29 de Outubro de 2009 (00:14) – Para mim a televisão tornou-se uma entidade sem vida – partindo do princípio de que em tempos a fora: no serviço noticioso, a seguir ao – falso – problema nuclear do Irão vir a história de uma família que andava a experimentar um papagaio – tenho memória de que era movido a energia solar – diz tudo. A estação de que estou a falar é da BBC, de que suspeito guardei uma imagem de credibilidade que, afinal, era – pelo menos – parcialmente falsa.
Foram nove dias de um jogo novo com uma mão um pouco melhor, mas as terças e as quintas continuam a ser intranquilos dias de aulas. No fim, tudo será contabilizado e se verá qual o saldo. Na sexta-feira à noite, depois das aulas fui com a Cátia até à Lusofonia, um evento cultural levado a cabo por esta altura do ano e que dura o fim-de-semana. Muita gente de muitos sítios numa festa, logo um acontecimento onde a venda de comida e de bebida marca o decorrer dos acontecimentos. Vi lá um ou dois alunos meus e, até ao fim da noite ali, conheci mais algumas pessoas – muitos nomes e muitas caras para fixar. A Cátia estava a vender caixas e quadros e a venda correu bem. No sector alimentar, o sítio mais concorrido foi a barraca do Brasil por causa das caipirinhas – só bebi três. Da vez em que estive lá à espera para ser atendido, pude observar, apesar do barulho dos bêbados à minha frente, o trabalho das mulheres que as estavam a preparar. Era um local de trabalho pouco invejável: muitas horas de pé sempre nos mesmos exíguos metros quadrados a trabalharem ininterruptamente a grande velocidade. Umas a ‘pilar’ açúcar com um almofariz juntamente com a cachaça, outras a misturar lima e gelo e outras a encherem os copos com as doses de cachaça – havia várias garrafas dela em cima da mesa. Mais uma vez, um trabalho nada invejável e ao qual, provavelmente, se somava o extra de ter ouvir os bêbados a reclamarem por causa da falta de rapidez delas no atendimento – e de falta de entendimento delas – da sua sede. Estive ainda um pouco mais à conversa com pessoas várias até eu e a Cátia termos saído dali num táxi, chamado por dois ex-alunos meus da CPSP que estavam em formação naquela zona – pelo menos parecia. Cheguei a casa cerca das 02:38.
Acordei no sábado cerca das 08h00 e depois do pequeno-almoço no Ou Mún, voltei para casa para almoçar, tendo depois voltado a lá ir para me encontrar com a Paula e o Pedro para irmos a Zhuhai, com o objectivo de comprarmos os bilhetes de autocarro com destino a Foshuan, cidade da China que será objecto da minha visita na semana que vem. Depois das formalidades aduaneiras, fui comprar umas – por mim muito – necessitadas calças e camisolas. À excepção de um dos pares de calças, as restantes peças de roupa eram brancas. Passámos pelos DVDs e comprei Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Skinny Puppy, Slayer, Metallica e mais um documentário sobre heavy metal. Acabámos por não conseguir comprar os bilhetes porque – depois de uns minutos de troca de impressões inentendidas por ambas as partes – não era possível comprá-los com tanto tempo de antecedência. Passámos pela banca de um senhor chinês que vende anéis, colares e incenso – entre outras coisas – e um comprei um anel e duas caixas de incenso. Já com tudo tratado, fomos ao E.S.Quimo, onde comemos e conversámos durante um bom bocado. De volta a Macau, o passo seguinte foi um excelente jantar na “A Petisqueira”, depois da qual seguimos para a segunda noite da Lusofonia. Vi o Manuel a tocar guitarra no Grupo Folclórico de Macau e depois passei mais ou menos o tempo a ver o movimento e a ouvir os Quinta do Bill, os quais deram, segundo fontes fidedignas, um bom espectáculo. Não sendo um apreciador da música deles, é fácil reconhecer que a música deles é animada e a verdade é que animou as pessoas. Estava muito calor – esteve-o durante as noites todas – e eu estava um bocado cansado e eu e a minha falta de disposição voltámos cedo para casa, à qual cheguei cerca das 00:45.
