09 de Agosto de 2009 (22:00) – Ontem foi um dia improdutivo, mas frutífero. Inexistente ou inaparente que seja a diferença – isto começou a ser redigido no Ou Mun ao som da Mariza – a verdade é que o dia foi passado na rua a andar de um lado para o outro. Às 11h00, lá estava eu em frente ao estádio/ pavilhão desportivo de Macau – não sei em que zona/ freguesia fica – e esperei até às 11h20, em parte por causa da minha mania de não ter o ligado o telemóvel mais cedo. Tinha evitado tanto tempo de espera.
Lá fui com o Calvin – o tipo da agência – ver a casa de que ele me falara, situada num prédio a 50 metros da instalação desportiva supra mencionada e que ficava num 16º andar de um prédio com 5 ou 6 elevadores. A porta gradeada da casa – normal e comum a todas as casas – abriu-se para um aporta nova e esta abriu-se para a sala de uma casa que parecia nova também; sala essa espaçosa, com chão em mosaico, novo também. Tinha portas de vidro que davam para uma varanda de dimensões médias – cerca de 5 ou 6 metros quadrados – a que se seguiu uma cozinha relativamente pequena – um pouco maior que o que é comum aqui – e com boa luz natural, além de fogão embutido, frigorífico – amos novos – e o balcão à largura e comprimento da cozinha. Não dava para ter lá uma mesa, mas… agradou-me bastante. Depois veio a casa-de-banho: pequena, mas suficiente e onde estava a importante máquina de lavar a roupa. O polibã era delimitado por portas de plástico transparente. A loiça era nova. Depois veio o quarto das visitas: a cama, de corpo e meio, ocupava muito do espaço, mas sobrava o suficiente para uma pessoa se mexer lá dentro. Os armários tinham muito espaço para arrumação. A janela do quarto era pequena e estava à cabeceira da cama. No quarto principal, a cama estava virada para os armários espaçosos e a janela pequena ficava à direita. Antes da janela havia uma espécie de tampo em madeira – quase podia funcionar como mini-escrivaninha. 5000 patacas, negociáveis. Disse-lhe que ia pensar bem antes de dar uma resposta definitiva. Agora começo a pensar no que não reparei, como por exemplo em armários; não que tenha memória de que não estivessem em ordem.
Chegado a casa e atravessado o fim de manhã quente e húmida, bebi um sumo de manga e pus-me a caminho de Hong-Kong. Apanhei o 3 – autocarro – até ao terminal marítimo e comprei o bilhete já com desconto na STDM – Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, SARL de Stanley Ho –, tornando a viagem acessível. Tive de ir para a fila dos visitantes por não ter o BIR, apesar de já ter autorização de residência, conforme é possível ver lido o carimbo que está no passaporte, posto lá pelos Serviços de Migração. Carimbado o passaporte, parti nos jetfoil das 14h30, num percurso de cerca de uma hora, passada a ler o “Elegia para um americano” e a preencher o papel do boletim de saúde e o cartão de imigração para entrada em território da Hong Kong SAR – Special Administrative Region. Saio do jetfoil, caminho até aos balcões de entrada no território e tenho a sorte de escolher um balcão que vou demorar 15 minutos a passar, ao contrário de quem está na fila dum bem mais célere balcão do lado esquerdo. Dois carimbos depois, acabo por entrar no interior do terminal e começo a perder tempo, pois se alguns dos sítios me são familiares, de outros não me recordo tão bem. Ir sozinho e sem mapa acentua essa infamiliaridade, aumentando-lhe um pouco o grau de aventura. Confio que as indicações que houver serão suficientes.
