domingo, 18 de outubro de 2009

19 de Outubro de 2009

19 de Outubro de 2009 (00:25) – “Projecto dos Serviços Juvenis na Área dos Comportamentos Desviantes” é bonito, não é? Era assim que estava no cartaz da montra de um escritório de um departamento governamental – escapa-me o nome. Fiquei a pensar que não será só na China que há algo assim. Havê-lo-á em Portugal? Caso não haja, não creio que o dia venha longe.

A semana foi uma de alguma ansiedade, em especial por causa do módulo VI: dera-lhes como TPC a escrita de uma previsão astrológica inventada para o ano de 2010, cujo objectivo era treinarem as expressões de futuro, Futuro do Imperfeito incluído. Vimos vocabulário. Tinha de lhes ter dado um ‘modelo para eles seguirem. Em vez disso, expliquei-lhes o que pretendia. Terminada a explicação, fiquei com impressão de que não tinham reagido muito bem; isto é, não perceberam o que haviam de fazer. Na 5ª feira, corrigi o erro arranjando-lhes um modelo, que levei algum tempo a conseguir escrever – claro que primeiro achei que era uma coisa complicada de se fazer. Não achava nada na Net que seguisse o esquema que eu tinha imaginado: uma estrutura onde eu pudesse simplesmente substituir uns substantivos, adjectivos e verbos por outros. Claro que a solução era algo tão simples como copiar – inventando aqui e ali – uma previsão já existente de um signo qualquer, que lhes desse uma ideia do pretendido. Na aula de 5ª feira ditei-lhes o texto e depois vimos vocabulário. Pareceram-me mais esclarecidos. A aula correu bem, ao invés da de 3ª feira: uma das causas do nervosismo é a auto-avaliação do meu desempenho, adequada preparação das aulas incluída. Não gosto de responder ‘não sei’ quando me fazem uma pergunta: não me parece uma resposta que eu veja neles como tendo ficado com boa impressão. Parece faltar uma resposta mais sintáctica e um pouco menos semântica. O que acontece é que eles com a gramática não se dão mal; já com o lado semântico a coisa não corre muito bem. A solução é simples: tenho de agir.

Aqui o tempo está a ficar cada menos húmido, logo suportável até nos poucos dias de algum calor das últimas três semanas. Depois do jantar com a Paula e o Pedro na 6ª feira, passei pela Pin-to e a única coisa que me fez gastar dinheiro – 80 patacas – foram dois CDs dos Soul Coughing. Só tenho primeiro álbum; e só em cassete. Enfim, gosto da banda e por isso considero o dinheiro bem gasto. A Pin-to anda parca em certo tipo de novidades. Nem sempre me apetece ouvir música electrónica experimental. A Saji 1 e a Saji 2, colectâneas editadas pela Subjam que comprei em Hong Kong, caem dentro desse género. A música é agradável e interessante e com uma identidade tão própria que me parece fazer fronteira com a falta de identidade. É uma música intimista, embora diferente da de 1926, grupo ou artista de quem não sei nada: o CD que eu tenho é uma música ‘pianística’ – só um dos temas tem fita pré-gravada – que oscila entre o lirismo clássico e o lirismo contemporâneo. É agradável, mas faltam-lhe temperos.

No sábado a manhã começou com a vinda ao Ou Mún para os cafés. Depois de “Broken Summers” de Henry Rollins, comecei a ler “Os Irmãos Karamazov” de Dostoievski. Uma vida interessante: até certa altura viciado no jogo, terá também participado numa conspiração política que o levou a ser condenado à morte por fuzilamento. Porém, no último instante, a sua pena ficou reduzida a quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Regressaria a S. Petersburgo dez anos depois um homem profundamente modificado. Já tinha lido outras coisas dele; o estilo e a pertinência são marcas que também este trabalho exibe. A estrutura das histórias e a forma de as contar são simples. São os assuntos e os traços de personalidade das personagens que operam a magia. Depois disso, estive o resto do dia em casa a trabalhar e acabei algumas das coisas que tinha em mãos, nomeadamente por em ordem o caderno de mandarim. À noite vi três episódios da primeira série do “Sons of Anarchy”, de Kevin Sutter, o qual também esteve por detrás do “The Shield”, uma série à volta do dia-a-dia e das tricas de uma esquadra de polícia e que contava com a Glen Close no elenco. Em comparação, o “Sons of Anarchy” é mais limpo, menos claustrofóbico. A série gira à volta de um bando de motoqueiros que se dedica ao tráfico de armas na sua vila ‘perdida’ no interior dos Estados Unidos. Há os negros que traficam cocaína ou heroína, os mexicanos que também traficam armas – logo rivais dos motoqueiros brancos – e os nazis com uma fábrica de metadona e que estão a tentar invadir Charming, a aldeia. O outro bando é o da polícia, a qual tenta gerir, por intermédio do seu velho chefe, a paz e a estabilidade do sítio trocando favores com um seu conhecido de há muito, o presidente do clube de motoqueiros – o polícia novo, sedento de ordem e progresso, quer impor a ‘lei e a ordem’. O presidente do clube anda com a mãe do vice-presidente, um puto novo e filho do criador do clube. Ele é o herói, do lado da justiça e da equidade e, sempre que possível, do não uso de armas – aparentemente, tem menos problemas em deixar um outro à beira da morte depois de o encher de porrada. O herói tem um filho nascido prematuramente da ex-mulher toxicodependente. O presidente e a mãe controlam o clube, são eles que o informam da sua conduta.

