domingo, 13 de setembro de 2009

13 de Setembro de 2009

13 de Setembro de 2009 (17h30): O fim-de-semana está quase no fim e avizinha-se mais uma semana e intensa. A primeira semana de aulas foi-o, pois foram muitos os aspectos novos. As aulas no IFT – Instituto de Formação Turística – não correram mito mal, embora a turma da manhã de quarta-feira não tenha percebido muito da aula. Vou ter de ser mais claro e bastante sintético, tanto no inglês quanto naquilo que escrever no quadro. Vou precisar de estar mais focado e concentração. As viagens de autocarro para lá são curtas e a viagem de volta fica numa paragem relativamente próxima de casa. As salas estão equipadas com todos os dispositivos áudio e vídeo necessários para uma aula, com a marcação de presenças e os sumários a serem feitos no computador in loco, tendo a familiarização com o modo de funcionamento da parafernália levado o seu tempo, pois tive de vencer o habitual nervoso miudinho. Na sexta-feira a simpática senhora da secretária mandou-me um mail a informar que quinta-feira às 16h30 vai haver uma formação para ensinar a trabalhar com s equipamentos. Não sei se foi um proforma ou uma chamada de atenção; seja como for, não vou poder estar presente e, de qualquer modo, se houver problemas, basta falar comigo pessoalmente.
Foram-me instalar a Net a casa e aquilo logo no primeiro dia parecia não querer funcionar, até que depois de um par de dias a maldizer a minha sorte, ‘descobri’ que tinha de ligar-me à CTM – tenho de o fazer sempre – e escrever o código de acesso para poder aceder à Net. Nada de anormal: durante muito tempo a linguagem na qual estava a minha página de gmail era o catalão e eu achava que aquilo era assim mesmo.
As aulas no IPOR não correram mal, mesmo as das de duas horas e um quarto do Módulo 6. o problema é levar material suficiente – e suficientemente interessante – para a aula, pois 135 minutos demoram um pouco a passar. São aulas para as quais tenho de estar ainda mais preparado do que o costume, para poder responder às dúvidas que me sejam colocadas, além de evitar ser apanhado com as calças na mão. Basicamente, preciso de experiência e de levar material que afaste a sua baixa tolerância às actividades que não incluam jogos ou diálogos. Tudo isso leva tempo e nesta altura ainda estou a preparar tabelas, quer para a avaliação, quer para o registo de presenças nas aulas. Isto e as aulas propriamente ditas não deixam tempo para outras actividades, além das de comer e dormir; há dias que chegam a ter 14 horas entre o começo da primeira aula e o fim da última. Depois da chegada a casa, vou comer qualquer coisa e ponho-me a avaliar o conteúdo informativo da BBC World News, que é baixo. Tenho praticamente a certeza de que poucos serão os noticiários que não obedeçam a um certo formato de apresentação. Quanto ao conteúdo, as notícias oscilam entre micro-telenovelas da vida de pessoas com 115 anos e campanhas de relações públicas.
A recente tentativa de fazer explodir aviões por parte de árabes fanáticos ingleses ligados aos talibã e à Al-Qaeda – pelos vistos, Setembro é um mês propício a quedas e colisões, sejam elas de sistemas financeiros ou de aviões – trouxe especialistas à televisão inglesa e houve um que eles eram pessoas que odiavam os ingleses e queriam destruí-los. Não há noticiário que não os apresente como um bando de selvagens ou cães raivosos, mas quem vai aos países terroristas do Médio Oriente recolhe impressões opostas; bom, eles têm medo dos políticos ocidentais, mas isso até eu consigo sentir. No Afeganistão, as fraudes eleitorais a favor do actual presidente não serão suficientes para uma repetição das eleições… que os americanos não aceitam por, nas palavras desse velho abutre de nome Richard Hoolbrooks, isso favorecer os talibãs e a Al-Qaeda. A saga colonial continua. Aparentemente, a produção de ópio para este ano sofreu um decréscimo de 10%. A Coreia do Norte continua a ‘afrontar’ o Ocidente, mas vale a pena ler um artigo de Michael Parenti acerca da ‘sanidade’ da decisão norte-coreana em ter armas nucleares. Os jornais deram conta de propostas, do lado dos do EUA, de novas conversações: a verdade é que os governos norte-americanos nunca ordenaram a invasão de países com armas nucleares e não aceitam que outros os tenham. Reservam-se a si próprios esse direito.
