domingo, 11 de outubro de 2009

11 de Outubro de 2009

11 de Outubro de 2009 (21:05) – Semana menos curta que a que precedeu. As aulas continuaram dentro do mesmo ritmo; a primeira leva de exercícios que preparei para as turmas de Módulo I e VI no IPOR foram entregues. Faltam preparar exercícios para mais sete unidades de matéria que será dada até fins de Janeiro. Gostaria de a passar a computador, mas é um processo que nas minhas mãos exige muito tempo por causa da minha lentidão nas teclas. Se for pelo método do ‘corte-e-cola’, popó tempo e trato de passar tudo a computador mais tarde – um investimento no futuro. Na terça-feira, fui ao CCAC apresentar a Cátia – e dizer adeus – aos meus agora ex-alunos. Ficam bem entregues: vão ser 90 minutos frutíferos e bem passados.

Em casa tudo está na mesma. Aos dias de semana só aqui venho para as refeições e para dormir ou então para, depois do almoço, voltar do trabalho. O prédio parece uma instalação contemporânea: Composição Para Três Berbequins. Não sei quanto tempo é que a obra vai demorar a executar e eu não gosto da composição porque o compositor parece não ter tido em consideração a possibilidade de o ouvinte estar próximo da fonte sonora. Não é tanto a vibração do chão e das paredes em si mesmas. É antes a perda de uma certa musicalidade. Continuo a ver documentários do John Pilger – War on Democracy, Freedom Next Time, New Rulers of The World e uma conferência em que ele diz que o Obama é uma criatura nascida do marketing político e económico –, assim como do Michael Parenti – Empire versus Democracy e Struggle For History – e do Alex Jones – o excelente The Obama Deception – com quem é preciso ter alguma cautela. Aparentemente está em curso – não sei se terá acabado – a coroação do imperador Obama: depois das Nações Unidas, recebeu agora o Prémio Nobel Da Paz. Um prémio destes tem um valor residual, pois não premeia os factos – quer dizer, sob a presidência dele ainda não morreram muitos milhares de pessoas. Talvez seja isso… A sexta-feira à noite foi uma de jantar no Boa Mesa, seguida de conversa com o Pedro, um dos tipos que lá trabalha – acho que ele não é sócio. Já ‘tenho’ mais uma nacionalidade. Segundo ele, pareço francês. Quem sabe o que se seguirá… Foi uma boa conversa, ele já esteve a viver em muitos sítios. Aparentemente, os australianos, de uma forma geral, não são bem vistos por aqui. São considerados arrogantes, os norte-americanos da Ásia. A história deles em Timor-Leste não é nada dignificante.

No sábado voltei a acordar às 7 da manhã e, depois de ter tomado banho, estive a ver o Jimi Hendrix – então com Gypsy, Sun & Rainbows – em Woodstock. Dá prazer ver e em especial ouvir a música: é um cliché dizê-lo, mas é uma música que vai resistir à passagem do tempo. É engraçado ver o concerto, pois pela postura de palco parece ser uma pessoa humilde e com pouca vontade de protagonismo. É fácil ver o gozo dele em estar a tocar – ali ou noutro sítio qualquer, suponho. Depois fui beber os meus cafés ao sítio de sempre e depois de umas compras, voltei para casa e preparei o almoço, tendo revisto – fingia que revia – a anterior aula de mandarim. Depois do almoço, lá fui para a minha terceira aula, tendo depois voltado ao Ou Mún para um chá de limão gelado – Tong Lemon Chá – com a Paula e o Pedro. Depois fui para casa passar umas coisas e, passado um bocado, estava novamente no Ou Mún para o jantar de aniversário da Cristina. Do grupo dos suspeitos só faltava a Cátia. Um par de horas bem passadas a conversar e a comer e depois o regresso a casa ao computador para pôr correspondência em dia.

