04 de Novembro de 2009 (01:00) – Por motivos de saúde de um dos elementos do grupo, acabou por não haver ida à China. Fica para outra vez; não faltarão oportunidades. Sexta-feira foi dia de aula de reposição no IFT das 13h00 às 14h20 – poucos compareceram – e de aulas de módulo I. Correram bem. Houve uma aluna de módulo I que disse que não tinha percebido o vocabulário e que não percebia o que estava ali a fazer. Era natural que ela não percebesse, pois faltou às aulas em que ele foi dado. No fim da aula, disse-lhe que na da semana seguinte eu punha-a a par. Acabada a aula, eu, a Cátia e o Rogério fomos até às ‘muralhas’ ver Buraka Som Sistema e foi um momento bem passado. Faz sentido dançar ao som da música deles e assim fiz; só não consigo ir na conversa dos incitamentos vindos do palco, venha de quem vier. A avaliar pela música nova que tocaram, o kuduro vai ser cada vez mais diluído em favor de outros elementos. Tendo em conta que era esse o tipo de música do qual partiam para outras misturas e não o inverso, vai haver uma mudança de público. Não é necessariamente mau, mas, mudando de paradigma, algumas das pessoas que os ouvem desde o princípio vão deixar de o fazer. O jantar foi no tailandês e depois cada um de nós foi para casa.
No sábado, acordei cedo, deitei-me e passei pelas brasas e depois lá me levantei, tendo tomado o pequeno-almoço antes de sair de casa. O pão da manhã foi mastigado ao som do Ozzy Osbourne em Salt Lake City em 1984 – inchado do álcool e das drogas – a promover o “Bark at the Moon”. É visível o quanto ele gosta de estar em cima do palco. O Jake E. Lee – guitarrista que entrara para substituir o Randy Rhodes – e o Bob Daisley – baixista – parecem distraídos com o público, o que me pareceu um contraste com a postura do Ozzy, que salta, corre e incita a multidão com um entusiasmo que não tem como causa maior aquilo que ele ingere. Cada vejo que o vejo em concerto, vejo simultaneamente um velho e uma criança. No concerto há um homem vestido com uma armadura, que lhe traz um tabuleiro com copos de plástico e canecas. O palco está ao fundo de uma escadaria no cimo do qual estão o baterista e o teclista e ao fundo da qual estão duas ‘estátuas’ de morcegos de asas abertas. Depois fui até ao Ou Mún e li umas páginas de Dostoievski e bebi cafés. Fui às compras e trouxe uma máquina fotográfica das mais em conta e depois fui comprar o “China Underground”, um livro escrito por um tipo americano novo – tem duas bandas, uma delas os Octagon – sobre as pessoas na China que não querem ou não conseguem integrar-se na nova China, capitalista. Depois fui para casa, almocei, acabei de ver o Ozzy e voltei a sair para mais compras. Documentei a ida e a volta com a máquina; ficaram então por comprar auscultadores com intercomunicador, uma varinha mágica, uma máquina de aquecer água – para poder ter com que fazer chás ou cafés – e um candeeiro de mesa. Depois de ter comido mais qualquer coisa, voltei a sair e fui até ao supermercado Benvindo para tratar das compras mensais, as quais seriam entregues na 2ª feira entre as 14h00 e as 16h00. Voltei a casa e estive a fazer encomendas de música à Amoeba Record Store, a qual tem discos em 2ª mão. A baixa do dólar e a relativa falta de opções em Macau tornaram a poção apelativa. O cansaço tratou de me forçar a ir dormir, deixado de lado a noite de Halloween. O do ano passado foi passado num concerto de Moonspell.
No domingo acordei às 9 horas, depois de uma noite bem dormida. Tomei o pequeno-almoço tendo por banda sonora e visual Mastodon, Lamb of God e Slayer na tournée “Preaching to the perverted”. De seguida, fui beber os cafés ao sítio do costume e o resto do dia foi passado entre a ida a casa para reabastecimento alimentar e tentativas de tratar de assuntos pendentes, quase todas bem sucedidas, nomeadamente a aquisição de um candeeiro de mesa, de uma cafeteira eléctrica, de uma varinha mágica e de uns headphones com intercomunicador – agora só falta fazer comida, fazer chá e convidar as pessoas para cá virem. O trabalho andou pouco, pois a falta de concentração era muita.
Fui cedo para a cama – cerca da meia-noite – e às 7 da manhã de 2ª feira já estava acordado. Fui tratando de tomar banho e de tomar o pequeno-almoço ao ritmo das imagens de um documentário feito pela alemã Cláudia Heuermann sobre o John Zorn, com o título “A Bookshelf on top of the sky”. Difícil de descrever: o melhor que sei é de que se trata de uma espécie de entrevista filmada, ilustrando a vida e a vida das obras de John Zorn com filmagens de concertos e/ ou ensaios. Estive no computador a trabalhar um pouco antes de ir até ao Caravela beber os cafés. Depois a ansiedade fez-me ficar um bocado maldisposto – enfim, a sensação foi a de um prenúncio de queda de tensão –, mas lá fui até ao Royal fazer compras sem, no entanto, trazer as extensões de ficha tripla de que precisava – não havia. Cheguei a casa um pouco – pouco – tonto, mas lá fiz o almoço e a coisa melhorou um pouco.
Pelo leitor de CDs, além do bastante bom “Everything” do Henry Rollins com Charles Gale e Rashied Ali, passaram os White e os Mininoise. Os primeiros são um duo de chineses de Pequim que gravaram em Berlim, com produção de Blixa Bargeld. A música é um industrial com uma pitada de electrónica, tudo bem misturado – mistura pouco crua, se a compararmos com a dos álbuns iniciais dos Einsturzende Neubauten. Bom; logo, sem arrependimentos. Os Mininoise de “Hong Kong
estou a adorar a versão carlos, o dançarino ... até já dança kuduro, grande carlos! grandes evoluções, estou a ver ... a tua carta vai a caminho ...
ResponderExcluirPois é! São coisas que acontecem... Não, gostei de dançar, mas mesmo assim aquilo devia ter sido mais tribal, mais hardcore. Eu não dancei como se devia, mas pronto...Ok, cá a aguardo.
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