domingo, 27 de setembro de 2009

27 de Setembro de 2009

27 de Setembro de 2009 (21:20): Dia de eleições em Portugal… mais adiante falo disso. Foi bom o início da semana, embora os dias de módulo III – no IFT – e módulo VI, às terças e quintas, sejam sempre aqueles que me preocupam mais e para os quais tenho de me dotar de concentração extra. Na quarta-feira de manhã, aquando da minha ida ao Ou Mún, estava a pensar numa série de coisas – é o que dizem as minhas notas desse dia –, entre as quais o conjunto de chá – chaleira e 5 pequenos copos de barro – que tinha comprado na Out to Box, loja de artigos em segunda mão que fica em frente ao IPOR, quando saí do trabalho na 3ª feira à noite. A rapariga que normalmente lá está pertence a um grupo de teatro e é dançarina… acho eu: também não sei o nome dela. O comprei o CD do grupo para depois ouvir.
Bom, na quarta-feira vi muitos Mercedes e pensei que há já algum tempo que via um crescente número desses carros na rua, em ‘concorrência’ com o grande número dos denominados SUV que, semelhantes a Deus, também estão em toda a parte. Na cidade com falta de lugares de estacionamento, o dinheiro está nas mãos de uns poucos, o que confirma o sucesso da globalização – será que vai mudar? Depois, passei pelos sumos e fui preparar o almoço e trabalhar em casa um pouco, em grande medida para fazer tempo para que me fossem entregar as compras. Depois de me terem deixado as compras em casa, almocei e fui para o IPOR. Até à hora das aulas começarem, marquei uma reunião para 6ª feira às 15h00 e soube que teria de compensar, por causa do tufão, uma aula – não dada – de módulo III no IFT. Naturalmente, como essa turma está agora a meu cargo… É por estas e por outras que o meu contentamento nunca é muito grande quando se trata dos ‘benefícios’ dos tufões: mais uma assunto por resolver. Vai-se resolver, é claro. As aulas não correram mal, mas os ‘mistérios’ técnicos das máquinas – i.e., incompetência técnica dos utilizadores – são um obstáculo ao normal funcionamento das aulas. Nesse dia foram-no. Há sempre uma altura em que penso atirar aquilo contra a parede, mas isso é consequência de se estar exposto a vinte e tal pessoas e se quer dar matéria e se quer ser bem sucedido. A segunda aula correu melhor. Tento ter o máximo cuidado para não me escapar nada – ter tudo sob controlo. A experiência tem tornado e tornará este trabalho menos problemático. Depois vim para casa e pus-me a pensar que tinha de começar a sair uns minutos mais cedo do trabalho – à hora estipulada – porque isso incomodava/ estava a incomodar outras pessoas. Comi qualquer coisa enquanto vi o “War on Democracy” do John Pilger, jornalista com muitos documentários feitos e conhecido por relativamente poucos, mas em todo o mundo. Ele ‘descobriu’ a colaboração dos EUA e da Grã-Bretanha com a Indonésia do general Suharto – obviamente nunca condenado: um Clinton nunca abandonaria o seu amigo – e o apoio daqueles dois à invasão de Timor-Leste.
Quinta-feira levantei-me cedo para dar as duas aulas no IFT. Correram bem; descobri que tenho de levar o resto das folhas de matéria para distribuir aos alunos. Almocei em casa e depois fui para o IPOR, onde foram tomadas as primeiras doses de cafeína, nicotina e alcatrão daquele dia. Às 18h00 começaram as duas aulas de módulo VI que terminariam às 22h30, a chegada ao cume da montanha. Tinha-os incumbido de inventarem uma notícia para treinarem o Futuro do Imperfeito e tenho andado a corrigir os textos deles um a um: mesmo os mais conseguidos levam os eu tempo. Em muitos dos casos, tenho estado a escrever-lhes as frases porque senão não saímos dali. É na produção oral e escrita – autónoma – e na compreensão oral que estão os problemas, logo é nessas áreas que é preciso despender mais tempo. A gramática e os exercícios para eles são mato, mas é sempre difícil fazerem-se caminhos quando se está sozinho ou não se tem experiência – olha a afirmação épica!
