quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

31 de Dezembro de 2009

31 de Dezembro de 2009 (19:01) - É a última entrada deste ano. Foi um ano importante e os deuses sorriram-me. Não o esqueço, assim como não esqueço quem, mau grado a distância, está sempre próximo. Não esqueço quem sempre esteve presente nos maus momentos. O bom momento é deles também. O relato das aventuras vai continuar, pois elas continuarão a suceder-se. É a vida... e ela vale sempre a pena. Um bom 2010 para todos!

domingo, 6 de dezembro de 2009

7 de Dezembro de 2009

6 de Dezembro de 2009 (01:00) – Faz tempo que não apresento novidades…A vida está a acontecer: lembro-me de um comentário do Rollins aquando de uma visita dele à casa do Lemmy dizendo que ela era a de alguém que vivia a vida e não vivia ocupado com a ideia de viver a vida. Interessante, são dois artistas que respeito muito. Dizê-lo é uma coisa, outra coisa é o corpo a fazê-lo perceber.

A casa lá tem os electrodomésticos básicos mas nunca cá estou muito tempo. Há o trabalho e há tudo o resto – não sobra tempo para estar em casa em modo ‘preguiça’. Agora tenho cerca de 120 testes para corrigir: ser justo dá muito trabalho e perceber se cotamos uma pergunta com mais ou menos meio ponto, leva sempre um minuto ou dois. As contas são fáceis de fazer: é multiplicar pelo número de questões vezes o número de testes. Há muito trabalho para eu fazer e eu atrasei-me por causa dos meus projectos megalómanos – é algo que de vez em quando me sucede. É resultado de um entusiasmo grande um tudo-nada em excesso.

Fora isso, a vida corre bem: “Do you know about laughter?” – ou algo parecido – é o que diz o Robert Plant – Led Zeppelin – no Stairway to Heaven do The Song RemainsThe Same. A citação faz-me sentido porque é mesmo disso que se trata: do riso. Daí o facto de não estar a escrever muito sobre o que ando a fazer: o fazer tem-me ocupado o tempo todo. Isso tem alterado um pouco a perspectiva que tenho de Macau: essencialmente é um lugar bem situado para explorar esta zona do planeta. No fundo uma espécie de Base das Lajes…com uma maior densidade populacional. Não há medida para comparar os níveis de poluição de um e de outro sítio, embora possa dizer que Macau nesse particular estará a meio caminho entre os Açores e Pequim. Qualquer lugar é feito pelas pessoas que lá vivem; para cada um é feito pelas pessoas com quem convive. Não totalmente, mas são elas que vão conseguindo manter à distância os aspectos mais desagradáveis dos sítios. Eu estou cá há seis meses e, por isso, um certo carácter de insularidade ainda não terá mudado a minha visão ao ponto de achas Macau um sítio insalubre. A melhoria das condições de trabalho – e de rede social – relativamente ao que tinha em Portugal permitem um outro bem-estar. Tenho saudades das pessoas e quando voltar a Portugal não deixarei de perceber e sentir o que é que do país me deixa saudoso. Mas isso será o futuro a dizê-lo até ele chegar, todas estas considerações serão pouco mais do que especulações.

As aulas não são só despejar matéria para cima dos alunos – peço desculpa, discentes. Não sou – tenho dificuldade em sê-lo – um professor com grande capacidade de imaginar/ improvisar uma situação engraçada ou até de tirar partido de uma para potenciar o entusiasmo dos alunos pela Língua Portuguesa, mas estou a melhorar. Se nos poucos diálogos que vou tendo com alunos, o humor surge de vez em quando, isso deve ser prova de que há alguma empatia. No IFT isso já aconteceu; com as turmas do IPOR, nem tanto. Nem sempre me lembro disso, mas estou certo que me vou passar a lembrar destes pequenos sucessos. Até logo!!

domingo, 15 de novembro de 2009

15 de Novembro de 2009

15 de Novembro de 2009 (00:42) - Na boca fundem-se os ditos/ E precipitam-se as frases;/ Da língua fogem os tons/ E contra os dentes se afoitam." - Kalevala.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

12 de Novembro de 2009

12 de Novembro de 2009 (01:00) – Vulcões na Amadora? Pois é, o Rogério mostrou-me uma fotografia de um vulcão legendada “Amadora, Portugal”. É a prova do quanto desconhecemos o nosso país. A quarta-feira da semana passada foi um dia sem grandes sobressaltos, mas pouco produtivo. Quinta-feira o dia começou, como habitualmente no IFT. Antes das aulas da noite ainda houve uma reunião, que teve como objectivo a apresentação da nova coordenadora de língua portuguesa no IPOR. Depois lá vieram as aulas: não correram mal. Infelizmente, eles são fracos. Eles têm dificuldades em escrever mesmo perguntas simples. Faltam mais três até ao teste que ainda. Vou ver quantos exercícios consigo fazer que eles façam. Vai ser outro momento de avaliação. Quando saia da aula, uma das senhoras de limpeza estava a cantar uma canção qualquer. A reverberação da sala estava a aumentar a tristeza ou da própria canção ou da interpretação da senhora. Já houve outros ‘momentos musicais’ tão evocadores quanto estes, tais como de alguém a treinar saxofone às 11 da manhã de um sábado – ia eu a caminho do Ou Mún para os cafés – ou até quando nesse dia, passei por uma escola no Tap Seac e havia vários instrumentos a serem tocados – devia estar a decorrer uma aula.

Na sexta-feira, na pude acordar muito tarde porque tive de ir repor a segunda das duas aulas em falta no IFT. Correu bem; tenho de levar mais exercícios para eles treinarem o Presente do Indicativo e Pretérito Perfeito e os graus comparativos dos adjectivos. Já tenho mais trabalho; como não tinha mais nada que fazer… Antes das aulas, continuei com a preparação de materiais e depois vieram as aulas com uma revisão dos adjectivos e uma breve descrição dos animais. Findas as aulas, eu, a Cátia, a Paula e o Pedro fomos conversar e jantar ao Boa Mesa. Às 23h00 foi cada uma para seu canto.

Sábado foi feito das idas ao Ou Mún para cafés, uma ida à Pin-to – as compras consistiram em mais um CD dos Carsick Cars e o “Halo” dos Current 93 – e uma ida à YSIS para constatar que muito provavelmente terei de mandar vir de Hong Kong o “World Painted Blood” dos Slayer – o vizinho de cima ainda não terminou as obras. À noite, eu, a Paula e o Pedro fomos, pela primeira vez, ao Aruna’s Maharaya Indian Restaurant, um restaurante ao lado do restaurante mexicano onde já todos fomos muitas vezes. De cada vez que lá íamos, dizíamos que um dia viríamos ao indiano e, de facto, esse dia acabou por chegou. Estivemos no indiano um bocado e depois fomos ao restaurante onde trabalha o David – irmão da Cátia – para comermos uma mousse de chocolate, uma das especialidades da casa. A noite terminou com o visionamento de um filme de ficção – neste momento o nome escapa-me – que parte da história das rádios-piratas inglesas nos anos 60. Faz relembrar o que podia ser – há algum tempo que já não é – verdadeira paixão pela rádio; a verdadeira paixão pela música que os radialistas passavam e o inconformismo de sorriso na cara contra os poderes instituídos. As coisas mudaram muitíssimo daí para cá: hoje são instrumentos ao serviço da visão dos poderes instituídos – genialmente disfarçados?

Domingo foi dia de jantar no tailandês e de segunda até hoje quase tudo girou à volta das aulas, à excepção do jantar na quarta-feira com a Cátia e de uma longa e boa conversa com a Cátia. Para a semana que vem, começam os testes e ainda mais trabalho. Uma interrupção lectiva mais prolongada vinha mesmo a calhar, mas isso é coisa que vai ter de esperar até Dezembro. A vida vai correndo com notícias de teor diverso. O remate é antigo: problemas/ questões para as quais o único remédio é a resposta – solução. Voltei a escrever notícias políticas: uma recolha de coisas dadas no Democracy Now! e de outras fontes. Está tudo no endereço: aartedetersemprerazao.blogspot.com. Até depois.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

4 de Novembro de 2009

04 de Novembro de 2009 (01:00) – Por motivos de saúde de um dos elementos do grupo, acabou por não haver ida à China. Fica para outra vez; não faltarão oportunidades. Sexta-feira foi dia de aula de reposição no IFT das 13h00 às 14h20 – poucos compareceram – e de aulas de módulo I. Correram bem. Houve uma aluna de módulo I que disse que não tinha percebido o vocabulário e que não percebia o que estava ali a fazer. Era natural que ela não percebesse, pois faltou às aulas em que ele foi dado. No fim da aula, disse-lhe que na da semana seguinte eu punha-a a par. Acabada a aula, eu, a Cátia e o Rogério fomos até às ‘muralhas’ ver Buraka Som Sistema e foi um momento bem passado. Faz sentido dançar ao som da música deles e assim fiz; só não consigo ir na conversa dos incitamentos vindos do palco, venha de quem vier. A avaliar pela música nova que tocaram, o kuduro vai ser cada vez mais diluído em favor de outros elementos. Tendo em conta que era esse o tipo de música do qual partiam para outras misturas e não o inverso, vai haver uma mudança de público. Não é necessariamente mau, mas, mudando de paradigma, algumas das pessoas que os ouvem desde o princípio vão deixar de o fazer. O jantar foi no tailandês e depois cada um de nós foi para casa.

