24 de Maio de 2010 (13:00) – Os extensos relatos acabei-os há muito e é provável que não volte a haver nos tempos mais próximos. Continua sempre a acontecer muita coisa, como seria de esperar. EM Portugal, falhei o primeiro concerto entre portas dos Metallica e voltarei a oportunidade de rever Motorhead. O dia-a-dia está sempre repleto de acontecimentos, mas Junho já se vislumbra e é com ele os passos finais do semestre lectivo. As viagens de regresso a Portugal já estão marcadas há muito – é necessário fazer as marcações com grande antecedência para se conseguirem preços “camaradas”. O relato que a seguir se apresenta já tem quase um mês, mas os afazeres têm sido muitos. Aqui vai:
“As aulas tiveram uma pausa de 1 a 6 de Abril, dias de repouso que foram bem aproveitados, como depois poderão ler. Depois desta pausa, é sempre sem paragens até meados de Julho. O calor aumenta pouco a pouco e a minha capacidade em decorar códigos para transferências também não: é a quarta ou quinta vez que vou ao banco para me darem códigos novos. Isto foi antes da pausa,que serviu para parar um pouco e não ter outras preocupações que não fossem ter outras preocupações. Aqui há quase sempre algo de engraçado a acontecer, como há cerca de mês e meio ou dois, num fim-de-semana em que eu e a Cátia estivemos em Hong Kong. Durante esse fim-de-semana, vimos um para de concertos, um no sábado, outro no domingo. O de sábado foi a oitava sinfonia de Bruckner e foi um assombro. A óptima execução foi fundamental para que aquela música tivesse adquirido um carácter quase sobre-humano para – suponho – todos quantos lá estiveram. O concerto de domingo foi o da Orquestra Chinesa de Hong Kong, também ela muitíssimo boa. Gostei da música que eles executaram, embora a esta distancia já não me lembre da música. Algumas das peças eram estreias. Voltando à história do restaurante vegetariano... estávamos todos sentados à mesa quando, perto do fim da refeição, um dos tipos que lá trabalhava chegou-se ao pé de nós e perguntou-me se eu ouvia heavy metal e eu respondi-lhe que sim. Perguntei-lhe porque é que ele me tinha feito a pergunta e ele respondeu-me que era porque eu tinha cara de quem ouvia heavy metal. Já sei porque é que a ideia existe: tenho cara disso.
Depois desse episódio não aconteceu mais nada desse nível – não me estou a lembrar e nada neste momento. No entanto, tenho ido a espectáculos no Centro Cultural de Macau e em outras salas, sejam eles de música para orquestra ou concertos de rock. Umas das últimas bandas que gostei de ouvir no último concerto que fui ver – concerto de beneficiencia para o projecto Na Terra – formam os Elf Fátima, de Hong Kong. São uma banda de rock instrumental dentro do género Ísis, soando mais aos Mono, mas mais pesados e agressivos. Colaboraram com os portugueses The Allstar Project, os quais também navegam nestas águas. Até que enfim uma banda com música intensa e alta! Dentro do género, os concertos têm sido bons, mas normalmente dentro de um género mais calmo, mesmo quando são bandas rock. Há algumas que são frenéticas, mas nada que seja mesmo “pesado”. Tenho comprado CDs, mas é difícil dedicar-me a dar impressões de todos eles – ainda tenho testes para corrigir, embora já não falte muito para acabar. Já decidi que não vai haver mais TPC ou “assignments” para eu ficar a ver em casa.
