e que não percebia o que estava ali a fazer. Era natural que ela não percebesse, pois faltou às aulas em que ele foi dado. No fim da aula, disse-lhe que na da semana seguinte eu punha-a a par. Acabada a aula, eu, a Cátia e o Rogério fomos até às ‘muralhas’ ver Buraka Som Sistema e foi um momento bem passado. Faz sentido dançar ao som da música deles e assim fiz; só não consigo ir na conversa dos incitamentos vindos do palco, venha de quem vier. A avaliar pela música nova que tocaram, o kuduro vai ser cada vez mais diluído em favor de outros elementos. Tendo em conta que era esse o tipo de música do qual partiam para outras misturas e não o inverso, vai haver uma mudança de público. Não é necessariamente mau, mas, mudando de paradigma, algumas das pessoas que os ouvem desde o princípio vão deixar de o fazer. O jantar foi no tailandês e depois cada um de nós foi para casa.
No sábado, acordei cedo, deitei-me e passei pelas brasas e depois lá me levantei, tendo tomado o pequeno-almoço antes de sair de casa. O pão da manhã foi mastigado ao som do Ozzy Osbourne em Salt Lake City em 1984 – inchado do álcool e das drogas – a promover o “Bark at the Moon”. É visível o quanto ele gosta de estar em cima do palco. O Jake E. Lee – guitarrista que entrara para substituir o Randy Rhodes – e o Bob Daisley – baixista – parecem distraídos com o público, o que me pareceu um contraste com a postura do Ozzy, que salta, corre e incita a multidão com um entusiasmo que não tem como causa maior aquilo que ele ingere. Cada vejo que o vejo em concerto, vejo simultaneamente um velho e uma criança. No concerto há um homem vestido com uma armadura, que lhe traz um tabuleiro com copos de plástico e canecas. O palco está ao fundo de uma escadaria no cimo do qual estão o baterista e o teclista e ao fundo da qual estão duas ‘estátuas’ de morcegos de asas abertas. Depois fui até ao Ou Mún e li umas páginas de Dostoievski e bebi cafés. Fui às compras e trouxe uma máquina fotográfica das mais em conta e depois fui comprar o “China Underground”, um livro escrito por um tipo americano novo – tem duas bandas, uma delas os Octagon – sobre as pessoas na China que não querem ou não conseguem integrar-se na nova China, capitalista. Depois fui para casa, almocei, acabei de ver o Ozzy e voltei a sair para mais compras. Documentei a ida e a volta com a máquina; ficaram então por comprar auscultadores com intercomunicador, uma varinha mágica, uma máquina de aquecer água – para poder ter com que fazer chás ou cafés – e um candeeiro de mesa. Depois de ter comido mais qualquer coisa, voltei a sair e fui até ao supermercado Benvindo para tratar das compras mensais, as quais seriam entregues na 2ª feira entre as 14h00 e as 16h00. Voltei a casa e estive a fazer encomendas de música à Amoeba Record Store, a qual tem discos em 2ª mão. A baixa do dólar e a relativa falta de opções em Macau tornaram a poção apelativa. O cansaço tratou de me forçar a ir dormir, deixado de lado a noite de Halloween. O do ano passado foi passado num concerto de Moonspell.
No domingo acordei às 9 horas, depois de uma noite bem dormida. Tomei o pequeno-almoço tendo por banda sonora e visual Mastodon, Lamb of God e Slayer na tournée “Preaching to the perverted”. De seguida, fui beber os cafés ao sítio do costume e o resto do dia foi passado entre a ida a casa para reabastecimento alimentar e tentativas de tratar de assuntos pendentes, quase todas bem sucedidas, nomeadamente a aquisição de um candeeiro de mesa, de uma cafeteira eléctrica, de uma varinha mágica e de uns headphones com intercomunicador – agora só falta fazer comida, fazer chá e convidar as pessoas para cá virem. O trabalho andou pouco, pois a falta de concentração era muita.