No sábado, acordei cedo, deitei-me e passei pelas brasas e depois lá me levantei, tendo tomado o pequeno-almoço antes de sair de casa. O pão da manhã foi mastigado ao som do Ozzy Osbourne em Salt Lake City em 1984 – inchado do álcool e das drogas – a promover o “Bark at the Moon”. É visível o quanto ele gosta de estar em cima do palco. O Jake E. Lee – guitarrista que entrara para substituir o Randy Rhodes – e o Bob Daisley – baixista – parecem distraídos com o público, o que me pareceu um contraste com a postura do Ozzy, que salta, corre e incita a multidão com um entusiasmo que não tem como causa maior aquilo que ele ingere. Cada vejo que o vejo em concerto, vejo simultaneamente um velho e uma criança. No concerto há um homem vestido com uma armadura, que lhe traz um tabuleiro com copos de plástico e canecas. O palco está ao fundo de uma escadaria no cimo do qual estão o baterista e o teclista e ao fundo da qual estão duas ‘estátuas’ de morcegos de asas abertas. Depois fui até ao Ou Mún e li umas páginas de Dostoievski e bebi cafés. Fui às compras e trouxe uma máquina fotográfica das mais em conta e depois fui comprar o “China Underground”, um livro escrito por um tipo americano novo – tem duas bandas, uma delas os Octagon – sobre as pessoas na China que não querem ou não conseguem integrar-se na nova China, capitalista. Depois fui para casa, almocei, acabei de ver o Ozzy e voltei a sair para mais compras. Documentei a ida e a volta com a máquina; ficaram então por comprar auscultadores com intercomunicador, uma varinha mágica, uma máquina de aquecer água – para poder ter com que fazer chás ou cafés – e um candeeiro de mesa. Depois de ter comido mais qualquer coisa, voltei a sair e fui até ao supermercado Benvindo para tratar das compras mensais, as quais seriam entregues na 2ª feira entre as 14h00 e as 16h00. Voltei a casa e estive a fazer encomendas de música à Amoeba Record Store, a qual tem discos em 2ª mão. A baixa do dólar e a relativa falta de opções em Macau tornaram a poção apelativa. O cansaço tratou de me forçar a ir dormir, deixado de lado a noite de Halloween. O do ano passado foi passado num concerto de Moonspell.

No domingo acordei às 9 horas, depois de uma noite bem dormida. Tomei o pequeno-almoço tendo por banda sonora e visual Mastodon, Lamb of God e Slayer na tournée “Preaching to the perverted”. De seguida, fui beber os cafés ao sítio do costume e o resto do dia foi passado entre a ida a casa para reabastecimento alimentar e tentativas de tratar de assuntos pendentes, quase todas bem sucedidas, nomeadamente a aquisição de um candeeiro de mesa, de uma cafeteira eléctrica, de uma varinha mágica e de uns headphones com intercomunicador – agora só falta fazer comida, fazer chá e convidar as pessoas para cá virem. O trabalho andou pouco, pois a falta de concentração era muita.

Fui cedo para a cama – cerca da meia-noite – e às 7 da manhã de 2ª feira já estava acordado. Fui tratando de tomar banho e de tomar o pequeno-almoço ao ritmo das imagens de um documentário feito pela alemã Cláudia Heuermann sobre o John Zorn, com o título “A Bookshelf on top of the sky”. Difícil de descrever: o melhor que sei é de que se trata de uma espécie de entrevista filmada, ilustrando a vida e a vida das obras de John Zorn com filmagens de concertos e/ ou ensaios. Estive no computador a trabalhar um pouco antes de ir até ao Caravela beber os cafés. Depois a ansiedade fez-me ficar um bocado maldisposto – enfim, a sensação foi a de um prenúncio de queda de tensão –, mas lá fui até ao Royal fazer compras sem, no entanto, trazer as extensões de ficha tripla de que precisava – não havia. Cheguei a casa um pouco – pouco – tonto, mas lá fiz o almoço e a coisa melhorou um pouco.

Pelo leitor de CDs, além do bastante bom “Everything” do Henry Rollins com Charles Gale e Rashied Ali, passaram os White e os Mininoise. Os primeiros são um duo de chineses de Pequim que gravaram em Berlim, com produção de Blixa Bargeld. A música é um industrial com uma pitada de electrónica, tudo bem misturado – mistura pouco crua, se a compararmos com a dos álbuns iniciais dos Einsturzende Neubauten. Bom; logo, sem arrependimentos. Os Mininoise de “Hong Kong 2008” é um objecto estranho de guitarras de vário tipo, bateria/ percussões, violino e acordeão podem ser algo como pertencendo a um filão que resulta da mistura de Lambchop, Cowboy Junkies e Yan Tiersen. Tudo cantado em chinês. Depois arrumei as minhas compras e estive a tratar de fazer compras e estive a tratar de fazer compras na Net e a tratar de estabelecer o Paypal – demora uns dias a estabelecer uma conta, por causa de um código que é preciso. O pessoal da Amoeba já deve andar um bocado irritado comigo, mas paciência, é quanto posso fazer. De pois fui e conversar e jantar com a Paula, o Pedro e a Cátia. Depois fomos beber café, após o qual foi cada um para seu lado.

Hoje – 3ª feira – acordei para as minhas aulas no IFT, as quais correram sem acidentes de percurso. De volta a casa, almocei e antes de ir para o IPOR, passei pelos correios para levantar o que viria a ser a minha encomenda Henry Rollins, a qual incluía, além de discos, uma cópia assinada do seu último livro. As aulas do módulo VI correram sem grandes ansiedades, mas foram penosas. Eles são fracos, nem sempre conseguem acertar em coisas muito simples. Depois cheguei a casa e jantei e aqui estou. Espero dentro dos próximos dias poder disponibilizar fotografias. Até depois.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

29 de Outubro de 2009

29 de Outubro de 2009 (00:14) – Para mim a televisão tornou-se uma entidade sem vida – partindo do princípio de que em tempos a fora: no serviço noticioso, a seguir ao – falso – problema nuclear do Irão vir a história de uma família que andava a experimentar um papagaio – tenho memória de que era movido a energia solar – diz tudo. A estação de que estou a falar é da BBC, de que suspeito guardei uma imagem de credibilidade que, afinal, era – pelo menos – parcialmente falsa.

Foram nove dias de um jogo novo com uma mão um pouco melhor, mas as terças e as quintas continuam a ser intranquilos dias de aulas. No fim, tudo será contabilizado e se verá qual o saldo. Na sexta-feira à noite, depois das aulas fui com a Cátia até à Lusofonia, um evento cultural levado a cabo por esta altura do ano e que dura o fim-de-semana. Muita gente de muitos sítios numa festa, logo um acontecimento onde a venda de comida e de bebida marca o decorrer dos acontecimentos. Vi lá um ou dois alunos meus e, até ao fim da noite ali, conheci mais algumas pessoas – muitos nomes e muitas caras para fixar. A Cátia estava a vender caixas e quadros e a venda correu bem. No sector alimentar, o sítio mais concorrido foi a barraca do Brasil por causa das caipirinhas – só bebi três. Da vez em que estive lá à espera para ser atendido, pude observar, apesar do barulho dos bêbados à minha frente, o trabalho das mulheres que as estavam a preparar. Era um local de trabalho pouco invejável: muitas horas de pé sempre nos mesmos exíguos metros quadrados a trabalharem ininterruptamente a grande velocidade. Umas a ‘pilar’ açúcar com um almofariz juntamente com a cachaça, outras a misturar lima e gelo e outras a encherem os copos com as doses de cachaça – havia várias garrafas dela em cima da mesa. Mais uma vez, um trabalho nada invejável e ao qual, provavelmente, se somava o extra de ter ouvir os bêbados a reclamarem por causa da falta de rapidez delas no atendimento – e de falta de entendimento delas – da sua sede. Estive ainda um pouco mais à conversa com pessoas várias até eu e a Cátia termos saído dali num táxi, chamado por dois ex-alunos meus da CPSP que estavam em formação naquela zona – pelo menos parecia. Cheguei a casa cerca das 02:38.

Acordei no sábado cerca das 08h00 e depois do pequeno-almoço no Ou Mún, voltei para casa para almoçar, tendo depois voltado a lá ir para me encontrar com a Paula e o Pedro para irmos a Zhuhai, com o objectivo de comprarmos os bilhetes de autocarro com destino a Foshuan, cidade da China que será objecto da minha visita na semana que vem. Depois das formalidades aduaneiras, fui comprar umas – por mim muito – necessitadas calças e camisolas. À excepção de um dos pares de calças, as restantes peças de roupa eram brancas. Passámos pelos DVDs e comprei Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Skinny Puppy, Slayer, Metallica e mais um documentário sobre heavy metal. Acabámos por não conseguir comprar os bilhetes porque – depois de uns minutos de troca de impressões inentendidas por ambas as partes – não era possível comprá-los com tanto tempo de antecedência. Passámos pela banca de um senhor chinês que vende anéis, colares e incenso – entre outras coisas – e um comprei um anel e duas caixas de incenso. Já com tudo tratado, fomos ao E.S.Quimo, onde comemos e conversámos durante um bom bocado. De volta a Macau, o passo seguinte foi um excelente jantar na “A Petisqueira”, depois da qual seguimos para a segunda noite da Lusofonia. Vi o Manuel a tocar guitarra no Grupo Folclórico de Macau e depois passei mais ou menos o tempo a ver o movimento e a ouvir os Quinta do Bill, os quais deram, segundo fontes fidedignas, um bom espectáculo. Não sendo um apreciador da música deles, é fácil reconhecer que a música deles é animada e a verdade é que animou as pessoas. Estava muito calor – esteve-o durante as noites todas – e eu estava um bocado cansado e eu e a minha falta de disposição voltámos cedo para casa, à qual cheguei cerca das 00:45.

No domingo, despertei de uma noite mais ou menos bem dormida que as anteriores e, ao pequeno-almoço, sucederam-se os cafés no Ou Mún. Dei umas voltas para ver de livros – não comprei nada – e depois do almoço voltei ao café acima, onde estavam o Paulo e Pedro com as minhas compras do dia anterior – então deixadas em casa deles – e combinarmos o jantar com outros suspeitos – Mané, Manuel e o filho David – num restaurante brasileiro na Nova Taipa. Ainda vim a casa ver mais Sons Of Anarchy e depois lá fui jantar. À refeição seguiu-se uma caminhada de uns minutos até à Lusofonia, que seria dominada pela actuação dos Mercado Negro, banda portuguesa de reggae. Eram bons, mas eu estava com pouca vontade de dançar. O som não me pareceu estar grande coisa, infelizmente. De resto, estive à conversa com quantos do grupo lá estavam; conversa essa pontuada pela caipirinha que a Mané me ofereceu, pela caipirinha que a Cátia partilhou comigo – tal como uma da noite anterior – e pelos licores – de um fruto cujo nome me escapa – dos Açores. Também houve tempo para um copo de sangria e depois fui-me embora com o Rogério e a Sandra de táxi – eu não tinha dinheiro.