Acabo por dar com a saída – um ponto de referência é o Kentucky Fried Chicken – e estou na passagem aérea para pedestres ou overpass – o inglês tem um lado funcional que eu aprecio e estou defronte da plataforma para helicópteros – preste um serviço semelhante ao barco. Onde está o supermercado e cafetaria que vende as deliciosas sandes de salada de ovo e cujo pão em formato de bolsa é confeccionado com passas? Volto a entrar no terminal e não encontro. Depois começo a pensar que talvez fique no IFC – International Financial Centre, uma estrutura de, salvo erro, duas ou três torres de dezenas de andares – cerca de 200 metros dali. A passagem aérea tem pouca gente: hoje é Sábado e só lá andam transeuntes. Ao Domingo é costume as pessoas – sobretudo as mulheres, se bem vi – agarrarem nas suas mantas e fazerem ali, noutras passagens e até em passeios e parques, se a minha memória não me falha, um piquenique. Já no IFC, ando por lá um pouco perdido – estou a pensar em como chegar às lojas de discos – e lá dou com o estabelecimento da sandes, com a qual me delicio no exterior que reconheço. Acabada a refeição começo a tentar perceber que metro tenho de apanhar para ir até Causeway Bay. Mais voltas e acabo por ir até à estação de Sheung Wan – no IFC, a estação de Hong Kong não era a que pretendia – na Island Line, cuja estações de partida ou de chegada são Sheun Wan e Chai Wan. Desço até à plataforma – talvez ao nível de uma sub sub-cave – certo de que estou na linha – azul – e direcção certas. A plataforma é separada da linha por uma placas de vidro, parte delas portas, frente às quais o metro parará, para só então se abrirem.
Ando umas três estações até Causeway Bay, desço e começo a tentar localizar a saída adequada. Há 6 – A, B, C, D, E e F – e eu saio pela F. Parece-me que vai dar onde quero ir. São mais ou menos 17h00 e as ruas não estão longe de estarem apinhadas. Socorro-me da memória visual de Times Square no mapa da estação. À saída do metro, saio para o lado esquerdo, depois viro à direita e 30 metros à frente atravesso a rua, virando novamente à esquerda. Estou na Patterson Avenue – já estou perdido, é claro. Sigo em frente e começo a olhar para os prédios a ver se encontro o que procuro. Nessa altura, já só quero encontrar uma loja de música – qualquer uma serve. E encontro uma da cadeia HMV num centro comercial, dentro de um prédio. Vou lá ver a mercadoria e saio passados cinco minutos. À minha esquerda, veja um pano – ou plástico, não sei – grande no qual está imprimido ‘IKEA’. Serão só escritórios? Vou precisar de comprar coisas para a casa… dou umas voltas pelos quarteirões próximos e o que vejo são centros comerciais, lojas, pessoas, carros e um jardim com poucos espaços verdes. Volto à estação de metro e, antes de entrar, vejo que devia ter tomado o caminho da direita – devia ter escolhido a saída A. Fica para a próxima.
Faço o caminho de volta. O interior das carruagens é sempre igual: bancos de plástico prateados juntos à parede das ditas – abertas; pode ver-se o princípio/ fim da composição. Saio em Sheung Wan e no meu cartão de plástico Octupus, semelhante ao do de plástico Macau pass – qualquer um deles mais barato que o 7 Colinas ou afins – a máquina reproduz a informação de que me foram debitados 4,4 HK Dólares, cerca de 45 cêntimos. Volto ao terminal, localizo o balcão da SJDM, volto ao exterior para fumar um cigarro e só depois compro o bilhete para o jetfoil das 18h30. São 18h14. Depois de duas ou três tentativas, acerto mais ou menos com o balcão da partida. Muita gente e duas filas, uma das quais está debaixo dum sinal que diz ‘Gate 5’. A da Gate 1, que no painel electrónico é dada como a de onde vai efectuar-se a partida para Macau, está parada. A outra avança. Vejo pessoas a passarem por mim e a caminharem na direcção do balcão. Faço o mesmo: eu quero é apanhar o barco. Passo pelo homem do balcão, que me confere o bilhete e me grita ‘free seat’: é ali que, normalmente, com uma etiqueta no bilhete, o lugar fica marcado. Mas eles já estão atrasados e então aquilo é a despachar. À porta do barco, mostro o bilhete e ele indica-me a esquerda. Os de lugar marcado são encaminhados para o convés superior. Arranjo um lugar a meio do barco.