Fui cedo para a cama – cerca da meia-noite – e às 7 da manhã de 2ª feira já estava acordado. Fui tratando de tomar banho e de tomar o pequeno-almoço ao ritmo das imagens de um documentário feito pela alemã Cláudia Heuermann sobre o John Zorn, com o título “A Bookshelf on top of the sky”. Difícil de descrever: o melhor que sei é de que se trata de uma espécie de entrevista filmada, ilustrando a vida e a vida das obras de John Zorn com filmagens de concertos e/ ou ensaios. Estive no computador a trabalhar um pouco antes de ir até ao Caravela beber os cafés. Depois a ansiedade fez-me ficar um bocado maldisposto – enfim, a sensação foi a de um prenúncio de queda de tensão –, mas lá fui até ao Royal fazer compras sem, no entanto, trazer as extensões de ficha tripla de que precisava – não havia. Cheguei a casa um pouco – pouco – tonto, mas lá fiz o almoço e a coisa melhorou um pouco.
Pelo leitor de CDs, além do bastante bom “Everything” do Henry Rollins com Charles Gale e Rashied Ali, passaram os White e os Mininoise. Os primeiros são um duo de chineses de Pequim que gravaram em Berlim, com produção de Blixa Bargeld. A música é um industrial com uma pitada de electrónica, tudo bem misturado – mistura pouco crua, se a compararmos com a dos álbuns iniciais dos Einsturzende Neubauten. Bom; logo, sem arrependimentos. Os Mininoise de “Hong Kong
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
29 de Outubro de 2009
29 de Outubro de 2009 (00:14) – Para mim a televisão tornou-se uma entidade sem vida – partindo do princípio de que em tempos a fora: no serviço noticioso, a seguir ao – falso – problema nuclear do Irão vir a história de uma família que andava a experimentar um papagaio – tenho memória de que era movido a energia solar – diz tudo. A estação de que estou a falar é da BBC, de que suspeito guardei uma imagem de credibilidade que, afinal, era – pelo menos – parcialmente falsa.
Foram nove dias de um jogo novo com uma mão um pouco melhor, mas as terças e as quintas continuam a ser intranquilos dias de aulas. No fim, tudo será contabilizado e se verá qual o saldo. Na sexta-feira à noite, depois das aulas fui com a Cátia até à Lusofonia, um evento cultural levado a cabo por esta altura do ano e que dura o fim-de-semana. Muita gente de muitos sítios numa festa, logo um acontecimento onde a venda de comida e de bebida marca o decorrer dos acontecimentos. Vi lá um ou dois alunos meus e, até ao fim da noite ali, conheci mais algumas pessoas – muitos nomes e muitas caras para fixar. A Cátia estava a vender caixas e quadros e a venda correu bem. No sector alimentar, o sítio mais concorrido foi a barraca do Brasil por causa das caipirinhas – só bebi três. Da vez em que estive lá à espera para ser atendido, pude observar, apesar do barulho dos bêbados à minha frente, o trabalho das mulheres que as estavam a preparar. Era um local de trabalho pouco invejável: muitas horas de pé sempre nos mesmos exíguos metros quadrados a trabalharem ininterruptamente a grande velocidade. Umas a ‘pilar’ açúcar com um almofariz juntamente com a cachaça, outras a misturar lima e gelo e outras a encherem os copos com as doses de cachaça – havia várias garrafas dela em cima da mesa. Mais uma vez, um trabalho nada invejável e ao qual, provavelmente, se somava o extra de ter ouvir os bêbados a reclamarem por causa da falta de rapidez delas no atendimento – e de falta de entendimento delas – da sua sede. Estive ainda um pouco mais à conversa com pessoas várias até eu e a Cátia termos saído dali num táxi, chamado por dois ex-alunos meus da CPSP que estavam em formação naquela zona – pelo menos parecia. Cheguei a casa cerca das 02:38.
Acordei no sábado cerca das 08h00 e depois do pequeno-almoço no Ou Mún, voltei para casa para almoçar, tendo depois voltado a lá ir para me encontrar com a Paula e o Pedro para irmos a Zhuhai, com o objectivo de comprarmos os bilhetes de autocarro com destino a Foshuan, cidade da China que será objecto da minha visita na semana que vem. Depois das formalidades aduaneiras, fui comprar umas – por mim muito – necessitadas calças e camisolas. À excepção de um dos pares de calças, as restantes peças de roupa eram brancas. Passámos pelos DVDs e comprei Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Skinny Puppy, Slayer, Metallica e mais um documentário sobre heavy metal. Acabámos por não conseguir comprar os bilhetes porque – depois de uns minutos de troca de impressões inentendidas por ambas as partes – não era possível comprá-los com tanto tempo de antecedência. Passámos pela banca de um senhor chinês que vende anéis, colares e incenso – entre outras coisas – e um comprei um anel e duas caixas de incenso. Já com tudo tratado, fomos ao E.S.Quimo, onde comemos e conversámos durante um bom bocado. De volta a Macau, o passo seguinte foi um excelente jantar na “A Petisqueira”, depois da qual seguimos para a segunda noite da Lusofonia. Vi o Manuel a tocar guitarra no Grupo Folclórico de Macau e depois passei mais ou menos o tempo a ver o movimento e a ouvir os Quinta do Bill, os quais deram, segundo fontes fidedignas, um bom espectáculo. Não sendo um apreciador da música deles, é fácil reconhecer que a música deles é animada e a verdade é que animou as pessoas. Estava muito calor – esteve-o durante as noites todas – e eu estava um bocado cansado e eu e a minha falta de disposição voltámos cedo para casa, à qual cheguei cerca das 00:45.