Na segunda-feira acordei cerca das 09h00 e estive a ver o “Cunning Stunts” dos Metallica, um dos DVDs de Zhuhai… quer dizer, feito lá. É estranho ver aquilo porque, de facto, hoje a onda é outra: menos arrogante, mesmo um Lars Ulrich, o qual continuará a ser talvez o menos preferido pelos fãs da banda. O DVD retrata a digressão do Load e é provável que o espectáculo deles consuma tanta energia quanto droga. Aquilo começava a ser muita pose. Hoje há pouca, mas aquilo é uma multinacional: se é verdade que quando dão 50 mil dólares ara ajudarem na investigação do desaparecimento de uma fã deles num concerto mostram preocupação, também é verdade que o fazem porque podem. Também é uma boa campanha de RP, mas aqui se calhar estou a ser cínico. Mas lá tomei o pequeno-almoço e fui até ao Caravela para os cafés e para ver se conseguia ler ou escrever alguma coisa. Já era meio-dia e uns trocos e havia muita gente a almoçar. Muito barulho. Vim para casa e tratei do almoço, depois de ter procurado por um candeeiro de mesa na Daiso – sem sucesso. A seguir, estive a tratar de assuntos pela Net, nomeadamente ver com a Cátia o teste para os alunos do CCAC. Às 19h15 encontrei-me com o grupo de suspeitos habituais para irmos ver os Delfins, naquilo que é a última digressão deles. Chegámos ao castelo – ou fortaleza ou outro edifício qualquer do qual só sobravam algumas muralhas ou muros – e sentámo-nos. As minhas reservas eram grandes: eles a partir de certa altura começaram a editar discos com músicas que oscilavam entre o aborrecimento e um aborrecimento grande, sem esquecer aquilo que parecia uma certa pose, em especial do vocalista Miguel Ângelo. À hora marcada lá começaram e o que eu digo é que gostei do concerto. As músicas sofreram importantes arranjos rítmicos e harmónicos – enfim, o suficiente para serem vizinhos da estranheza. Aquilo estava mais rock – por si só não quer dizer nada – e a verdade é que aquilo ganhou vida. Foi fácil perceber que o Rui Fadigas – baixista – é o condutor. A secção rítmica foi, como é de regra em qualquer banda, o grande motor da banda. Os outros portaram-se bem. O Miguel Ângelo não se saiu mal, à parte uma ou duas tiradas redundantes para o objectivo do espectáculo, que é a música: que ele tenha gravado/ convivido em estúdio com o Carlos do Carmo ou que tenha gravado em Inglaterra só é um facto pertinente e verdadeiramente relevante para os da banda. Deixando de lado o aparte, o importante é que gostei de ter presenciado o concerto. Dancei ao som da música daquele concerto, vários são os que o podem testemunhar. O som do PA estava impecável e, quando no fim do concerto vi Carlos Cruz – ex-colega de curso da EPMAA com quem falei um bocado – por detrás da mesa de mistura percebi que o resultado não poderia ter sido outro. Depois fomos ao tailandês para umas doses de conversa e de comida, findas as quais foi cada pessoa para sua casa.

Terça-feira foi dia de IFT – correu bem – e de módulo VI, que não correu mal, mas cometi um ou dois erros, todos falta de concentração… e da lembrança que eles seguem à risca as regras que estão no livro. Quarta-feira foi dia de módulo I e de olhar para as provas dos alunos do CCAC com base no teste escrito da Cátia. Alguns revelavam sinais pouco auspiciosos, mas seria coisa que se viria a revelar sem fundamento, embora tivesse sido estranho que só dez tivessem feito o teste. Quinta-feira/ hoje foi de relativa tranquilidade, as aulas correram bem e não houve grandes acidentes. Os testes escritos dos alunos do CCAC tiveram notas elevadas e lembrei-me dos meus alunos da polícia. Ainda bem que tudo terminou bem. Foi um bom prémio para ambos, para ela especialmente. A próxima semana trará mais novidades, pois há uma ida à China. Até depois.

domingo, 18 de outubro de 2009

19 de Outubro de 2009

19 de Outubro de 2009 (00:25) – “Projecto dos Serviços Juvenis na Área dos Comportamentos Desviantes” é bonito, não é? Era assim que estava no cartaz da montra de um escritório de um departamento governamental – escapa-me o nome. Fiquei a pensar que não será só na China que há algo assim. Havê-lo-á em Portugal? Caso não haja, não creio que o dia venha longe.

A semana foi uma de alguma ansiedade, em especial por causa do módulo VI: dera-lhes como TPC a escrita de uma previsão astrológica inventada para o ano de 2010, cujo objectivo era treinarem as expressões de futuro, Futuro do Imperfeito incluído. Vimos vocabulário. Tinha de lhes ter dado um ‘modelo para eles seguirem. Em vez disso, expliquei-lhes o que pretendia. Terminada a explicação, fiquei com impressão de que não tinham reagido muito bem; isto é, não perceberam o que haviam de fazer. Na 5ª feira, corrigi o erro arranjando-lhes um modelo, que levei algum tempo a conseguir escrever – claro que primeiro achei que era uma coisa complicada de se fazer. Não achava nada na Net que seguisse o esquema que eu tinha imaginado: uma estrutura onde eu pudesse simplesmente substituir uns substantivos, adjectivos e verbos por outros. Claro que a solução era algo tão simples como copiar – inventando aqui e ali – uma previsão já existente de um signo qualquer, que lhes desse uma ideia do pretendido. Na aula de 5ª feira ditei-lhes o texto e depois vimos vocabulário. Pareceram-me mais esclarecidos. A aula correu bem, ao invés da de 3ª feira: uma das causas do nervosismo é a auto-avaliação do meu desempenho, adequada preparação das aulas incluída. Não gosto de responder ‘não sei’ quando me fazem uma pergunta: não me parece uma resposta que eu veja neles como tendo ficado com boa impressão. Parece faltar uma resposta mais sintáctica e um pouco menos semântica. O que acontece é que eles com a gramática não se dão mal; já com o lado semântico a coisa não corre muito bem. A solução é simples: tenho de agir.

Aqui o tempo está a ficar cada menos húmido, logo suportável até nos poucos dias de algum calor das últimas três semanas. Depois do jantar com a Paula e o Pedro na 6ª feira, passei pela Pin-to e a única coisa que me fez gastar dinheiro – 80 patacas – foram dois CDs dos Soul Coughing. Só tenho primeiro álbum; e só em cassete. Enfim, gosto da banda e por isso considero o dinheiro bem gasto. A Pin-to anda parca em certo tipo de novidades. Nem sempre me apetece ouvir música electrónica experimental. A Saji 1 e a Saji 2, colectâneas editadas pela Subjam que comprei em Hong Kong, caem dentro desse género. A música é agradável e interessante e com uma identidade tão própria que me parece fazer fronteira com a falta de identidade. É uma música intimista, embora diferente da de 1926, grupo ou artista de quem não sei nada: o CD que eu tenho é uma música ‘pianística’ – só um dos temas tem fita pré-gravada – que oscila entre o lirismo clássico e o lirismo contemporâneo. É agradável, mas faltam-lhe temperos.

No sábado a manhã começou com a vinda ao Ou Mún para os cafés. Depois de “Broken Summers” de Henry Rollins, comecei a ler “Os Irmãos Karamazov” de Dostoievski. Uma vida interessante: até certa altura viciado no jogo, terá também participado numa conspiração política que o levou a ser condenado à morte por fuzilamento. Porém, no último instante, a sua pena ficou reduzida a quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Regressaria a S. Petersburgo dez anos depois um homem profundamente modificado. Já tinha lido outras coisas dele; o estilo e a pertinência são marcas que também este trabalho exibe. A estrutura das histórias e a forma de as contar são simples. São os assuntos e os traços de personalidade das personagens que operam a magia. Depois disso, estive o resto do dia em casa a trabalhar e acabei algumas das coisas que tinha em mãos, nomeadamente por em ordem o caderno de mandarim. À noite vi três episódios da primeira série do “Sons of Anarchy”, de Kevin Sutter, o qual também esteve por detrás do “The Shield”, uma série à volta do dia-a-dia e das tricas de uma esquadra de polícia e que contava com a Glen Close no elenco. Em comparação, o “Sons of Anarchy” é mais limpo, menos claustrofóbico. A série gira à volta de um bando de motoqueiros que se dedica ao tráfico de armas na sua vila ‘perdida’ no interior dos Estados Unidos. Há os negros que traficam cocaína ou heroína, os mexicanos que também traficam armas – logo rivais dos motoqueiros brancos – e os nazis com uma fábrica de metadona e que estão a tentar invadir Charming, a aldeia. O outro bando é o da polícia, a qual tenta gerir, por intermédio do seu velho chefe, a paz e a estabilidade do sítio trocando favores com um seu conhecido de há muito, o presidente do clube de motoqueiros – o polícia novo, sedento de ordem e progresso, quer impor a ‘lei e a ordem’. O presidente do clube anda com a mãe do vice-presidente, um puto novo e filho do criador do clube. Ele é o herói, do lado da justiça e da equidade e, sempre que possível, do não uso de armas – aparentemente, tem menos problemas em deixar um outro à beira da morte depois de o encher de porrada. O herói tem um filho nascido prematuramente da ex-mulher toxicodependente. O presidente e a mãe controlam o clube, são eles que o informam da sua conduta.