No domingo, despertei de uma noite mais ou menos bem dormida que as anteriores e, ao pequeno-almoço, sucederam-se os cafés no Ou Mún. Dei umas voltas para ver de livros – não comprei nada – e depois do almoço voltei ao café acima, onde estavam o Paulo e Pedro com as minhas compras do dia anterior – então deixadas em casa deles – e combinarmos o jantar com outros suspeitos – Mané, Manuel e o filho David – num restaurante brasileiro na Nova Taipa. Ainda vim a casa ver mais Sons Of Anarchy e depois lá fui jantar. À refeição seguiu-se uma caminhada de uns minutos até à Lusofonia, que seria dominada pela actuação dos Mercado Negro, banda portuguesa de reggae. Eram bons, mas eu estava com pouca vontade de dançar. O som não me pareceu estar grande coisa, infelizmente. De resto, estive à conversa com quantos do grupo lá estavam; conversa essa pontuada pela caipirinha que a Mané me ofereceu, pela caipirinha que a Cátia partilhou comigo – tal como uma da noite anterior – e pelos licores – de um fruto cujo nome me escapa – dos Açores. Também houve tempo para um copo de sangria e depois fui-me embora com o Rogério e a Sandra de táxi – eu não tinha dinheiro.
Na segunda-feira acordei cerca das 09h00 e estive a ver o “Cunning Stunts” dos Metallica, um dos DVDs de Zhuhai… quer dizer, feito lá. É estranho ver aquilo porque, de facto, hoje a onda é outra: menos arrogante, mesmo um Lars Ulrich, o qual continuará a ser talvez o menos preferido pelos fãs da banda. O DVD retrata a digressão do Load e é provável que o espectáculo deles consuma tanta energia quanto droga. Aquilo começava a ser muita pose. Hoje há pouca, mas aquilo é uma multinacional: se é verdade que quando dão 50 mil dólares ara ajudarem na investigação do desaparecimento de uma fã deles num concerto mostram preocupação, também é verdade que o fazem porque podem. Também é uma boa campanha de RP, mas aqui se calhar estou a ser cínico. Mas lá tomei o pequeno-almoço e fui até ao Caravela para os cafés e para ver se conseguia ler ou escrever alguma coisa. Já era meio-dia e uns trocos e havia muita gente a almoçar. Muito barulho. Vim para casa e tratei do almoço, depois de ter procurado por um candeeiro de mesa na Daiso – sem sucesso. A seguir, estive a tratar de assuntos pela Net, nomeadamente ver com a Cátia o teste para os alunos do CCAC. Às 19h15 encontrei-me com o grupo de suspeitos habituais para irmos ver os Delfins, naquilo que é a última digressão deles. Chegámos ao castelo – ou fortaleza ou outro edifício qualquer do qual só sobravam algumas muralhas ou muros – e sentámo-nos. As minhas reservas eram grandes: eles a partir de certa altura começaram a editar discos com músicas que oscilavam entre o aborrecimento e um aborrecimento grande, sem esquecer aquilo que parecia uma certa pose, em especial do vocalista Miguel Ângelo. À hora marcada lá começaram e o que eu digo é que gostei do concerto. As músicas sofreram importantes arranjos rítmicos e harmónicos – enfim, o suficiente para serem vizinhos da estranheza. Aquilo estava mais rock – por si só não quer dizer nada – e a verdade é que aquilo ganhou vida. Foi fácil perceber que o Rui Fadigas – baixista – é o condutor. A secção rítmica foi, como é de regra em qualquer banda, o grande motor da banda. Os outros portaram-se bem. O Miguel Ângelo não se saiu mal, à parte uma ou duas tiradas redundantes para o objectivo do espectáculo, que é a música: que ele tenha gravado/ convivido em estúdio com o Carlos do Carmo ou que tenha gravado em Inglaterra só é um facto pertinente e verdadeiramente relevante para os da banda. Deixando de lado o aparte, o importante é que gostei de ter presenciado o concerto. Dancei ao som da música daquele concerto, vários são os que o podem testemunhar. O som do PA estava impecável e, quando no fim do concerto vi Carlos Cruz – ex-colega de curso da EPMAA com quem falei um bocado – por detrás da mesa de mistura percebi que o resultado não poderia ter sido outro. Depois fomos ao tailandês para umas doses de conversa e de comida, findas as quais foi cada pessoa para sua casa.
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