No domingo, despertei de uma noite mais ou menos bem dormida que as anteriores e, ao pequeno-almoço, sucederam-se os cafés no Ou Mún. Dei umas voltas para ver de livros – não comprei nada – e depois do almoço voltei ao café acima, onde estavam o Paulo e Pedro com as minhas compras do dia anterior – então deixadas em casa deles – e combinarmos o jantar com outros suspeitos – Mané, Manuel e o filho David – num restaurante brasileiro na Nova Taipa. Ainda vim a casa ver mais Sons Of Anarchy e depois lá fui jantar. À refeição seguiu-se uma caminhada de uns minutos até à Lusofonia, que seria dominada pela actuação dos Mercado Negro, banda portuguesa de reggae. Eram bons, mas eu estava com pouca vontade de dançar. O som não me pareceu estar grande coisa, infelizmente. De resto, estive à conversa com quantos do grupo lá estavam; conversa essa pontuada pela caipirinha que a Mané me ofereceu, pela caipirinha que a Cátia partilhou comigo – tal como uma da noite anterior – e pelos licores – de um fruto cujo nome me escapa – dos Açores. Também houve tempo para um copo de sangria e depois fui-me embora com o Rogério e a Sandra de táxi – eu não tinha dinheiro.
Na segunda-feira acordei cerca das 09h00 e estive a ver o “Cunning Stunts” dos Metallica, um dos DVDs de Zhuhai… quer dizer, feito lá. É estranho ver aquilo porque, de facto, hoje a onda é outra: menos arrogante, mesmo um Lars Ulrich, o qual continuará a ser talvez o menos preferido pelos fãs da banda. O DVD retrata a digressão do Load e é provável que o espectáculo deles consuma tanta energia quanto droga. Aquilo começava a ser muita pose. Hoje há pouca, mas aquilo é uma multinacional: se é verdade que quando dão 50 mil dólares ara ajudarem na investigação do desaparecimento de uma fã deles num concerto mostram preocupação, também é verdade que o fazem porque podem. Também é uma boa campanha de RP, mas aqui se calhar estou a ser cínico. Mas lá tomei o pequeno-almoço e fui até ao Caravela para os cafés e para ver se conseguia ler ou escrever alguma coisa. Já era meio-dia e uns trocos e havia muita gente a almoçar. Muito barulho. Vim para casa e tratei do almoço, depois de ter procurado por um candeeiro de mesa na Daiso – sem sucesso. A seguir, estive a tratar de assuntos pela Net, nomeadamente ver com a Cátia o teste para os alunos do CCAC. Às 19h15 encontrei-me com o grupo de suspeitos habituais para irmos ver os Delfins, naquilo que é a última digressão deles. Chegámos ao castelo – ou fortaleza ou outro edifício qualquer do qual só sobravam algumas muralhas ou muros – e sentámo-nos. As minhas reservas eram grandes: eles a partir de certa altura começaram a editar discos com músicas que oscilavam entre o aborrecimento e um aborrecimento grande, sem esquecer aquilo que parecia uma certa pose, em especial do vocalista Miguel Ângelo. À hora marcada lá começaram e o que eu digo é que gostei do concerto. As músicas sofreram importantes arranjos rítmicos e harmónicos – enfim, o suficiente para serem vizinhos da estranheza. Aquilo estava mais rock – por si só não quer dizer nada – e a verdade é que aquilo ganhou vida. Foi fácil perceber que o Rui Fadigas – baixista – é o condutor. A secção rítmica foi, como é de regra em qualquer banda, o grande motor da banda. Os outros portaram-se bem. O Miguel Ângelo não se saiu mal, à parte uma ou duas tiradas redundantes para o objectivo do espectáculo, que é a música: que ele tenha gravado/ convivido em estúdio com o Carlos do Carmo ou que tenha gravado em Inglaterra só é um facto pertinente e verdadeiramente relevante para os da banda. Deixando de lado o aparte, o importante é que gostei de ter presenciado o concerto. Dancei ao som da música daquele concerto, vários são os que o podem testemunhar. O som do PA estava impecável e, quando no fim do concerto vi Carlos Cruz – ex-colega de curso da EPMAA com quem falei um bocado – por detrás da mesa de mistura percebi que o resultado não poderia ter sido outro. Depois fomos ao tailandês para umas doses de conversa e de comida, findas as quais foi cada pessoa para sua casa.