Ontem acordei depois de dormidas umas sete horas e fui até ao Ou Mún para a cafeína. Depois fui pagar a Internet, tendo depois passado pelo Royal para umas compras. Até à aula de mandarim, o tempo foi dividido entre a preparação e a ingestão do almoço e mais uma etapa na reorganização do caderno de mandarim. A aula correu bem, apesar da falta de estudo se fazer sentir um pouco. Depois foi o regresso a casa para uma sessão de exercícios, após a qual estive a passear na Net, tendo depois ido ter com a Paula e o Pedro para um jantar no tailandês. A sopa estava excessivamente picante. O movimento seguinte foi o da ida a casa da Cátia para beber um café e onde também ouvimos Wim Mertens enquanto cada um fazia ouvir o seu ponto de vista sobre o niilismo, Nietzsche, a moral e a presença ou ausência do Nicholas Cage no “Padrinho III”, entre outros assuntos. Vim-me embora e a seguir a isto vou-me deitar. Mais uma semana, mais cinco dias de trabalho. Mais uma volta – com novidades, como sempre.

domingo, 11 de outubro de 2009

11 de Outubro de 2009

11 de Outubro de 2009 (21:05) – Semana menos curta que a que precedeu. As aulas continuaram dentro do mesmo ritmo; a primeira leva de exercícios que preparei para as turmas de Módulo I e VI no IPOR foram entregues. Faltam preparar exercícios para mais sete unidades de matéria que será dada até fins de Janeiro. Gostaria de a passar a computador, mas é um processo que nas minhas mãos exige muito tempo por causa da minha lentidão nas teclas. Se for pelo método do ‘corte-e-cola’, popó tempo e trato de passar tudo a computador mais tarde – um investimento no futuro. Na terça-feira, fui ao CCAC apresentar a Cátia – e dizer adeus – aos meus agora ex-alunos. Ficam bem entregues: vão ser 90 minutos frutíferos e bem passados.

Em casa tudo está na mesma. Aos dias de semana só aqui venho para as refeições e para dormir ou então para, depois do almoço, voltar do trabalho. O prédio parece uma instalação contemporânea: Composição Para Três Berbequins. Não sei quanto tempo é que a obra vai demorar a executar e eu não gosto da composição porque o compositor parece não ter tido em consideração a possibilidade de o ouvinte estar próximo da fonte sonora. Não é tanto a vibração do chão e das paredes em si mesmas. É antes a perda de uma certa musicalidade. Continuo a ver documentários do John Pilger – War on Democracy, Freedom Next Time, New Rulers of The World e uma conferência em que ele diz que o Obama é uma criatura nascida do marketing político e económico –, assim como do Michael Parenti – Empire versus Democracy e Struggle For History – e do Alex Jones – o excelente The Obama Deception – com quem é preciso ter alguma cautela. Aparentemente está em curso – não sei se terá acabado – a coroação do imperador Obama: depois das Nações Unidas, recebeu agora o Prémio Nobel Da Paz. Um prémio destes tem um valor residual, pois não premeia os factos – quer dizer, sob a presidência dele ainda não morreram muitos milhares de pessoas. Talvez seja isso… A sexta-feira à noite foi uma de jantar no Boa Mesa, seguida de conversa com o Pedro, um dos tipos que lá trabalha – acho que ele não é sócio. Já ‘tenho’ mais uma nacionalidade. Segundo ele, pareço francês. Quem sabe o que se seguirá… Foi uma boa conversa, ele já esteve a viver em muitos sítios. Aparentemente, os australianos, de uma forma geral, não são bem vistos por aqui. São considerados arrogantes, os norte-americanos da Ásia. A história deles em Timor-Leste não é nada dignificante.

No sábado voltei a acordar às 7 da manhã e, depois de ter tomado banho, estive a ver o Jimi Hendrix – então com Gypsy, Sun & Rainbows – em Woodstock. Dá prazer ver e em especial ouvir a música: é um cliché dizê-lo, mas é uma música que vai resistir à passagem do tempo. É engraçado ver o concerto, pois pela postura de palco parece ser uma pessoa humilde e com pouca vontade de protagonismo. É fácil ver o gozo dele em estar a tocar – ali ou noutro sítio qualquer, suponho. Depois fui beber os meus cafés ao sítio de sempre e depois de umas compras, voltei para casa e preparei o almoço, tendo revisto – fingia que revia – a anterior aula de mandarim. Depois do almoço, lá fui para a minha terceira aula, tendo depois voltado ao Ou Mún para um chá de limão gelado – Tong Lemon Chá – com a Paula e o Pedro. Depois fui para casa passar umas coisas e, passado um bocado, estava novamente no Ou Mún para o jantar de aniversário da Cristina. Do grupo dos suspeitos só faltava a Cátia. Um par de horas bem passadas a conversar e a comer e depois o regresso a casa ao computador para pôr correspondência em dia.

Também hoje o pequeno-almoço foi ao som de Hendrix em Woodstock. Ouvir a música dele relembra-me a importância do Mitch Mitchell, o baterista. Parece possuir uma energia ilimitada e ele contribui muito para a música. Teria sido interessante ele e o Hendrix fazerem música só os dois, afim do que o John Coltrane e o Rashied Ali – morreu há pouco tempo atrás – fizeram no Interstellar Space. Do pouco que eu conheço do Coltrane – os músicos de jazz têm sempre gravações em quantidades descomunais; quase fazem dos músicos de rock, com excepção do Frank Zappa, uma bando de preguiçosos – esse é um dos meus álbuns favoritos. O outro é o Giant Steps. Depois de comprar uma caixas de CD no ‘hipermercado dos 300’ Daiso – á porta do qual fui ‘assediado’ por uma filipina. Não é só nas discotecas, pelos vistos… – vim para casa e almocei enquanto via o John Pilger na Melbourne Writers Festival – para falar de Power, Propaganda and the Silence Of Writers. Depois acabei de passar a limpo um trabalho que fiz na faculdade sobre o Malangatana: está feito, menos uma coisa pendente. Depois disso fui à minha sessão de exercício, após a qual jantei.

Vou terminar com as minhas impressões acerca da música dos Blackbird e o seu Body Of Work: 1984-2004, saco de 7 CDs que agrupa todo o material de uma banda já extinta. O East is Red/ Generation 97 de 1984 soa a rock doa anos 70, dentro do que eu me lembro do estilo dos Mott the Hoople, dos Slade ou de certas coisas dos The Who, mas com um som misturado à maneira dos anos 80. Manifesto (1986), Living Our Lives (1987), People Have The Power (1989) e Uniracial Subversion (1995) mantém, no geral, um som à maneira da década de 80 do século XX, mas de 1986 a 1995 vão refinando o seu modo de expressão, com um momento de experimentalismo sonoro, muitas vezes partindo da inclusão de fitas pré-gravadas. Estilisticamente, o seu rock é normalmente de tipo ligeiro, mas entremeiam-no com blues, reggae e até um punk rock sujo que me lembra os Crass. As preocupações são de tipo libertário e, além de temas ecológicos, falam muito da opressão dos trabalhadores em todo o mundo, socorrendo-se de gente do meio socialista operário de finais do século XIX e inícios do do XX – além de versões de canções da Patti Smith. A instrumentação é, com excepção do aparecimento do ehru – violino chinês – em alguns dos temas, baixo, bateria, sintetizador, guitarra, fitas pré-gravadas e voz. Singing In the Dead Of Night (2004), mantém muitas das características anteriores, mas a mistura parece melhor: mais limpa, sem tanta bateria tratada. Outra mudança é a da maior presença do ehru nas canções. Característica que sempre mantiveram foi o de cantarem em mandarim – suponho eu – e em inglês, com preponderância clara da primeira das línguas. Com excepção dos dois álbuns menos antigos, muitos deles tinham algo que me lembrava os Minimal Compact, fosse qual fosse o tipo musical – memórias musicais de Clash e Crass também foram evocadas durante a audição. Parece-me que seria por causa do timbre de voz do vocalista e do seu modo de inflexão. Não é possível classificá-los imediatamente; o seu interesse não parece exclusiva ou primordialmente musical. As que embalagens que escolheram, capas de cartolina/ cartão pardo e folhetos desdobráveis de papel pardo, dizem muito acerca deles. Eu diria que a grande inspiração deles foram os Beatles – ou o John Lennon – ainda que a música de uns e de outros tivesse sido muito diferente. Ouvi-los foi tempo bem empregue – voltará a sê-lo quando os ouvir de novo. Verei o que me reserva esta semana que agora começa. Até depois.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