Também hoje o pequeno-almoço foi ao som de Hendrix em Woodstock. Ouvir a música dele relembra-me a importância do Mitch Mitchell, o baterista. Parece possuir uma energia ilimitada e ele contribui muito para a música. Teria sido interessante ele e o Hendrix fazerem música só os dois, afim do que o John Coltrane e o Rashied Ali – morreu há pouco tempo atrás – fizeram no Interstellar Space. Do pouco que eu conheço do Coltrane – os músicos de jazz têm sempre gravações em quantidades descomunais; quase fazem dos músicos de rock, com excepção do Frank Zappa, uma bando de preguiçosos – esse é um dos meus álbuns favoritos. O outro é o Giant Steps. Depois de comprar uma caixas de CD no ‘hipermercado dos 300’ Daiso – á porta do qual fui ‘assediado’ por uma filipina. Não é só nas discotecas, pelos vistos… – vim para casa e almocei enquanto via o John Pilger na Melbourne Writers Festival – para falar de Power, Propaganda and the Silence Of Writers. Depois acabei de passar a limpo um trabalho que fiz na faculdade sobre o Malangatana: está feito, menos uma coisa pendente. Depois disso fui à minha sessão de exercício, após a qual jantei.

Vou terminar com as minhas impressões acerca da música dos Blackbird e o seu Body Of Work: 1984-2004, saco de 7 CDs que agrupa todo o material de uma banda já extinta. O East is Red/ Generation 97 de 1984 soa a rock doa anos 70, dentro do que eu me lembro do estilo dos Mott the Hoople, dos Slade ou de certas coisas dos The Who, mas com um som misturado à maneira dos anos 80. Manifesto (1986), Living Our Lives (1987), People Have The Power (1989) e Uniracial Subversion (1995) mantém, no geral, um som à maneira da década de 80 do século XX, mas de 1986 a 1995 vão refinando o seu modo de expressão, com um momento de experimentalismo sonoro, muitas vezes partindo da inclusão de fitas pré-gravadas. Estilisticamente, o seu rock é normalmente de tipo ligeiro, mas entremeiam-no com blues, reggae e até um punk rock sujo que me lembra os Crass. As preocupações são de tipo libertário e, além de temas ecológicos, falam muito da opressão dos trabalhadores em todo o mundo, socorrendo-se de gente do meio socialista operário de finais do século XIX e inícios do do XX – além de versões de canções da Patti Smith. A instrumentação é, com excepção do aparecimento do ehru – violino chinês – em alguns dos temas, baixo, bateria, sintetizador, guitarra, fitas pré-gravadas e voz. Singing In the Dead Of Night (2004), mantém muitas das características anteriores, mas a mistura parece melhor: mais limpa, sem tanta bateria tratada. Outra mudança é a da maior presença do ehru nas canções. Característica que sempre mantiveram foi o de cantarem em mandarim – suponho eu – e em inglês, com preponderância clara da primeira das línguas. Com excepção dos dois álbuns menos antigos, muitos deles tinham algo que me lembrava os Minimal Compact, fosse qual fosse o tipo musical – memórias musicais de Clash e Crass também foram evocadas durante a audição. Parece-me que seria por causa do timbre de voz do vocalista e do seu modo de inflexão. Não é possível classificá-los imediatamente; o seu interesse não parece exclusiva ou primordialmente musical. As que embalagens que escolheram, capas de cartolina/ cartão pardo e folhetos desdobráveis de papel pardo, dizem muito acerca deles. Eu diria que a grande inspiração deles foram os Beatles – ou o John Lennon – ainda que a música de uns e de outros tivesse sido muito diferente. Ouvi-los foi tempo bem empregue – voltará a sê-lo quando os ouvir de novo. Verei o que me reserva esta semana que agora começa. Até depois.

2 comentários:

  1. Pois amigo, já foram 90 minutos! Eles são o máximo! Não sei se alguma vez te disse mas eles são o nosso reflexo no espelho!
    Obrigada pelo apoio e pela paciência! Cátia

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  2. Acho que já mo tinhas dito.Não tens de quê. Sempre às ordens. Beijo.

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