domingo, 18 de outubro de 2009
19 de Outubro de 2009
19 de Outubro de 2009 (00:25) – “Projecto dos Serviços Juvenis na Área dos Comportamentos Desviantes” é bonito, não é? Era assim que estava no cartaz da montra de um escritório de um departamento governamental – escapa-me o nome. Fiquei a pensar que não será só na China que há algo assim. Havê-lo-á em Portugal? Caso não haja, não creio que o dia venha longe.
A semana foi uma de alguma ansiedade, em especial por causa do módulo VI: dera-lhes como TPC a escrita de uma previsão astrológica inventada para o ano de 2010, cujo objectivo era treinarem as expressões de futuro, Futuro do Imperfeito incluído. Vimos vocabulário. Tinha de lhes ter dado um ‘modelo para eles seguirem. Em vez disso, expliquei-lhes o que pretendia. Terminada a explicação, fiquei com impressão de que não tinham reagido muito bem; isto é, não perceberam o que haviam de fazer. Na 5ª feira, corrigi o erro arranjando-lhes um modelo, que levei algum tempo a conseguir escrever – claro que primeiro achei que era uma coisa complicada de se fazer. Não achava nada na Net que seguisse o esquema que eu tinha imaginado: uma estrutura onde eu pudesse simplesmente substituir uns substantivos, adjectivos e verbos por outros. Claro que a solução era algo tão simples como copiar – inventando aqui e ali – uma previsão já existente de um signo qualquer, que lhes desse uma ideia do pretendido. Na aula de 5ª feira ditei-lhes o texto e depois vimos vocabulário. Pareceram-me mais esclarecidos. A aula correu bem, ao invés da de 3ª feira: uma das causas do nervosismo é a auto-avaliação do meu desempenho, adequada preparação das aulas incluída. Não gosto de responder ‘não sei’ quando me fazem uma pergunta: não me parece uma resposta que eu veja neles como tendo ficado com boa impressão. Parece faltar uma resposta mais sintáctica e um pouco menos semântica. O que acontece é que eles com a gramática não se dão mal; já com o lado semântico a coisa não corre muito bem. A solução é simples: tenho de agir.
Aqui o tempo está a ficar cada menos húmido, logo suportável até nos poucos dias de algum calor das últimas três semanas. Depois do jantar com a Paula e o Pedro na 6ª feira, passei pela Pin-to e a única coisa que me fez gastar dinheiro – 80 patacas – foram dois CDs dos Soul Coughing. Só tenho primeiro álbum; e só em cassete. Enfim, gosto da banda e por isso considero o dinheiro bem gasto. A Pin-to anda parca em certo tipo de novidades. Nem sempre me apetece ouvir música electrónica experimental. A Saji 1 e a Saji 2, colectâneas editadas pela Subjam que comprei em Hong Kong, caem dentro desse género. A música é agradável e interessante e com uma identidade tão própria que me parece fazer fronteira com a falta de identidade. É uma música intimista, embora diferente da de 1926, grupo ou artista de quem não sei nada: o CD que eu tenho é uma música ‘pianística’ – só um dos temas tem fita pré-gravada – que oscila entre o lirismo clássico e o lirismo contemporâneo. É agradável, mas faltam-lhe temperos.