5 de Outubro de 2009

5 de Outubro de 2009 (19:12) – O dia de sexta-feira também foi bom e intenso. Mais uma daquelas ocasiões em que, quando o nervosismo e a preocupação, sobretudo relacionados com as aulas, não tomam conta de mim, vejo a minha vinda para aqui como um espécie de bênção. A outra versão disto é que esta oportunidade surgiu e eu, contrariamente a outras ocasiões, agarrei-a. Materialmente falado, tinha tudo para isso; e eu também estive à altura – já disse isto demasiada vez. Adiante.
Na sexta-feira o ponto de encontro foi à mesma hora e no mesmo sítio do dia anterior. Depois dos cafés, fomos até à Ponte nº12 – salvo erro, o Porto Yuengtong – para irmos até Jiuzhou, em Zhuhai. Comprámos os bilhetes, preenchemos o boletim de saúde, demos o BIR ao funcionário da alfândega, após o que saímos para o exterior e esperámos. No interior, que lembrava o ambiente d o antigo centro de saúde do Cacém, a senhora tinha dito que o percurso demoraria cerca de 30 minutos – a travessia propriamente dita não demorou mais de três minutos. Esperámos de 10 a 15 minutos para que pudéssemos entrar a bordo do barco, do qual estavam a sair aqueles que tinham chegado a Macau. Estávamos na fila, mas aparentemente havia uns quantos impacientes e puseram-se à frente de toda a gente, em parte para tentarem perceber o que se estava a passar. São muitos os chineses a não respeitarem quem chegou primeiro; mas, tal como com o arroto e a cuspidela, não são uma minoria aqueles que não acham graça. As passadeiras não fazem os automobilistas pararem, apenas o fazendo a existência de um peão-obstáculo – incontornável – no seu caminho. Os peões também fazem das suas: se uma multidão decide atravessar mesmo com o sinal verde para os muitos carros prontos a arrancar, atravessam com a toda a calma.
A embarcação a bordo da qual fomos era uma versão mais pequena e mais de despida de um cacilheiro já velho e sentámo-nos nos bancos de madeira que por lá havia e três minutos depois já nos estávamos a levantar para sairmos. Depois das formalidades alfandegárias habituais para entrarmos na China, saímos para o exterior de praça grande com duas bandeiras. Decidimos continuar pelo nosso lado direito – ir em frente – e ver o que o local nos oferecia. As construções eram semelhantes às que tinha visto para os lados de – também Zhuhai – Gongbei: pouco cuidadas, com muitos pisos e bastantes apartamentos por piso, com os passeios e as ruas cobrindo-se de folhas caídas. Dirigimo-nos para a zona mais à beira do rio. Havia ali um informal micro-mercado ao ar livre, onde vendiam comida e bugigangas: tentaram tentar-nos, mas nada encontrámos ali que pudesse ser tentador.
Descemos um pouco até ao espaçoso caminho cimentado mesmo à beira do rio. Estava um dia solarengo, a humidade estava dentro de limites relativamente suportáveis e havia sombra, dada pelas árvores a meia dúzia de metros do sítio onde estávamos. A dada altura do nosso caminho, vi dois polícias que caminhavam na nossa direcção e, com as mãos, fizeram-nos saber que deveríamos sair dali e subir para a parte superior mais próxima dos prédios. Seguimos as indicações deles, embora não tivéssemos imediatamente tentado imaginar qual seria o motivo para aquilo, embora tivéssemos conjecturado, com algum grau de acerto, que aquele caminho seria zona de acção militar ou policial e portanto, será proibida a circulação a pessoal civil ou outro sem autorização. A dado momento, virámos à esquerda, até darmos com uma espécie de condomínio fechado com fábricas, nas quais as pessoas que ali moravam trabalhavam. Aquilo tinha dois pontos de entrada – já tínhamos passado por um deles – e ambos tinham lá seguranças a ver quem entrava e quem saía.
Contornámos o ‘condomínio’ e fomos em sentido oposto àquele que fizéramos, agora junto à larga e grande avenida paralela ao rio e da qual não conseguia perceber nem fim nem princípio. Voltámos a passar pelo terminal marítimo e ponto seguinte da nossa curiosidade foi um pequeno mercado de peixe e marisco vivo, os quais – segundo disseram à Paula uns alunos dela – podiam ser levados a um restaurante ali das proximidades para serem cozinhados e comidos. Quarenta ou cinquenta metros depois de termos deixado mercado para trás, chegámos ao porto de onde saíam ‘cruzeiros’ panorâmicos em volta da península de Macau. Depois de um período de procura de bilhetes – cada uma custaria 80 RMB – e de horas e locais de partida, o Pedro lá encontrou um tipo que falava inglês e, com ajuda dele, lá fomos fazer o cruzeiro. Para irmos para o deck – ou deque – superior tivemos de desembolsar mais 10 RMB… nós e muitos outros.
Sentámo-nos numa mesa pequena de maneira a tentar impedir que alguém também ali se instalasse, mas sem sucesso – não tenho a certeza que todos percebam o que é ser invasivo; foi como esta a almoçar sozinho no restaurante e na minha mesa de 60x60 sentar-se um estranho à minha frente para almoçar também. O barco começou a andar e, sentado de frente para a popa, tinha Macau à minha direita. Tudo estava do lado oposto ou abrigado do sol quando, de repente, a multidão partiu freneticamente em direcção à minha direita, tentando apanhar os melhores lugares – sentado num banco de plástico encostado a uma grade de ferro – para, extaticamente, poderem ver a paisagem. De uma forma geral, tendo em conta que os chineses são extremamente consumistas, percebi que eles eram fáceis de controlar. Não chegou a ser uma epifania, mas aquele episódio tornou mais tangível a relativa facilidade com que o governo central chinês exerce o seu controlo. Basta estar na alfândega e ver como agem os funcionários: percebe-se que seguem as regras de perto, mas apenas para não perder a face. Seriam uma dádiva para qualquer governo ocidental – talvez isto não passe de um erro de análise. Durante o trajecto à volta de Macau – só foi até à zona dos casinos, não longe da estátua de Kun Iam, a Deusa da Misericórdia –, foram muito poucos os que não participaram no acto de tirarem fotografias ou da paisagem ou uns aos outros. Foi uma constante ao longo do percurso, era como se aquilo fosse um trabalho pago à peça.
Regressados ao porto, foi decidido voltarmos a Macau para o almoço. À chegada a Macau e após o barco ter atracado, o frenesim voltou a tomar conta da multidão, com as pessoas a atropelarem-se umas às outras – o Pedro, aquando da saída, tinha estado a tentar fazer de muro para uma senhora de idade poder passar, mas havia quem não quisesse saber disso; só queriam era passar à frente, fosse como fosse – eu não quero estar no meio de uma multidão aqui se ocorrer alguma emergência. Este tipo de episódios são frequentes aqui, de uma forma mais acentuada do que em Lisboa. Fomos ao Boa Mesa e, chegada a comida, foi o silêncio que imperou. Dali foi cada um para sua casa par, se a memória não me falha, nos voltarmos a encontrar no tailandês para o jantar – provavelmente o mais leve que ali comemos.
O Sábado foi feito de cafés no Ou Mún e das duas horas da aula de mandarim. Há muito para memorizar: é uma língua que requer esse modo específico de apreensão de conhecimentos mais do que qualquer outro. Depois da aula, voltei a casa e li e tratei de material para as aulas, tendo voltado a sair para o jantar no D. Afonso III com a Paula e o Pedro. Depois de jantados, fomos ver do bar de jazz: estava fechado. Seguimos até ao Jardim Camões – encontrei lá dois polícias que tinham sido meus alunos no curso da manhã que dei na CPSP – e vimos – o possível – da Fundação Oriente. É uma zona bonita e silenciosa, longe do reboliço. No jardim, caminhei descalço por cima de um caminho feitos de pedras pequenas que, segundo a Paula, os velhotes dizem ser bom para a coluna. Aquilo doía um bocado, mas lá consegui ir até ao fim.
Dali fomos até um bar que eles conheciam – o nome escapa-me – e estivemos lá umas horas à conversa. O tipo que estava no balcão – acho que era o dono – era português e contou-nos uma ou outra história. A que me ficou na memória foi a da viagem dele de mota ao Sri Lanka junto ao mar e ser preso durante uma semana, tendo sido informado que aquela era uma zona minada, na qual três franceses haviam perdido a vida algum tempo antes. O guarda que lhe levava a comida chamava-se Fernando – é o legado português num porto de passagem onde os portugueses nunca se instalaram. Aparentemente, há muitos nomes e apelidos em portugueses, mas é facto desligado de uma efectiva e prolongada permanência no território. Cada um depois foi para a sua casa e ontem o vinho e o whiskey fizeram do dia um período de tempo penoso. Ainda assim, bebi cafés, fiz compras, escrevi, fiz exercício, jantei e passei a computador aquilo que tinha escrito. Hoje acordei depois de uma noite de oito horas bem dormidas e fui tratar de, entre outros assuntos, pagar a renda, cafés no Caravela incluídos. A preparação do almoço e o deglutir da refeição forma ao som de dois berbequins, um no 12º andar e outro no 17º. Foi difícil não perder a cabeça.
Já jantei e ainda vou pensar nas aulas de amanhã e na apresentação da Cátia aos alunos do CCAC, assim como na entrega das listas de faltas do mês de Setembro. Já não falta tudo para o fim da semana.