A semana que vem promete mudanças pois, devido a uma reorganização de horários causada por pedidos de curso ao IPOR, vou deixar de dar aulas de Módulo 1 no IFT para passar a dar aulas a Módulo 3. Mais trabalho… por outro lado, sendo as aulas às terças e quintas das 9h00 e 12h00, ganho o tempo das viagens. A médio/ longo prazo é melhor para mim, pois começo a familiarizar-me com a dinâmica da apresentação das matérias e de gestão das aulas naquele nível. Saberei como correram as aulas quando, no fim do ano, receber a avaliação feita pelos alunos. Sexta-feira a semana de trabalho terminou com um jantar num restaurante tailandês cujo nome me escapa – a comida era boa – e ontem a manhã começou com os cafés no Ou Mun, depois de uma noite mal dormida e de pesadelos e do pequeno-almoço ao som e ao andamento do maço proveniente da casa em obras do vizinho de cima.
Depois das compras de roupa e comida, passei pela Out to Box, uma pequena loja de artigos em segunda mão, onde já tinha visto um conjunto de chá em barro – cinco copos e um bule – por 120 patacas e que tinha gostado – ainda lá está e acho que o vou comprar. Ontem estive um quarto de hora a falar com a rapariga com quem tinha falado brevemente da primeira vez, assim como com a sua amiga japonesa – de nome Niki, salvo erro. A da loja disse que se lembrava de mim. Estivemos a trocar impressões várias, como a da loja me fazer lembrar “Out to lunch”, um disco de Eric Dolphy. Quando ela me pediu o mail para envio de notícias da actividade da loja, deixe-lhe a informação supra na ficha que ela me tinha dado para preencher. Nesse ficha incluí o meu nome em português e em cantonês e ela achou graça o meu nome/ apelido em cantonês ser ‘professor’, pois eu desempenhava essa profissão. Pus-me a pensar se a tradução coincidia com a minha actividade ou se aquilo se tratava de uma alcunha… Comprei um porta-chaves que era um mocho – ou uma coruja, não sei bem – e disse-lhe que achava curioso escolher uma ave nocturna, mas não sabia o que isso queria dizer e ela disse-me que eu devia/ que ia dar-lhe um significado.
Depois de ficar na rede de contactos da Niki, vim para casa e o resto do tempo foi passado a almoçar e a tratar de coisas pela Net. A noite foi passada num jantar de aniversário e foi tempo bem passado. Depois, alguns de nós fomos a casa da Cátia e vimos o “Melhor é Impossível” com uma muito boa interpretação do Jack Nicholson e um argumento eficaz que o ajudou a brilhar. Ainda vimos parte do “The Schindlers List”, mas cada um dos presentes acabou por vir para casa. A caminho da minha, cerca das 4 da manhã na Pedro Nolasco da Silva, as portas das instalações do jornal Tribuna de Macau estavam abertas e pessoas, tanto no interior do edifício quanto no passeio exterior, atarefavam-se na preparação dos jornais para depois serem distribuídos. Hoje depois das compras e dos cafés do Ou Mun – a Paula e o Pedro entretanto apareceram – fui com eles ao supermercado Bemvindo fazer mais compras. Fica perto e posso pedir para me entregarem as compras em casa.




Hoje falta-me fazer a minha sessão de exercícios, jantar e preparar, material e psicologicamente as aulas de amanhã, além de uma noite bem dormida. Até depois.

2 comentários:

  1. Tens de ouvir a versão que o Otomo Yoshihide(dos Ground Zero - projecto de música improvisada) fez do "Out to lunch!" do Eric Dolphy com a sua New Jazz Orchestra( uma orquestra entre o free jazz e a música improvisada...)...

    (Discografia: Otomo Yoshihide's New Jazz Orchestra plays Eric Dolphy's Out to Lunch(2005))

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  2. Vou procurar isso. Mas se calhar só em Hong Kong. Estarei atento, é claro. Abraço.

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