No sábado a manhã começou com a vinda ao Ou Mún para os cafés. Depois de “Broken Summers” de Henry Rollins, comecei a ler “Os Irmãos Karamazov” de Dostoievski. Uma vida interessante: até certa altura viciado no jogo, terá também participado numa conspiração política que o levou a ser condenado à morte por fuzilamento. Porém, no último instante, a sua pena ficou reduzida a quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Regressaria a S. Petersburgo dez anos depois um homem profundamente modificado. Já tinha lido outras coisas dele; o estilo e a pertinência são marcas que também este trabalho exibe. A estrutura das histórias e a forma de as contar são simples. São os assuntos e os traços de personalidade das personagens que operam a magia. Depois disso, estive o resto do dia em casa a trabalhar e acabei algumas das coisas que tinha em mãos, nomeadamente por em ordem o caderno de mandarim. À noite vi três episódios da primeira série do “Sons of Anarchy”, de Kevin Sutter, o qual também esteve por detrás do “The Shield”, uma série à volta do dia-a-dia e das tricas de uma esquadra de polícia e que contava com a Glen Close no elenco. Em comparação, o “Sons of Anarchy” é mais limpo, menos claustrofóbico. A série gira à volta de um bando de motoqueiros que se dedica ao tráfico de armas na sua vila ‘perdida’ no interior dos Estados Unidos. Há os negros que traficam cocaína ou heroína, os mexicanos que também traficam armas – logo rivais dos motoqueiros brancos – e os nazis com uma fábrica de metadona e que estão a tentar invadir Charming, a aldeia. O outro bando é o da polícia, a qual tenta gerir, por intermédio do seu velho chefe, a paz e a estabilidade do sítio trocando favores com um seu conhecido de há muito, o presidente do clube de motoqueiros – o polícia novo, sedento de ordem e progresso, quer impor a ‘lei e a ordem’. O presidente do clube anda com a mãe do vice-presidente, um puto novo e filho do criador do clube. Ele é o herói, do lado da justiça e da equidade e, sempre que possível, do não uso de armas – aparentemente, tem menos problemas em deixar um outro à beira da morte depois de o encher de porrada. O herói tem um filho nascido prematuramente da ex-mulher toxicodependente. O presidente e a mãe controlam o clube, são eles que o informam da sua conduta.
Ontem acordei depois de dormidas umas sete horas e fui até ao Ou Mún para a cafeína. Depois fui pagar a Internet, tendo depois passado pelo Royal para umas compras. Até à aula de mandarim, o tempo foi dividido entre a preparação e a ingestão do almoço e mais uma etapa na reorganização do caderno de mandarim. A aula correu bem, apesar da falta de estudo se fazer sentir um pouco. Depois foi o regresso a casa para uma sessão de exercícios, após a qual estive a passear na Net, tendo depois ido ter com a Paula e o Pedro para um jantar no tailandês. A sopa estava excessivamente picante. O movimento seguinte foi o da ida a casa da Cátia para beber um café e onde também ouvimos Wim Mertens enquanto cada um fazia ouvir o seu ponto de vista sobre o niilismo, Nietzsche, a moral e a presença ou ausência do Nicholas Cage no “Padrinho III”, entre outros assuntos. Vim-me embora e a seguir a isto vou-me deitar. Mais uma semana, mais cinco dias de trabalho. Mais uma volta – com novidades, como sempre.
domingo, 11 de outubro de 2009
11 de Outubro de 2009
11 de Outubro de 2009 (21:05) – Semana menos curta que a que precedeu. As aulas continuaram dentro do mesmo ritmo; a primeira leva de exercícios que preparei para as turmas de Módulo I e VI no IPOR foram entregues. Faltam preparar exercícios para mais sete unidades de matéria que será dada até fins de Janeiro. Gostaria de a passar a computador, mas é um processo que nas minhas mãos exige muito tempo por causa da minha lentidão nas teclas. Se for pelo método do ‘corte-e-cola’, popó tempo e trato de passar tudo a computador mais tarde – um investimento no futuro. Na terça-feira, fui ao CCAC apresentar a Cátia – e dizer adeus – aos meus agora ex-alunos. Ficam bem entregues: vão ser 90 minutos frutíferos e bem passados.