domingo, 4 de outubro de 2009

4 de Outubro de 2009

4 de Outubro de 2009 (21:26) – Foi uma semana de trabalho mais curta, a razão o 60º aniversário da implantação da república popular na China, a qual é comemorada durante dois dias. Este ano calhou serem na quinta e na sexta-feira. Ainda bem.
As aulas correram bem, mas para a semana espero que já tenha o material extra todo pronto para lhes dar e só então estarei verdadeiramente descansado. As probabilidades são reduzidas. As aulas no IFT vão precisar de algo mais do que as folhas que tenho, pois não me parece que eles estejam seguros quanto aos seus conhecimentos de português. Vão ser precisas revisões de compreensão oral, até porque não deve haver tempo para mais. O pessoal do Módulo I está prestes a entrar em cena mais uma vez; isto é, para a semana que vem vão fazer uso do que lhes ensinei. Os do Módulo 6 também vão ter de fazer compreensão oral. De segunda a quarta-feira, o tempo – fora o das aulas – foi passado a preparar material e a esquecer-me disto e daquilo no IPOR. Na quarta-feira fui almoçar com a Cátia para prepararmos as aulas dela no CCAC – ontem vi que ela não vai ter muito tempo para acabar a unidade 3, terei de ver quantas horas é que ela vai ter ao certo, teste incluído. O almoço foi interessante: é sempre interessante conhecermos os outros e darmo-nos a conhecer. A última noite da semana de trabalho terminou com um jantar no restaurante chinês do Leal Senado onde servem pratos tailandeses – eu escolho sempre o Singapore Fried Vermicelli.
Na quinta-feira de manhã, depois dos cafés no Ou Mún, parti para Zhuhai com a Paula e o Pedro. Chegámos de autocarro às Portas do Cerco – é lá o terminal –, um treta da qual só sobrou uma parede com um arco – imaginem uma secção de um aqueduto pequeno pintado de amarelo post-it – e tirámos uma fotografia, antes de entrarmos para dentro do terminal alfandegário de construção recente. Com o meu BIR e a minha impressão digital as cancelas electrónicas escancaram-se de par em par facultando-me a saída de Macau. Caminhei numa zona de ninguém convenientemente pavimentada e entrei no terminal de Gongbei – tal como o outro tinha lojas de duty free e pastelarias – o qual servia de ponto de entrada na China continental. Depois de preenchidos a declaração de saúde e um cartão de imigração – chegada e entrada separados por um picotado – e esperarmos na fila atrás da linha amarela pela nossa vez, mostrei o passaporte, enquanto a funcionária se certificava de que era eu a pessoa que estava de pé em cima dos pés vermelhos pintados no chão. Carimbado o passaporte, saí para o ar natural exterior da China continental.
Ficou decidido que a vista ao centro comercial mesmo à beira do terminal alfandegário ficaria para a vinda. A nossa missão era a visita a um dos sítios que constavam de uma folha de sugestões – não me lembro por quem foram dadas – que a Paula tinha. Quando olhei à minha volta, além de pessoas, vi um largo razoavelmente grande, na orla do qual estavam edifícios altos e de onde partia ma avenida larga, ladeada por palmeiras pouco viçosas e, segundo pude investigar, com 300 metros de comprimento – teria a via mais do que uma avenida? No topo de um dos edifícios estava uma televisão gigante, que me fez esquecer a profusão delas existentes no interior do terminal alfandegário do qual tinha saído – a única forma de evitar o contacto visual com aquela aparição orwelliana era ou fechar os olhos ou olhar para o chão. Após breve conferência, ficou decidido que iríamos ver o New Yuan Ming Palace. Foram precisos alguns minutos e a simpatia e presteza de um chinês – estava a vender bandeiras – e de uma chinesa – à espera de ser passageira de um autocarro – para apanharmos, do lado certo da rua, a carreira nº1, uma das que tinha paragem próxima do nosso destino. Havia muita gente na rua a comemorar aquela a implantação da República Popular da China e a vender bandeiras. O tráfego era intenso, mas não me pareceu que fosse muito mais que o habitual: Zhuhai é a terceira maior cidade da província de Cantão, salvo erro a mais industrializada do país. Mora aqui muita gente mas, contrariamente a Macau, é bastante espaçosa.
Lá apanhámos o 1 e descemos na paragem próxima do palácio. Fomos às bilheteiras, demos 120 renminbis por entrada e lá entrámos. O palácio é uma réplica ampliada de um existente em Pequim e que está profundamente ligada à história da China, quer por o Palácio Yuan Ming pertencer à primeira dinastia de imperadores chineses, que por os jardins imperiais terem sido queimados por tropas francesas e britânicas durante a Segunda Guerra do Ópio – aliás, essa destruição é, na China de hoje, ainda um símbolo de agressão estrangeira e humilhação. O espaço incluía uma espécie de aquaparque, um lago muito grande – há outro mais pequeno – e outros pontos de diversão, os quais incluem espectáculos a bordo de embarcações que circulam no lago maior. É sítio com muita sombra e muita humidade. Passeámos durante um bocado e ainda se falou numa viagem de teleférico para se ver a vista, mas os 60 renminbis facilmente nos dissuadiram dos nossos intentos.
A paragem seguinte foi à beira do lago, onde havia uma casa de madeira, onde se escrevia o nome em chinês de quem lá fosse pagar para ser feito – já numa outra casa do outro lado do lago me tinha dado a vontade. Lá me decidi e então a senhora disse-me que fazê-lo custava 50 RMB e pediu-me o nome. Eu dei-lhe o meu e mais os dois de família e ela escreveu-o em mandarim com os caracteres chineses. Gastei mais 120 RMB e comprei um quadro – um rolo em baixo e outro em cima – de seda, onde tinha o papel onde seria escrito o meu nome quase completo. Deu-o ao calígrafo, um tipo novo que fez um poema partindo do que a senhora lhe tinha dado. Em cima da mesa tinha a carteira profissional, da qual constava o nome do seu mestre – segundo informação da senhora, um dos mais afamados na China. Com um pincel preto bastante grosso lá escreveu desenhando o poema e terminou aquilo com a aposição de três carimbos e o nome do seu mestre, em sinal de respeito e homenagem. Aparentemente eles nunca assinam as obras com o seu próprio nome – de qualquer modo, o quadro está pendurado na minha sala. Demos mais uma volta e fomos almoçar, não sem antes termos reparado que havia muitos chineses a olhar para nós. Chegámos à conclusão que seria por, possivelmente, sermos os únicos ocidentais que ali havia – eu não vi nenhum em todo tempo que ali estivemos. Depois de almoçados, fomo-nos embora.
Novo problema: onde apanhar o autocarro de volta – normalmente, uma dada carreira aqui não faz o mesmo percurso à ida e à volta. O que acabou por acontecer foi apanharmos um autocarro até ao fim da linha e depois fazermos a volta até ao posto fronteiriço. A viagem acabou por ser demorada porque foram quase duas vezes percursos longos que só passaram por 4 ou 5 avenidas. Valeu a pena: as pessoas continuavam a olhar para nós fomos passando por aquilo que pareciam subúrbios. É imaginar uma Pontinha ou um Camarate várias vezes maior, localizada numa área relativamente plana, com sítios cheios de gente e sujidade e prédio muito altos entremeados com oficinas e fábricas. Tanto as pessoas quanto as construções têm um ar gasto e é grande a lista de razões. É difícil de descrever a escala correcta daquilo que assaltou os meus sentidos naquela viagem. Tudo é vasto e há muita gente a trabalhar ali, apesar de Zhuhai ser um sítio relativamente agradável para se viver. Em toda a viagem não vi mais nenhum ocidental, apenas o olhar admirado de alguns dos passageiros chineses e até uma postura que parecia de receio quando nos sentávamos ao lado deles. Nada disso me incomodou.
Já na avenida do posto fronteiriço, voltei a ver a discoteca – casino? – Yesterday, uma construção cuja fachada cruzava a traça de vários monumentos egípcios – Gizé, Esfinge e Luxor – decorado por – talvez falsos – baixos-relevos, tudo coberto com tinta dourada foleira. Cinco minutos depois, desci do autocarro para a rua, agora com mais gente do que de manhã. Um polícia – parecia da PSP – em modo de passeio e que tinha passado por mim, haveria de, uns metros adiante, ir atrás de – e apanhar – um miúdo que estava a vender coisas no passeio, para de seguida deixá-lo, virar-se e começar a embirrar com o calígrafo sem antebraços que estava no passeio a desenhar para tentar fazer algum dinheiro. Depois de atravessada a praça, descemos por umas escadas rolantes até ao ‘centro comercial’, uma galeria labiríntica de lojas de tecto baixo facilmente do tamanho do Colombo e no qual as indicações se resumem a pouco mais do que os letreiros verdes a indicar a saída. O átrio, ao qual vão dar as escadas rolantes, foi tomado por bancas que vendem ou tabaco ou vendem telemóveis e acessórios electrónicos vários. Comprei uma caixa com 10 filmes do Jim Jarmush, a primeira série do Sons of Anarchy, um concerto-documentário com o John Zorn e um leitor ‘universal’ de formatos digitais – um LUFD. Comprei também um duplo CD dos Metallica, composto do último álbum e do ‘álbum preto’, embora uma das fotografias interiores tivesse sido tirada do “Master of Puppets”. Adquiri também um suporte para incenso num senhor cujo negócio principal era o dos colares, anéis e estatuária, tendo tido direito a um shot de chá.
O regresso a casa foi feito pelo mesmo caminho e passando pelas mesmas formalidades. Chegado a casa, pus o aparelho a funcionar, fiz o jantar, trabalhei um pouco e depois fui-me deitar. O dia de Sábado fica para amanhã.