O barco sai. O tempo está encoberto. Um dos assistentes de bordo distribui cartões de imigração e boletins de saúde e fico com um de cada, os quais começo a preencher. Porém, o mar está agitado e o balanço do barco começa a deixar-me enjoado. Começo a pensar que aquilo é como andar na montanha russa – não é, mas não importa. Ponho de lado os papéis, pois se baixo a cabeça, ainda que ligeiramente, o enjoo volta e a sensação, que imagino ser de humilhação pública, que é a de vomitar, é evento a evitar a todo o custo. Mantenho-me muito direito na cadeira e estou a transpirar, apesar do ar frio saído dos potentes ares condicionados da embarcação. O balanço acalma, eu consigo preencher os papéis, mas a minha vigilância só acaba verdadeiramente quando o barco está quase a atracar em Macau. Saio, entrego o boletim de saúde aos tipos do Departamento de Saúde à entrada do corredor – com tapete rolante – de acesso aos balcões de entrada na RAEM. Vou para um que diz “Visitantes” – há uns que são para os residentes em Macau e outros ainda que são para os residentes em Hong Kong. Espero quinze minutos. Os funcionários parecem especialmente atentos às pessoas com passaporte filipino. Há muitos filipinos em Macau, muitos deles provavelmente em situação ilegal. Todos eles a tentarem encontrar uma vida melhor ou, pelo menos, mais desafogada economicamente. Chega a minha vez e o processo leva um minuto. Passo o balcão sem carimbos no passaporte ou no cartão de imigração – corrijo, a cópia; o original ficaria no balcão.
Vou para a zona de paragens de autocarro e táxi e ponho-me a ver itinerários. Quero ir para a Almeida Ribeiro ou ruas adjacentes e, resultado da minha leitura, apanho o 10B. Ando às voltas e a viagem termina no Terminal rodoviário – ou serão as Portas do Cerco? O painel electrónico aposto no interior do 3A indica que do seu percurso faz parte a supra citada avenida. Subo. Sento-me. O autocarro arte e anda às voltas: é enervante ver ‘miragens’ – imagens de lojas que julgo reconhecer para o alívio do reconhecimento se desvanecer logo de seguida – com o contra de uma condução lenta sem necessidade. Finalmente, o Dynasty Plaza e o Star World parecem. Passo a Grande Lisboa, já na Almeida Ribeiro, e o périplo termina com a minha descida na paragem junto ao Leal Senado. São 21h15. Decido que vou jantar ao Boa Mesa. Entro e sento-me. Peço um sumo de laranja e uma omeleta – não têm de queijo; vem a que está no cardápio. Estou com sede e o sumo de laranja natural que me trazem sabe-me excepcionalmente bem. Vem a omeleta, excepcional também, talvez devido à fome que tenho, mas em grande medida graças à salsa – ou eram coentros? O jantar termina com o café. São 22h10. Vou até à Pin-to, compro o saco dos Blackbird, recebo um cartão de ‘associado’ que me dá 10% de desconto em cada compra e, chegado a casa, vejo que um dos CDs não tem folheto, ao invés dos outros seis. Anomalia? Essa foi uma das coisas que fiz hoje, Domingo… isto é, ontem. Fica para amanhã.
Já decidiste se vais ficar com a casa?...Se é negociável ainda deves conseguir baixar o preço...
ResponderExcluirFico um bocado intrigado...Por que te pedem para preencher cartões de imigração e boletins de saúde, se apenas te deslocas de um lado para o outro, mantendo residência em Macau?...Parece uma burocracia algo estúpida...
ResponderExcluirA questão dos cartões tem a ver com o facto de serem dois territórios que, apesar de serem chineses, têm estatuto especial. Provavelmente, têm características semelhantes à de territórios independentes; no mínimo, foi-lhes outorgada autonomia em certos assuntos. Eu já sou residente em Macau, mas para passar no balcão dos "Residentes" preciso do BIR - cartão de plástico semelhante ao cartão do cidadão. O funcionário queria era ver esse rectângulo de plástico, provavelmente. Eles têm tendência para seguir as regras à letra, talvez porque um elemento muito forte da cultura deles seja o 'perder a face', algo que evitam a todo o custo. O boletim de saúde tem de ser, para entrada e saída em Hong Kong: aí funciona como dois países diferentes. A burocracia a que te referes é um pouco como Deus: está em toda a parte. Nada surpreendente, de resto.
ResponderExcluirAinda vou ver mais uma ou duas casas. Só depois escolho aquela e peço uma baixa de preços. Tenho estado a pensar e a sistematizar os argumentos para sustentar o meu pedido, o que não é fácil.