sábado, 18 de dezembro de 2010

!8 de Dezembro de 2010

18 de Dezembro de 2010 (23:46) – Que notícias há? Bom, o The Standard (TS) abria a sua edição com um anúncio da Value Partners, empresa de gestão... ia continuar com as notícias dos jornais, mas deixou de fazer sentido.
O dia 4 de Novembro foi de ida para o trabalho e de regresso a casa para almoçar e para pagar à Lorna, a empregada que me limpa a casa e me passa a roupa a ferro. Ela diz que para conseguir fazer tudo precisa de mais uma hora. Ainda vou decidir. Voltei para o IPOR e tratei apenas – ou quase – de assuntos de trabalho. Tentar tocar os bois todos para a frente é difícil. No dia seguinte, depois das aulas, tive um final de noite inesperado. Divertido. Foi fascinante ver a quantidade de mobília depositada nas ruas e ainda em boas condições – fui ajudar um amigo carregar uns cadeirões de bambu que uma amiga viu junto a uns caixotes de lixo e os quais eram para a loja que ele vai abrir. Depois destes episódios, os detalhes do dia-a-dia dos restantes dias perderam-se no turbilhão da sucessão dos acontecimentos em andamento rápido. A cidade continua com o mesmo movimento de sempre e o trabalho também. Provavelmente falta de capacidade minha, mas os esquecimentos têm-se sucedido. No entanto, nem sempre. As festas vão acontecendo, houve mesmo duas dois fins de semana seguidos. Uma foi um jantar, o qual começaria mais tarde porque alguns dos convivas – eu incluído – tinham ido ver os Blasted Mechanism.
Nunca os tinha e gostei. Cenicamente, a banda é apelativa e tudo está de acordo com o universo filosófico e discursivo dela. Musicalmente, não me parecem tão interessantes. Timbricamente, sim; quanto à estrutura e à consequente dinâmica interna, nem por isso. As canções são muito semelhantes entre si – o andamento de cada uma das canções é semelhante. Isto parece um bocado impressão à crítico musical, mas depois de ver o concerto fiquei com a impressão de que eles prometem mais do que depois acabam por dar. Visualmente, muito elaborados e fora do vulgar; musicalmente, o alternativo deles é relativamente convencional – nem vou começar a falar dos Coil ou assim... lembrei-me dos Hedningarna e dos Stealing Orchestra. Os Blasted Mechanism são bastante bem sucedidos e as ideias são, dentro de certos parâmetros, apelativas. Não foi tempo perdido.
Voltando ao assunto central, esse jantar só acabaria às seis e meia da manhã. A festa seguinte foi um pós-jantar que começou às 10 da noite e acabou às sete e meia da manhã do dia seguinte. O bom espírito reinou nas duas, embora o ambiente desbragado tivesse reinado na segunda. A casa, que está viva comigo e com a Cátia – na verdade, tem tudo a ver com a Cátia... – ganhou mais uns amigos, espero eu.
No fim de semana de 14 e 15, eu e a Cátia fizemos um ano de namorados. É curiosa a velocidade que o tempo às vezes parece ter. é bem sabido que um minuto tem sempre 60 segundos, mas a verdade é que não temos a sensação de namorarmos há tanto tempo. É prova que a relação é saudável e está viva. Eu gosto muito desta mulher.
O ponto alto foi quando fomos ao restaurante do Hotel Mandarim Oriental, de 5 estrelas, para um jantar que não é possível descrever sem utilizar, o adjectivo soberbo – creio que sem a presença da soberba... Não importa, a verdade é que escolhemos o Menu de Degustação, composto por 9 pratos. Cuisine française, mas poso dizer que não fiquei com fome, bem pelo contrário, foi, de facto, uma experiência espantosa, facto ao qual não era alheio o ter ao meu lado a senhora que tinha. Falar da comida – falar do amor não é para todas as ocasiões – e da experiência de ter estado naquele restaurante não é tarefa fácil, pois a qualidade da confecção – o apuro do sabor – estavam para além da experiência das minhas papilas gustativas. Tentei eternizar cada grama de comida o mais que pude e, se calhar, consegui. Não houve um único prato de cujo sabor não tivesse gostado. Os pratos estiveram à altura da ocasião, num espaço onde a minha t-shirt branca não se sentiu intimidada.
Eu e a Cátia também fomos a Zhuhai buscar um fornecimento de DVD's. Trouxe uma caixa de todos os episódios do Monty Python's Flying Circus, outra caixa com todos os filmes do Fellini, outra com os filmes do Kusturica, a segunda série do “Sons of Anarchy” - aparece o Henry Rollins a fazer de chefe dos neo-nazis – e também videos musicais: Eminem, Blue Cheer e Heaven & Hell. O do Eminem foi uma desilusão: uma encenação fraca e, musicalmente, fez, com excepção de duas ou três músicas, um medley dos maiores êxitos dele. Os Blue Cheer ainda não vi. Os Heaven & Hell, banda composta por Tommi Iommi. Geezer Butler, Vinnie Appice e o falecido Ronnie James Dio, então com apenas 64 anos. O concerto foi bom, foi um prazer ouvir a voz do Di, além de poder testemunhar, não só a forma afável e sóbria como se dirigia ao público, mas também a genuína simpatia de que tantos falavam.
O dia a dia normal
Budas do Camboja na Calçada da Vitória
As grades nas janelas
Os dias da semana são passados no trabalho, a preparar material para o trabalho e, em casa, a ler, a escrever ao computador ou então a ver episódios do “Dexter”, com Michael C. Hall, um dos actores principais do “Sete Palmos Debaixo de Terra”. A representação dele é muito boa, embora o argumento seja mais linear do que o do série que o tornou famoso. O actor faz de serial killer que, durante o dia, é o especialista de sangue da equipa forense da polícia de Miami.
Os próximos dias também serão bastante atarefados, pois há actividades de Natal para preparar com os alunos. Veremos como corre a leitura de poesia e a produção de cadáveres esquisitos, ambos tendo como tema de fundo o Natal. Há dias que nos deixam, enquanto professores, com uma sensação de inutilidade. Às vezes, essa sensação aparece, em parte, porque o silêncio quase permanente dos alunos nas aulas nem sempre é fácil de suportar. O fim de semana que agora está a chegar ao fim, foi muito bom. Ontem fomos a uma festa de Natal numa tasca no Cais 22, zona junto ao Rio das Pérolas, onde se a conversa e a cerveja fluíram naturalmente. Hoje a tarde foi mais tranquila, pois fomos a um concerto de música clássica, organizado por um amigo, e cujo tema era o Natal. Para além de canções de Natal, algumas com interpretações em registo jazz, o destaque foi para excertos do “Messias” de Haendel. Tudo isto foi seguido de um bom jantar. Foi bom estar ali a ouvir. Estes concertos começaram em Junho e continuarão para o ano que vem. Brevemente, mando mais notícias da frente de batalha.

2 comentários:

  1. Fico contente por ti!Carpe momentum!
    Tens de ver o documentário sobre o Saramago,"José e Pilar".É bastante forte...

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  2. Obrigado. Contigo também desejo que tudo esteja bem. Que estejas a conseguir o que queres, dentro da luta que é viver em Portugal agora e durante os próximos anos. Abraço.

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