domingo, 27 de setembro de 2009

27 de Setembro de 2009

27 de Setembro de 2009 (21:20): Dia de eleições em Portugal… mais adiante falo disso. Foi bom o início da semana, embora os dias de módulo III – no IFT – e módulo VI, às terças e quintas, sejam sempre aqueles que me preocupam mais e para os quais tenho de me dotar de concentração extra. Na quarta-feira de manhã, aquando da minha ida ao Ou Mún, estava a pensar numa série de coisas – é o que dizem as minhas notas desse dia –, entre as quais o conjunto de chá – chaleira e 5 pequenos copos de barro – que tinha comprado na Out to Box, loja de artigos em segunda mão que fica em frente ao IPOR, quando saí do trabalho na 3ª feira à noite. A rapariga que normalmente lá está pertence a um grupo de teatro e é dançarina… acho eu: também não sei o nome dela. O comprei o CD do grupo para depois ouvir.
Bom, na quarta-feira vi muitos Mercedes e pensei que há já algum tempo que via um crescente número desses carros na rua, em ‘concorrência’ com o grande número dos denominados SUV que, semelhantes a Deus, também estão em toda a parte. Na cidade com falta de lugares de estacionamento, o dinheiro está nas mãos de uns poucos, o que confirma o sucesso da globalização – será que vai mudar? Depois, passei pelos sumos e fui preparar o almoço e trabalhar em casa um pouco, em grande medida para fazer tempo para que me fossem entregar as compras. Depois de me terem deixado as compras em casa, almocei e fui para o IPOR. Até à hora das aulas começarem, marquei uma reunião para 6ª feira às 15h00 e soube que teria de compensar, por causa do tufão, uma aula – não dada – de módulo III no IFT. Naturalmente, como essa turma está agora a meu cargo… É por estas e por outras que o meu contentamento nunca é muito grande quando se trata dos ‘benefícios’ dos tufões: mais uma assunto por resolver. Vai-se resolver, é claro. As aulas não correram mal, mas os ‘mistérios’ técnicos das máquinas – i.e., incompetência técnica dos utilizadores – são um obstáculo ao normal funcionamento das aulas. Nesse dia foram-no. Há sempre uma altura em que penso atirar aquilo contra a parede, mas isso é consequência de se estar exposto a vinte e tal pessoas e se quer dar matéria e se quer ser bem sucedido. A segunda aula correu melhor. Tento ter o máximo cuidado para não me escapar nada – ter tudo sob controlo. A experiência tem tornado e tornará este trabalho menos problemático. Depois vim para casa e pus-me a pensar que tinha de começar a sair uns minutos mais cedo do trabalho – à hora estipulada – porque isso incomodava/ estava a incomodar outras pessoas. Comi qualquer coisa enquanto vi o “War on Democracy” do John Pilger, jornalista com muitos documentários feitos e conhecido por relativamente poucos, mas em todo o mundo. Ele ‘descobriu’ a colaboração dos EUA e da Grã-Bretanha com a Indonésia do general Suharto – obviamente nunca condenado: um Clinton nunca abandonaria o seu amigo – e o apoio daqueles dois à invasão de Timor-Leste.
Quinta-feira levantei-me cedo para dar as duas aulas no IFT. Correram bem; descobri que tenho de levar o resto das folhas de matéria para distribuir aos alunos. Almocei em casa e depois fui para o IPOR, onde foram tomadas as primeiras doses de cafeína, nicotina e alcatrão daquele dia. Às 18h00 começaram as duas aulas de módulo VI que terminariam às 22h30, a chegada ao cume da montanha. Tinha-os incumbido de inventarem uma notícia para treinarem o Futuro do Imperfeito e tenho andado a corrigir os textos deles um a um: mesmo os mais conseguidos levam os eu tempo. Em muitos dos casos, tenho estado a escrever-lhes as frases porque senão não saímos dali. É na produção oral e escrita – autónoma – e na compreensão oral que estão os problemas, logo é nessas áreas que é preciso despender mais tempo. A gramática e os exercícios para eles são mato, mas é sempre difícil fazerem-se caminhos quando se está sozinho ou não se tem experiência – olha a afirmação épica!
Sexta-feira foi dia de reunião dos professores de Módulo I. A dita serviu para trocarmos impressões acerca do que cada um está a fazer, que material é que cada um anda a utilizar e para marcarmos a data e definirmos o conteúdo do teste. Pediram-me ideias novas e eu dei as que tinha. Depois voltei ao meu trabalho e lá vieram as aulas de Módulo I, que terminaram um pouco antes das 21h00. Correram bem e, durante os próximos tempos, não haverá uma utilização do Powerpoint. Findas as aulas, fomos – seis dos suspeitos do costume – jantar ao restaurante tailandês e tanto a comida quanto a conversa souberam bem. O projectado café no Ou Mún foi substituído pela ida de cada um nós para a sua própria casa. Eu cheguei à minha e pus alguns mails em dia e por volta da meia-noite deitei-me.
Ontem acordei cedo e pus-me a caminho dos cafés do Ou Mún, depois dos quais voltei para casa para um curto período de trabalho, seguido do almoço seguido, por sua vez, da minha primeira aula de mandarim, entre as 15h00 e as 17h00. Foi boa, vai ser interessante aprender a falar a língua – escrever aquilo é muito difícil: para podermos ler um jornal precisamos de saber cerca de 3500 caracteres e para podermos ler poesia precisamos de saber cerca de 5000, se não me engano. No mandarim, cada caracter/ letra – não sei se o correcto não será chamar-lhe sílaba – é composta de uma parte inicial, uma final e do tom. Existem quatro tons: sem alteração do registo da voz; com subida do tom de voz; com uma ligeira descida, seguido de subida do tom de voz; e com descida do tom de voz. Depois da aula, vim até casa trabalhar mais um bocado e voltei a sair para um jantar no mexicano da Taipa – acho eu. Comi um burrito vegetariano, findo o qual eu e alguns dos suspeitos do costume voltámos para Macau em busca de uma bica, encontrada no Rooftop, um bar que fica no topo de um prédio. Estive À conversa durante um bom bocado e foi aí que soube, ou pelo Rogério ou pela Sandra, que lai perto havia um bar onde passavam jazz, blues e soul. Tomei nota do assunto e me breve tratarei de lá ir ver aquilo. A história da fundação do local é engraçada: dois tipos já velhos e reformados pegaram nas suas economias e compraram o espaço onde, além de passarem a música que referi, promovem, na cave, concertos e jam-sessions. Segundo me disseram, fecham cedo – cerca das 20h00.
Hoje levantei-me cedo e tomei o pequeno-almoço e trabalhei um pouco – pouco – antes de comprar a edição remasterizada do “Abbey Road” dos Beatles e ir almoçar a um restaurante onde já tinha almoçado três vezes e do qual não me lembrava quando, ontem à noite, a Paula me falou dele: na sexta-feira fui buscar o visto para a China – é apenas de seis meses por causa do fim da validade do BIR. Estava o IPOR e julguei que tinha deixado o passaporte em casa, quando, na verdade, estava no departamento onde tinha ido tratar do visto, pois era preciso ficar lá para o visto poder ser colado na passaporte. Foi-o na página 21. Como se as páginas anteriores estivessem carimbadas… Conclusão: não me lembrava. Não consigo perceber a razão do esquecimento. Adiante. Depois do almoço, vim para casa trabalhar mais e fazer exercício e jantar depois disso, vendo o “Democracy Now!” enquanto jantava.
A semana que agora começa será um pouco mais curta, pois os dias 1 e 2 de Outubro serão feriados: o primeiro é o Dia da República Popular da China – o 60º aniversário da sua implantação; o segundo é o dia – de descanso? – depois do anterior e faz parte da comemoração da ocasião. Falando em ocasos, hoje é dia de eleições em Portugal, mas parece-me reduzida a importância do facto. Das pessoas temos sempre saudades, da comida às vezes. Porém, quando falamos em ganhar dinheiro para o nosso sustento, é pouco o ânimo com que falamos do país – todo este plural é, obviamente, um singular. Tenho sorte em estar aqui e vou fazer tudo para a aproveitar. É tudo. Até depois.

domingo, 20 de setembro de 2009

20 de Setembro de 2009

20 de Setembro de 2009 (22:00): Na segunda-feira, as janelas estavam a tremer e eu estava a olhar para o monte da Guia, as flores em jarras de plástico da vizinha completamente deitadas. Na TDM surgiu um ‘Especial Tufão’ a dizer que os ventos, os quais às 5 da manhã estariam a 100 Km de Macau, estavam naquele momento a soprar a 75 km/ hora – no ‘olho do tufão’ sopravam a 120 Km/ hora. As aulas tinham sido interrompidas às 19h30, pois às 20h30 o sinal de tufão 8 ia ser ‘hasteado’ – os níveis de intensidade são 1, 3, 8 e 9; não tenho a certeza de que haja 10. De qualquer modo, a partir do nível 8 as pessoas são mandadas para casa pelas autoridades, via comunicação social, e é impossível não reparar – quer dizer, aparentemente eu consigo não me aperceber. Na BBC World News o Bin Laden tinha voltado e voltado a dizer que o presidente Obama não tinha poder e alguns dos autores do atentado falhado deste 9 ou 10 Setembro em Inglaterra foram condenados a prisão perpétua – o tribunal ordenou a prisão efectiva de pelo menos 40 anos. Foi uma condenação bastante célere e sem grande alarido mediático, o que me causa estranheza, pois parece-me improvável que pudessem perder uma oportunidade para falar dos perigos do terrorismo e do como eles espreitam cada esquina e de como os pesadelos têm medo deles. As aulas tinham começado e, apesar do nervosismo prévio de sempre, tinham corrido bem. No exterior, a chuva tinha-se juntado ao vento e um carro dos bombeiros tinha aparecido para uma missão qualquer. Em Hollywood Este – penso que não ‘válido’ para o resto do mundo – o dia 10 de Setembro foi declarado Dia de Ozzy Osbourne. O Ozzy vai editar uma autobiografia em Outubro.
As semanas de trabalho não têm muita coisa a preenchê-las a não ser o trabalho e a preocupação do bom desempenho do mesmo. Também há o andar de cima em obras com os berbequins e maços a entrarem em acção pouco depois das 9 da manhã. São os dias que começam cedo e acabam tarde e muito trabalho para as aulas – ao computador – que, em parte, conto que acabe depressa. Ontem houve o almoço do IPOR, que faz 20 anos de existência. Há ali três pessoas – nenhuma delas professor ou professora – que trabalham desde que a instituição existe. Como disse um colega meu, seria bonito que tantos anos de serviço fossem recompensados com um aumento – permanente, claro – do período de férias. O almoço foi bastante agradável, mas cerca das 15h00 acabou e fui até ao Ou Mún, onde acabaria por ficar combinado, por iniciativa da Cátia, um sushi no casino City of Dreams, uma forma de ‘despedida’ do trabalho do irmão da Cátia – o David. Estaríamos na paragem do Leal Senado às 20h00. Depois de sair do Ou Mún, fui comprar um jogo de toalhas e fui até casa adiantar trabalho. Cheguei 5 minutos atrasados e acabámos por apanhar um táxi. Era um buffet sem limitações à comida, a 108 patacas por pessoas – um pouco menos de 10 euros. A comida não estava má e repeti. Acabado a refeição, fui/ fomos ver o espectáculo 3-D com quedas de água que faziam desenhos. A história gira – também – à volta da luta de dragões contra um peixe pequeno que é o Imperador de Jade, o qual, perto do fim, se transforma num dragão maior do que os outros todos. Estou a contar a história de uma forma muito imperfeita, mas foi um espectáculo agradável de ver e que estava bem feito. Depois voltámos para a cidade e fomos até casa da Paula e do Pedro onde, entre outras coisas, vimos um bocado do “Em busca do Cálice Sagrado” dos Monty Python. Passado um bocado, eu e a Cátia saímos e eu, chegado à minha casa, ainda estive a acabar trabalho.
Hoje acordei tarde e, depois dos cafés no Ou Mún, fiz compras e voltei para casa e trabalhei mais um pouco. Voltei a sair e fui fazer ‘compras grandes’ – que serão entregues na quarta-feira. Chegado a casa, fui fazer exercício e depois fui jantar. Esta próxima semana vai ter como dias duros terças e quintas-feiras. Tudo correrá bem.