Em casa tudo está na mesma. Aos dias de semana só aqui venho para as refeições e para dormir ou então para, depois do almoço, voltar do trabalho. O prédio parece uma instalação contemporânea: Composição Para Três Berbequins. Não sei quanto tempo é que a obra vai demorar a executar e eu não gosto da composição porque o compositor parece não ter tido em consideração a possibilidade de o ouvinte estar próximo da fonte sonora. Não é tanto a vibração do chão e das paredes em si mesmas. É antes a perda de uma certa musicalidade. Continuo a ver documentários do John Pilger – War on Democracy, Freedom Next Time, New Rulers of The World e uma conferência em que ele diz que o Obama é uma criatura nascida do marketing político e económico –, assim como do Michael Parenti – Empire versus Democracy e Struggle For History – e do Alex Jones – o excelente The Obama Deception – com quem é preciso ter alguma cautela. Aparentemente está em curso – não sei se terá acabado – a coroação do imperador Obama: depois das Nações Unidas, recebeu agora o Prémio Nobel Da Paz. Um prémio destes tem um valor residual, pois não premeia os factos – quer dizer, sob a presidência dele ainda não morreram muitos milhares de pessoas. Talvez seja isso… A sexta-feira à noite foi uma de jantar no Boa Mesa, seguida de conversa com o Pedro, um dos tipos que lá trabalha – acho que ele não é sócio. Já ‘tenho’ mais uma nacionalidade. Segundo ele, pareço francês. Quem sabe o que se seguirá… Foi uma boa conversa, ele já esteve a viver em muitos sítios. Aparentemente, os australianos, de uma forma geral, não são bem vistos por aqui. São considerados arrogantes, os norte-americanos da Ásia. A história deles em Timor-Leste não é nada dignificante.
No sábado voltei a acordar às 7 da manhã e, depois de ter tomado banho, estive a ver o Jimi Hendrix – então com Gypsy, Sun & Rainbows – em Woodstock. Dá prazer ver e em especial ouvir a música: é um cliché dizê-lo, mas é uma música que vai resistir à passagem do tempo. É engraçado ver o concerto, pois pela postura de palco parece ser uma pessoa humilde e com pouca vontade de protagonismo. É fácil ver o gozo dele em estar a tocar – ali ou noutro sítio qualquer, suponho. Depois fui beber os meus cafés ao sítio de sempre e depois de umas compras, voltei para casa e preparei o almoço, tendo revisto – fingia que revia – a anterior aula de mandarim. Depois do almoço, lá fui para a minha terceira aula, tendo depois voltado ao Ou Mún para um chá de limão gelado – Tong Lemon Chá – com a Paula e o Pedro. Depois fui para casa passar umas coisas e, passado um bocado, estava novamente no Ou Mún para o jantar de aniversário da Cristina. Do grupo dos suspeitos só faltava a Cátia. Um par de horas bem passadas a conversar e a comer e depois o regresso a casa ao computador para pôr correspondência em dia.
Também hoje o pequeno-almoço foi ao som de Hendrix em Woodstock. Ouvir a música dele relembra-me a importância do Mitch Mitchell, o baterista. Parece possuir uma energia ilimitada e ele contribui muito para a música. Teria sido interessante ele e o Hendrix fazerem música só os dois, afim do que o John Coltrane e o Rashied Ali – morreu há pouco tempo atrás – fizeram no Interstellar Space. Do pouco que eu conheço do Coltrane – os músicos de jazz têm sempre gravações em quantidades descomunais; quase fazem dos músicos de rock, com excepção do Frank Zappa, uma bando de preguiçosos – esse é um dos meus álbuns favoritos. O outro é o Giant Steps. Depois de comprar uma caixas de CD no ‘hipermercado dos
Vou terminar com as minhas impressões acerca da música dos Blackbird e o seu Body Of Work: 1984-2004, saco de 7 CDs que agrupa todo o material de uma banda já extinta. O East is Red/ Generation 97 de 1984 soa a rock doa anos 70, dentro do que eu me lembro do estilo dos Mott the Hoople, dos Slade ou de certas coisas dos The Who, mas com um som misturado à maneira dos anos 80. Manifesto (1986), Living Our Lives (1987), People Have The Power (1989) e Uniracial Subversion (1995) mantém, no geral, um som à maneira da década de 80 do século XX, mas de
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
5 de Outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
4 de Outubro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
27 de Setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
20 de Setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
13 de Setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
8 de Setembro de 2009
Depois disso veio o jantar e vieram as conversas e, por fim, o regresso a casa, o repouso precedido do jogo de futebol Dinamarca – Portugal, que não vi até ao fim. Hoje o dia começou tarde e só saí para os cafés perto da uma da tarde. O resto do tempo foi passado em compras de artigos para a casa, o almoço, a preparação do jantar e o jantar. Amanhã vêm cá instalar a Net em casa. Até depois.