A última viagem que fiz, fi-la com a Cátia e fomos às Filipinas. Foi uma viagem para não esquecer. Não houve muitas peripécias e a as que houve aconteceram comigo, a começar pelo meu esquecimento de “Os Irmãos Karamazov” num balcão antes dos gabinetes de controlo de entradas, onde tinha estado a preencher os papeis de chegada ao pais e declaração de saúde – Quem é você? Porque está aqui? É um ser humano saudável? Que doenças tem? Se calhar, você é um terrorista... Descalce os sapatos! Consegui recuperar o livro, estava no mesmo sítio onde o tinha deixado. Isto aconteceu às duas da manhã, enquanto esperávamos – tínhamos chegado a Manila por volta da meia noite e meia – pelo voo interno de ligação, que cerca das cinco e meia nos levaria para, salvo erro, Caticlan. Enquanto esperámos, bebemos café e comemos uns donuts que eram uma das especialidades das Filipinas e observámos a intensa actividade do aeroporto. Nada de muito estranho se pensarmos que aqui não só o sol começa a despontar muito cedo, como vivem muitas pessoas. Apanhámos o bimotor e no aeroporto fomos conduzidos para o exterior por um tipo que nos acompanharia até Boracay e que nos pareceria estar a tentar sugerir um hotel da sua preferência e com o qual ganharia algo – se calhar o hotel era mesmo bom. Apanhámos um barco e em Boracay, apanhámos um tuk tuk até à zona dos hotéis... e ele sempre na nossa companhia, o que não nos deixou muito à vontade. Ele acabou por se ir embora quando nos decidimos a ficar no Regency Resort.
Os dias que lá passámos forma muito repousantes: acordávamos, íamos tomar o pequeno-almoço e depois andávamos entre a piscina e a praia de areia branca e água muito transparente e relativamente fria. Até ao fim do dia, este vai vai-vem era interrompido pela sesta. Estávamos sempre na praia para ver o pôr-do-sol, um acontecimento muito bonito que demorava entre quinze a trinta minutos a dar-se. O azul e o vermelho do céu nessa ocasião também não serão esquecidos. Era nessa altura que a praia, se começava a encher de gente, em especial de filipinos, o que nos surpreendeu um pouco. Aliás, a maior parte dos hóspedes das unidades hoteleiras eram filipinos. Achámos que seriam emigrantes queiam passar ali as férias – tinham de ser pessoas com um certo poder económico. Não importa, a atmosfera do sítio era muito muito boa. Depois íamos jantar, por vezes com banda sonora cortesia das bandas de covers ao vivo – normalmente de música rock, embora tivesse havido uma vez em que, depois de passeio nocturno pós-jantar pela praia, tivéssemos ouvido uma banda reggae que tocava especialmente bem. Depois do passeio, deitávamo-nos. Eram assim os dias, calmos, agradáveis e com muito amor.
O regresso teve o seu quê de mais calmo. Saímos do hotel numa carrinha fornecida – mediante pagamento, claro – pelo estabelecimento e fizemos a viagem de volta ao porto por corredor de alcatrão que ligava esses dois pontos. Os muros desse corredor eram um amontoado de edifícios relativamente baixos e de formas e qualidade variáveis, cujo fim para o qual foram construídas também variava. Podiam servir tanto para habitação – a maioria das construções mais precárias – como para empresas: bancos, barbeiros , agencias de viagens, mercearias, stands de automóveis de luxo, companhias de seguros, hotéis e tascas. Também aqui a poeira é um agente sempre presente. O braço no qual regressámos para Caticlan também pertencia ao hotel e, lá chegados ao porto, fomos para uma carrinha que nos transportou durante 50 metros até à entrada do aeroporto. No balcão, pedimos para irmos no mesmo vôo – acabámos por conseguir porque alguém não compareceu, felizmente para nós – e perguntaram-nos quanto pesávamos – terá sido isso? Sei que as malas foram pesadas. Esperámos um pouco: a vantagem dos aeroportos pequenos é que não temos de andar muito. Lá subimos para o bimotor e ele cerca das 13h30 subiu connosco lá dentro. O céu limpo proporcionou-me uma vista aérea das ilhas que também me ficará na memoria. Qualquer das ilhas teria uma praia na qual seria agradável ficar. Os postais, no entanto, não fazem jus à experiência em primeira mão.