domingo, 13 de setembro de 2009

13 de Setembro de 2009

13 de Setembro de 2009 (17h30): O fim-de-semana está quase no fim e avizinha-se mais uma semana e intensa. A primeira semana de aulas foi-o, pois foram muitos os aspectos novos. As aulas no IFT – Instituto de Formação Turística – não correram mito mal, embora a turma da manhã de quarta-feira não tenha percebido muito da aula. Vou ter de ser mais claro e bastante sintético, tanto no inglês quanto naquilo que escrever no quadro. Vou precisar de estar mais focado e concentração. As viagens de autocarro para lá são curtas e a viagem de volta fica numa paragem relativamente próxima de casa. As salas estão equipadas com todos os dispositivos áudio e vídeo necessários para uma aula, com a marcação de presenças e os sumários a serem feitos no computador in loco, tendo a familiarização com o modo de funcionamento da parafernália levado o seu tempo, pois tive de vencer o habitual nervoso miudinho. Na sexta-feira a simpática senhora da secretária mandou-me um mail a informar que quinta-feira às 16h30 vai haver uma formação para ensinar a trabalhar com s equipamentos. Não sei se foi um proforma ou uma chamada de atenção; seja como for, não vou poder estar presente e, de qualquer modo, se houver problemas, basta falar comigo pessoalmente.
Foram-me instalar a Net a casa e aquilo logo no primeiro dia parecia não querer funcionar, até que depois de um par de dias a maldizer a minha sorte, ‘descobri’ que tinha de ligar-me à CTM – tenho de o fazer sempre – e escrever o código de acesso para poder aceder à Net. Nada de anormal: durante muito tempo a linguagem na qual estava a minha página de gmail era o catalão e eu achava que aquilo era assim mesmo.
As aulas no IPOR não correram mal, mesmo as das de duas horas e um quarto do Módulo 6. o problema é levar material suficiente – e suficientemente interessante – para a aula, pois 135 minutos demoram um pouco a passar. São aulas para as quais tenho de estar ainda mais preparado do que o costume, para poder responder às dúvidas que me sejam colocadas, além de evitar ser apanhado com as calças na mão. Basicamente, preciso de experiência e de levar material que afaste a sua baixa tolerância às actividades que não incluam jogos ou diálogos. Tudo isso leva tempo e nesta altura ainda estou a preparar tabelas, quer para a avaliação, quer para o registo de presenças nas aulas. Isto e as aulas propriamente ditas não deixam tempo para outras actividades, além das de comer e dormir; há dias que chegam a ter 14 horas entre o começo da primeira aula e o fim da última. Depois da chegada a casa, vou comer qualquer coisa e ponho-me a avaliar o conteúdo informativo da BBC World News, que é baixo. Tenho praticamente a certeza de que poucos serão os noticiários que não obedeçam a um certo formato de apresentação. Quanto ao conteúdo, as notícias oscilam entre micro-telenovelas da vida de pessoas com 115 anos e campanhas de relações públicas.
A recente tentativa de fazer explodir aviões por parte de árabes fanáticos ingleses ligados aos talibã e à Al-Qaeda – pelos vistos, Setembro é um mês propício a quedas e colisões, sejam elas de sistemas financeiros ou de aviões – trouxe especialistas à televisão inglesa e houve um que eles eram pessoas que odiavam os ingleses e queriam destruí-los. Não há noticiário que não os apresente como um bando de selvagens ou cães raivosos, mas quem vai aos países terroristas do Médio Oriente recolhe impressões opostas; bom, eles têm medo dos políticos ocidentais, mas isso até eu consigo sentir. No Afeganistão, as fraudes eleitorais a favor do actual presidente não serão suficientes para uma repetição das eleições… que os americanos não aceitam por, nas palavras desse velho abutre de nome Richard Hoolbrooks, isso favorecer os talibãs e a Al-Qaeda. A saga colonial continua. Aparentemente, a produção de ópio para este ano sofreu um decréscimo de 10%. A Coreia do Norte continua a ‘afrontar’ o Ocidente, mas vale a pena ler um artigo de Michael Parenti acerca da ‘sanidade’ da decisão norte-coreana em ter armas nucleares. Os jornais deram conta de propostas, do lado dos do EUA, de novas conversações: a verdade é que os governos norte-americanos nunca ordenaram a invasão de países com armas nucleares e não aceitam que outros os tenham. Reservam-se a si próprios esse direito.
A semana que vem promete mudanças pois, devido a uma reorganização de horários causada por pedidos de curso ao IPOR, vou deixar de dar aulas de Módulo 1 no IFT para passar a dar aulas a Módulo 3. Mais trabalho… por outro lado, sendo as aulas às terças e quintas das 9h00 e 12h00, ganho o tempo das viagens. A médio/ longo prazo é melhor para mim, pois começo a familiarizar-me com a dinâmica da apresentação das matérias e de gestão das aulas naquele nível. Saberei como correram as aulas quando, no fim do ano, receber a avaliação feita pelos alunos. Sexta-feira a semana de trabalho terminou com um jantar num restaurante tailandês cujo nome me escapa – a comida era boa – e ontem a manhã começou com os cafés no Ou Mun, depois de uma noite mal dormida e de pesadelos e do pequeno-almoço ao som e ao andamento do maço proveniente da casa em obras do vizinho de cima.
Depois das compras de roupa e comida, passei pela Out to Box, uma pequena loja de artigos em segunda mão, onde já tinha visto um conjunto de chá em barro – cinco copos e um bule – por 120 patacas e que tinha gostado – ainda lá está e acho que o vou comprar. Ontem estive um quarto de hora a falar com a rapariga com quem tinha falado brevemente da primeira vez, assim como com a sua amiga japonesa – de nome Niki, salvo erro. A da loja disse que se lembrava de mim. Estivemos a trocar impressões várias, como a da loja me fazer lembrar “Out to lunch”, um disco de Eric Dolphy. Quando ela me pediu o mail para envio de notícias da actividade da loja, deixe-lhe a informação supra na ficha que ela me tinha dado para preencher. Nesse ficha incluí o meu nome em português e em cantonês e ela achou graça o meu nome/ apelido em cantonês ser ‘professor’, pois eu desempenhava essa profissão. Pus-me a pensar se a tradução coincidia com a minha actividade ou se aquilo se tratava de uma alcunha… Comprei um porta-chaves que era um mocho – ou uma coruja, não sei bem – e disse-lhe que achava curioso escolher uma ave nocturna, mas não sabia o que isso queria dizer e ela disse-me que eu devia/ que ia dar-lhe um significado.
Depois de ficar na rede de contactos da Niki, vim para casa e o resto do tempo foi passado a almoçar e a tratar de coisas pela Net. A noite foi passada num jantar de aniversário e foi tempo bem passado. Depois, alguns de nós fomos a casa da Cátia e vimos o “Melhor é Impossível” com uma muito boa interpretação do Jack Nicholson e um argumento eficaz que o ajudou a brilhar. Ainda vimos parte do “The Schindlers List”, mas cada um dos presentes acabou por vir para casa. A caminho da minha, cerca das 4 da manhã na Pedro Nolasco da Silva, as portas das instalações do jornal Tribuna de Macau estavam abertas e pessoas, tanto no interior do edifício quanto no passeio exterior, atarefavam-se na preparação dos jornais para depois serem distribuídos. Hoje depois das compras e dos cafés do Ou Mun – a Paula e o Pedro entretanto apareceram – fui com eles ao supermercado Bemvindo fazer mais compras. Fica perto e posso pedir para me entregarem as compras em casa.




Hoje falta-me fazer a minha sessão de exercícios, jantar e preparar, material e psicologicamente as aulas de amanhã, além de uma noite bem dormida. Até depois.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

8 de Setembro de 2009

7 de Setembro de 2009 (23:16) – Esta entrada diz respeito a acontecimentos do dia 6. Gracias.
6 de Setembro de 2009 – “É segunda-feira/ Dia de aulas…” diz a voz da cantilena na minha cabeça. Estou menos nervoso porque, pelo menos para o Português I, estou familiarizado com a forma como tenho de dar a matéria. Falta preparar o Português VI no IPOR, que nunca dei. Depois há o problema da gestão da aula e da matéria, para o qual ainda não tenho a experiência necessária para dar de forma adequada – eu não sei bem qual a medida do ‘adequado’, mas ponho-me a pensar que não é a minha. Amanhã talvez saiba mais sobre o assunto.
Ontem a noite começou às 20h00, com o – de lotação esgotada, como seria de esperar – concerto da Mariza no CCM – Centro Cultural de Macau – e, além de ter gostado de o ouvir, gostei também de o ver. Foi uma experiência interessante a vários níveis; a forma como o espectáculo decorreu está feita para conquistar sem apelo nem agravo. Aquilo é uma máquina demolidora: o alinhamento, os solos, a apresentação dos temas, os diálogos com o público, os momentos de intimismo, o episódio do regresso às raízes no encore e a apoteose final são, para mim, prova disso. Sem que o gozo e a emoção de estar no palco sejam minimamente falsas, mas há momentos que são maximizados para melhor agarrar o público. Ali o rigor é palavra de ordem. Falar da excelência vocal da Mariza é um truísmo: com ela, a voz é m instrumento que ela domina e que responde sempre, sejam quais forem as ordens que lhe sejam dadas. Mas ela é apenas a primeira entre iguais: os outros músicos – instrumentistas ‘acústicos’ – são também da mesma cepa e são essenciais para o sucesso do concerto. O baixista pertencia à banda presente em programas do Herman José. Para mim, ele é o ‘maestro’ da banda que acompanha a Mariza, pois, para além de elemento da secção rítmica, era ele também quem marcava, com a sua acção, os arranjos dos temas em palco – é o elemento mais velho e tem larguíssima experiência. Qualquer dos outros guitarristas – guitarra portuguesa e viola – também são excelentes executantes, mas o meu outro destaque vai para o percussionista/ baterista, um monstro rítmico que fez um solo impressionante, embora eu tivesse gostado mais da sua acção enquanto elemento do conjunto. O diálogo de Mariza como público foi frequente e feito de uma forma familiar e natural, algo que ajudou a ‘encolher’ a sala. Para acabar, destaco o agradecimento – e as palmas por ela pedida – aos técnicos dos diversos saberes, aqueles que, como ela referiu “são os primeiros a chegarem e os últimos a saírem”: são esquecidos quando tudo corre bem e, por vezes, fáceis bodes expiatórios quando não correm. 
Depois disso veio o jantar e vieram as conversas e, por fim, o regresso a casa, o repouso precedido do jogo de futebol Dinamarca – Portugal, que não vi até ao fim. Hoje o dia começou tarde e só saí para os cafés perto da uma da tarde. O resto do tempo foi passado em compras de artigos para a casa, o almoço, a preparação do jantar e o jantar. Amanhã vêm cá instalar a Net em casa. Até depois.