Ontem acordei depois de dormidas umas sete horas e fui até ao Ou Mún para a cafeína. Depois fui pagar a Internet, tendo depois passado pelo Royal para umas compras. Até à aula de mandarim, o tempo foi dividido entre a preparação e a ingestão do almoço e mais uma etapa na reorganização do caderno de mandarim. A aula correu bem, apesar da falta de estudo se fazer sentir um pouco. Depois foi o regresso a casa para uma sessão de exercícios, após a qual estive a passear na Net, tendo depois ido ter com a Paula e o Pedro para um jantar no tailandês. A sopa estava excessivamente picante. O movimento seguinte foi o da ida a casa da Cátia para beber um café e onde também ouvimos Wim Mertens enquanto cada um fazia ouvir o seu ponto de vista sobre o niilismo, Nietzsche, a moral e a presença ou ausência do Nicholas Cage no “Padrinho III”, entre outros assuntos. Vim-me embora e a seguir a isto vou-me deitar. Mais uma semana, mais cinco dias de trabalho. Mais uma volta – com novidades, como sempre.

8 comentários:

  1. então xoné? como vai isso ai na china desde dia 19? nós por ca todos bem. a B está do aço, uma versão pequenina do rambo do primeiro filme e nós cheios de trabalho. Já deito politica e esquerda e micros e logic's studios e amplitubes e o trolaró pelos olhos :P olha recebeste o meu ultimo email, com a musquinha? gostaste?
    beijos e abraços

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  2. Olá. Sim, gostei da música, claro. Desde dia 19 as coisas não mudaram. Muito trabalho e preocupação - mais do que as minhas capacidades actuais. A bola ainda não caiu em cima de mim, é o que interessa. Depois digo mais coisas. Beijos às senhoras. Abraço.

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  3. Olha e quando podemos falar live, por skype ou msn ou outra coisa qualquer? qual é mesmo o fuso horário? e outra linda noticia... nem vais acreditar.
    Sabes quem é que vai fazer um concerto conjunto com os metallica? é uma tipa que adora. a Ivete Sangalo :D HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA juro que é a mais pura das verdades. pena não ser o tony carreira, ou o José Cid sempre era mais nossa a bimbalhada. faz-me lembrar aquela musica... tineseltown rebelion pap-tu-aaa... tinsel town rebelion. uhhhuuu uhuuu... tinseltown rebelion babe....

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  4. Qual é a ocasião? Só se for o 25º aniversário do Rock'n'Roll Hall of Fame. De resto, os Metallica estão a fazer a segunda tournée americana. Sim, há algo que eles perderam há muito. Abraço.

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  5. Estive a ver os 3 primeiros episódios do "Sons of Anarchy" online e parece que para lá da capa de violência começam a revelar-se algumas das relações de poder existentes na cidade onde vivem. Achei interessante o fundador do clube referir no seu diário que quem escolhe viver à margem da sociedade fica sem rede, numa terra de ninguém, sem lei nem ordem, e se fôr uma pessoa com convicções a violência é inevitável. Mesmo para quem vive dentro da sociedade a violência é inevitável, se não fisicamente, pelo menos psicologicamente, e sobretudo se tiveres convicções...

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  6. Belas conversas essas... daquelas que são como as cerejas... Gostei do diário...Acho incrível como consegues sempre terminar uma frase na escrita!!! Cátia

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  7. Sim, a série tem bastante interesse e as actuações são credíveis. A história também é boa, não é preto e branco e há factores de pressão externos à comunidade que remetem para o momento socio-político actual. Depois há a referência à Emma Goldman - pouco habitual - como provável factor para a propulsão futura do argumento. Abraço.

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  8. Eu gosto das palavras e de comunicar com elas. Tento dar-lhes vida: enfim, por arrogante que soe, eu sou o Criador. Na escrita é-me mais fácil ver-me nesse 'papel'. Obrigado. Beijo.

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