Passado um bocado estávamos de volta a Manila, onde voltámos a esperar algumas horas, entretidos entre os balcões da CEBU ou da Air Phillippines, os postos de abastecimento de comida e o exterior onde podíamos observar a cidade - muito distante – e alguns edifícios como uma igreja cristã – sim, em Boracay vi um tipo a carregar uma cruz de madeira maior do que ele - um Marriot Hotel., os dois símbolos de poder semelhante às das – quaisquer – bandeiras que se espalhavam ao longo da rua que permitia o acesso ao aeroporto. Só provavelmente os países europeus é que me parece terem uma relação mais distante com a bandeira. Modifica-se um pouco no Oriente, onde há sempre muitas bandeiras. Lá acabámos por apanhar o avião de regresso a Macau, onde chegámos cerca das 22 horas – ou seriam 21 horas? Não importa, foram dias de férias que não vou esquecer.”
A vida continua e, neste momento na linha do horizonte, começam a surgir os exames finais. Dentro de cerca semana e meia serão os do IFT – estão marcados para dia 3 de Junho – e perto do fim do mês realizar-se-ão os restantes. Aqui no IPOR, muitos dos alunos são estudantes e muitos eles vão começar a faltar, o que vai tornar as salas de aulas mais vazias... Mudando de assunto: 2010 tem sido um ano de mortes de cientistas e artistas que eu aprecio: primeiro foi o Howard Zinn, depois foi o Pete Steele dos Type O Negative a 14 de Abril e agora no dia 16 de Maio foi Ronnie James Dio, os dois últimos ligados ao mundo heavy metal. Foi mais supreendente a do primeiro, pois só tinha 48 anos. Os TON eram uma banda incontornável e invulgar em muitos aspectos, pois faziam escolhas musicais um tanto invulgares e tinham um sentido de humor invulgar. Se sabíamos que podíamos contar com isso, não sabíamos bem a que é que isso soava. Góticos que tocavam hardcore – isto devia ser confuso para muitos críticos. Não interessa, o conceito de praticamente tudo isto saia da cabeça do Pete Steele. O meio ficou com menos capacidade de auto-crítica.
Para quem ouviu e ouve heavy metal, ele era uma das suas figuras mais carismáticas – para os outros um perfeito desconhecido. Foi ele quem popularizou o sinal dos "cornos". Foi vocalista não só dos Black Sabbath e dos Rainbow – com o Ritchie Blackmore, dos Deep Purple – mas também dos Dio, banda que ele fundou. Ouvi-o pela primeira vez quando ouvi o "The Last In Line" dos Dio e a música "Evil Eyes" ficou-me no ouvido e na memória. Ilustra bem o carácter da voz dele. Ronnie James Dio já tinha 67 anos e tinha um cancro no estômago. Ainda assim esperava vencê-lo para ir em mais uma tournée, desta vez como vocalista dos Heaven and Hell, onde todos são ou foram membros dos Black Sabbath – Geezer Butler no baixo, Tommi Iommi na guitarra e Vinnie Appice na bateria. O Dio não era alguém que eu ouvisse com muita frequência, mas sempre que ouvia alguma coisa nova, normalemnte gostava do que ouvia e prometia a mim mesmo que havia de comprar música dele. A última coisa que ouvia com ele foi numa das canções de “The Devil You Know” – no programa do Henry Rollins na KCRW. A música – a arte em geral – tem muito por onde escolher, mesmo se ignorarmos o “lixo” – para outros poderá ser um “luxo”, mas há sempre um limite. Voltando ao assunto, o Dio foi uma pessoa e um músico/ artista que não terá tido rasgos de genialidade, mas cque foi sempre visto como bom músico/ artista. Foi um músico bom e isso já é mais raro: há meios mais dados aos egos e o do rock é um dos deles. Nesse aspecto, o meio ficou mais pobre.
Bom, por agora chega. O trabalho chama-me. Mais notícias virão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário