28 de Agosto de 2009 (16:57) – Antes de ontem à noite foi uma noite interessante, pois enquanto estava no corredor do andar – por ser aberto, funciona como uma varanda – e virado para o lado do Grande Lisboa e Banco da China, um homem e uma mulher estavam – não sei se na rua ou não – aos gritos. Não os conseguia ver, mas a cena transportou-me imediatamente para Portugal, Lisboa ou qualquer dos seus subúrbios. Nos primeiros tempos da minha estadia aqui, uma rua ou um edifício ou edifícios tinha esse efeito, e era intensa a experiência: tudo era novidade, era normal.
Em princípio, hoje mudo-me para a nova casa, pelo menos dentro do possível. Já o deveria ter feito, mas não me apetecia ir. Não sei se é da falta de familiaridade inicial ou se da falta de pessoas. A familiaridade é sempre uma ajuda, eu não lido muito bem com a falta dela. Muito tempo sem dar aulas fez voltar a ansiedade e mudar de casa é ter de voltar a organizar tudo e fazer certas compras, enquanto outros objectivos se mantêm, como o envio de dinheiro. Ainda faltam coisas, mas pelo menos já está limpa, limpeza essa iniciada ontem, tendo começado pelas janelas, loiças e prateleiras. Depois foi o almoço e o visionamento de “Blue Velvet” do David Lynch, seguido de trabalho ao computador com o “Inimigos” – as mudanças de fala das personagens e os itálicos das instruções consomem tempo, um tempo que aumenta coma minha lentidão a escrever à maquina – se fosse nas mecânicas de outrora, estava tramado. Interrompi o trabalho para passar à minha sessão de exercícios, tendo o jantar no Estabelecimento de Comidas Wai Chi Kei sido um prato bem servido de Fried Vermicelli, noodles fritos picantes – com ovos mexidos, pimentos, etc; tipo ‘roupa velha’ – cujo preço foi de 38 patacas, acompanhado de chá quente – oferta da casa. Depois vim para casa e acabei de passar o “Inimigos”. Finalmente. Menos um problema, mais um objectivo atingido.
Depois fui-me deitar, mas custou-me adormecer e então dei inicio à leitura do “Uma Conjura De Saltimbancos” do Albert Cossery, editado pela Antígona. Para trás ficou o “A Preferred Blur” do Henry Rollins, que se seguiu ao “Elegia Para Um Americano” da Siri Hustvedt e do qual gostei bastante. O livro do Rollins, uma espécie de diário imbuído de um espírito de relatório de ocorrências, interessou-me bastante. Muito importante a questão da concentração e da focalização em algo que tenhamos estabelecido como objectivo. É um dos métodos – enfim, é trabalhar – que ele diz utilizar muitas vezes para se distrair de si próprio e de, para si mesmo, se ver como estando a fazer alguma coisa. Por alguma razão, isto soa-me estranhamente familiar. Enfim…
Nenhum comentário:
Postar um comentário