Sexta-feira foi dia de reunião dos professores de Módulo I. A dita serviu para trocarmos impressões acerca do que cada um está a fazer, que material é que cada um anda a utilizar e para marcarmos a data e definirmos o conteúdo do teste. Pediram-me ideias novas e eu dei as que tinha. Depois voltei ao meu trabalho e lá vieram as aulas de Módulo I, que terminaram um pouco antes das 21h00. Correram bem e, durante os próximos tempos, não haverá uma utilização do Powerpoint. Findas as aulas, fomos – seis dos suspeitos do costume – jantar ao restaurante tailandês e tanto a comida quanto a conversa souberam bem. O projectado café no Ou Mún foi substituído pela ida de cada um nós para a sua própria casa. Eu cheguei à minha e pus alguns mails em dia e por volta da meia-noite deitei-me.
Ontem acordei cedo e pus-me a caminho dos cafés do Ou Mún, depois dos quais voltei para casa para um curto período de trabalho, seguido do almoço seguido, por sua vez, da minha primeira aula de mandarim, entre as 15h00 e as 17h00. Foi boa, vai ser interessante aprender a falar a língua – escrever aquilo é muito difícil: para podermos ler um jornal precisamos de saber cerca de 3500 caracteres e para podermos ler poesia precisamos de saber cerca de 5000, se não me engano. No mandarim, cada caracter/ letra – não sei se o correcto não será chamar-lhe sílaba – é composta de uma parte inicial, uma final e do tom. Existem quatro tons: sem alteração do registo da voz; com subida do tom de voz; com uma ligeira descida, seguido de subida do tom de voz; e com descida do tom de voz. Depois da aula, vim até casa trabalhar mais um bocado e voltei a sair para um jantar no mexicano da Taipa – acho eu. Comi um burrito vegetariano, findo o qual eu e alguns dos suspeitos do costume voltámos para Macau em busca de uma bica, encontrada no Rooftop, um bar que fica no topo de um prédio. Estive À conversa durante um bom bocado e foi aí que soube, ou pelo Rogério ou pela Sandra, que lai perto havia um bar onde passavam jazz, blues e soul. Tomei nota do assunto e me breve tratarei de lá ir ver aquilo. A história da fundação do local é engraçada: dois tipos já velhos e reformados pegaram nas suas economias e compraram o espaço onde, além de passarem a música que referi, promovem, na cave, concertos e jam-sessions. Segundo me disseram, fecham cedo – cerca das 20h00.
Hoje levantei-me cedo e tomei o pequeno-almoço e trabalhei um pouco – pouco – antes de comprar a edição remasterizada do “Abbey Road” dos Beatles e ir almoçar a um restaurante onde já tinha almoçado três vezes e do qual não me lembrava quando, ontem à noite, a Paula me falou dele: na sexta-feira fui buscar o visto para a China – é apenas de seis meses por causa do fim da validade do BIR. Estava o IPOR e julguei que tinha deixado o passaporte em casa, quando, na verdade, estava no departamento onde tinha ido tratar do visto, pois era preciso ficar lá para o visto poder ser colado na passaporte. Foi-o na página 21. Como se as páginas anteriores estivessem carimbadas… Conclusão: não me lembrava. Não consigo perceber a razão do esquecimento. Adiante. Depois do almoço, vim para casa trabalhar mais e fazer exercício e jantar depois disso, vendo o “Democracy Now!” enquanto jantava.
A semana que agora começa será um pouco mais curta, pois os dias 1 e 2 de Outubro serão feriados: o primeiro é o Dia da República Popular da China – o 60º aniversário da sua implantação; o segundo é o dia – de descanso? – depois do anterior e faz parte da comemoração da ocasião. Falando em ocasos, hoje é dia de eleições em Portugal, mas parece-me reduzida a importância do facto. Das pessoas temos sempre saudades, da comida às vezes. Porém, quando falamos em ganhar dinheiro para o nosso sustento, é pouco o ânimo com que falamos do país – todo este plural é, obviamente, um singular. Tenho sorte em estar aqui e vou fazer tudo para a aproveitar. É tudo. Até depois.

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